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Filho de soldador e vendedora de acarajé, jovem de escola pública reprova em Medicina no Enem de 2024, passa um ano estudando sozinho enquanto ajuda os pais na barraca aos fins de semana e, aos 19 anos, conquista o 1º lugar em Medicina na UFBA
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 14/08/2026 às 12:49
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A conquista veio depois de uma primeira frustração concreta. Davi concluiu o ensino médio em 2024, mas sua nota no Enem daquele ano não foi suficiente para conseguir Medicina.
Em vez de ingressar em um cursinho, passou todo o ano de 2025 estudando sozinho, enquanto nos fins de semana continuava ajudando os pais na venda de acarajé em Arembepe. No Sisu 2026, o resultado mudou completamente: além da vaga na UFBA, ele também foi aprovado em Medicina na Universidade de São Paulo.
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Filho de soldador e baiana de acarajé cresceu acompanhando a rotina de trabalho dos pais
Davi cresceu acompanhando de perto uma realidade familiar baseada no trabalho. Sua mãe, Gerusa dos Santos Rocha, atua como baiana de acarajé, enquanto seu pai, Ednaldo Alves de Oliveira, trabalha como soldador. A família vive na região de Arembepe, no município de Camaçari, na Bahia.
A trajetória do pai também carrega uma história de acesso limitado à educação. Ednaldo contou ao Correio que foi criado na zona rural de Mata de São João, teve uma infância marcada pelo trabalho na roça e contou com poucas oportunidades de escolarização. Mesmo assim, afirmou que sempre acreditou que os filhos poderiam alcançar caminhos diferentes.
Davi não esteve distante dessa rotina. A Secretaria da Educação da Bahia registrou que, mesmo durante o período mais intenso de preparação para o vestibular, ele continuava ajudando a família nos fins de semana, trabalhando na venda de acarajé em Arembepe.
Toda a formação do ensino médio aconteceu em escola pública
Davi estudou no Colégio Estadual Professora Nadir Araújo Copque, em Arembepe. Foi nessa escola pública que concluiu o ensino médio em 2024 e construiu a base utilizada posteriormente para disputar uma vaga em Medicina.
O vínculo com a instituição permaneceu mesmo depois da conclusão dos estudos. Em fevereiro de 2026, já aprovado, ele retornou à antiga escola durante a Jornada Pedagógica, quando sua trajetória foi apresentada aos professores e demais integrantes da comunidade escolar.
A diretora Guilhermina Silva Souza descreveu Davi como um estudante dedicado e tranquilo durante sua passagem pela instituição. Para a gestora, sua aprovação também representou um resultado concreto da formação oferecida pela rede pública.
Enem de 2024 terminou sem a vaga que Davi queria
O primeiro resultado depois da conclusão do ensino médio não foi o esperado. Davi prestou o Enem de 2024 buscando uma oportunidade em Medicina, mas a pontuação obtida não foi suficiente para alcançar a vaga.
Isso significava enfrentar pelo menos mais um ano fora da universidade enquanto se preparava novamente para uma seleção extremamente competitiva. Em vez de abandonar a escolha profissional ou migrar imediatamente para outro curso, decidiu concentrar 2025 em uma nova tentativa.
O objetivo já havia surgido ainda na escola. Davi explicou à Secretaria da Educação que procurava uma profissão que continuasse exigindo estudo, pesquisa e desenvolvimento intelectual, características que encontrou na Medicina.
Durante todo o ano de 2025, ele estudou sozinho para tentar Medicina novamente
A preparação seguinte não aconteceu dentro de um cursinho presencial. Com a base construída na escola, Davi organizou sozinho todo o seu ano de estudos de 2025 para tentar elevar o desempenho no exame seguinte.
A Secretaria da Educação descreve uma rotina de estudo diário. A preparação também incluía atividades físicas, utilizadas pelo jovem como forma de cuidar do equilíbrio emocional enquanto atravessava meses de cobrança acadêmica.
Nos fins de semana, os livros dividiam espaço com a venda de acarajé
A preparação para o Enem não eliminou as responsabilidades familiares. Aos sábados e domingos, Davi ajudava os pais na venda de acarajé em Arembepe, segundo o relato divulgado pela Secretaria da Educação e reproduzido pelo Consed.
A rotina criava um contraste direto: durante a semana, o jovem avançava sozinho pelo conteúdo necessário para disputar Medicina; nos fins de semana, participava do trabalho que fazia parte da renda e da história de sua família.
A mãe acompanhou de perto todo esse percurso. Gerusa afirmou ao Correio que sempre esteve presente na vida escolar dos filhos. O pai, por sua vez, relacionou a aprovação à possibilidade de os filhos terem acesso a oportunidades educacionais que ele próprio não teve durante a infância.
Aos 19 anos, Davi ficou em 1º lugar na modalidade LI-EP para Medicina na UFBA
Quando saiu o resultado do Sisu 2026, a nova tentativa havia produzido exatamente o resultado perseguido. Davi Rocha ficou em primeiro lugar na modalidade LI-EP para Medicina na Universidade Federal da Bahia.
A modalidade LI-EP é reservada a candidatos que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas, sem aplicação de critério de renda familiar. Foi por essa categoria que o ex-aluno da rede estadual conquistou sua vaga.
O resultado ganha dimensão ainda maior pelo curso escolhido. A própria Secretaria da Educação da Bahia identificou Medicina como o curso mais concorrido da UFBA naquele processo, colocando Davi diante de uma disputa muito diferente daquela enfrentada apenas um ano antes, quando sua nota ainda não havia sido suficiente.
Aprovação não ficou restrita à UFBA: Davi também conquistou Medicina na USP
Dias depois da divulgação inicial da história, apareceu outro resultado importante. O Correio confirmou em 6 de fevereiro de 2026 que Davi havia sido aprovado não apenas na UFBA, mas também em Medicina na Universidade de São Paulo.
A dupla aprovação transformou um ano de preparação independente em duas oportunidades de formação médica em universidades públicas.
O resultado veio pouco mais de um ano depois de ele deixar o ensino médio sem conseguir a vaga pretendida pelo Enem de 2024.
A repercussão levou Davi novamente ao Colégio Estadual Professora Nadir Araújo Copque. Em 4 de fevereiro, ele participou da Jornada Pedagógica da instituição, agora não mais como aluno se preparando para o vestibular, mas como ex-estudante aprovado em Medicina.
Um ano separou a reprovação da primeira colocação na UFBA
A cronologia concentra o elemento mais forte da trajetória. Em 2024, Davi terminou o ensino médio na rede estadual e fez o Enem, mas a pontuação ainda não o colocou em Medicina. Durante 2025, permaneceu fora da universidade e reorganizou a preparação por conta própria.
Nesse intervalo, continuou ajudando os pais na venda de acarajé aos fins de semana. Não deixou a rotina familiar para frequentar uma estrutura preparatória específica: usou a base da escola pública, manteve estudo diário e passou o ano tentando corrigir a distância que o separava da nota necessária.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

