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Filho de um ferroviário, largou a escola aos 13 anos para ser entregador e começou costurando roupões acolchoados na sala de casa com a mulher antes de abrir a primeira loja em 1975: assim Amancio Ortega ergueu a Zara, hoje parte de um grupo com mais de 5.500 lojas e faturamento de € 38,6 bilhões por ano

Filho de um ferroviário, largou a escola aos 13 anos para ser entregador e começou costurando roupões acolchoados na sala de casa com a mulher antes de abrir a primeira loja em 1975: assim Amancio Ortega ergueu a Zara, hoje parte de um grupo com mais de 5.500 lojas e faturamento de € 38,6 bilhões por ano

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Filho de um ferroviário, largou a escola aos 13 anos para ser entregador e começou costurando roupões acolchoados na sala de casa com a mulher antes de abrir a primeira loja em 1975: assim Amancio Ortega ergueu a Zara, hoje parte de um grupo com mais de 5.500 lojas e faturamento de € 38,6 bilhões por ano

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 05/08/2026 às 15:00

Atualizado em 05/08/2026 às 15:03

Curiosidades

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Filho de um ferroviário largou a escola aos 13 anos, aprendeu costura com um alfaiate e criou a Zara, hoje em grupo que fatura € 38,6 bilhões por ano.

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Nascido em 1936 em um povoado do norte da Espanha, ele aprendeu costura e modelagem trabalhando com um alfaiate ainda adolescente. O negócio familiar de 1963 virou uma rede que chegou às Américas em 1989 e o levou brevemente ao posto de homem mais rico do mundo.

Filho de um ferroviário e de uma dona de casa, Amancio Ortega nasceu em 28 de março de 1936, em Busdongo de Arbás, no norte da Espanha, e abandonou os estudos aos 13 anos por causa das dificuldades financeiras da família, conforme perfil biográfico publicado pela EBSCO, assinado por Elizabeth Mohn.

Foi trabalhando com um alfaiate que ele aprendeu costura e modelagem de roupas. Esse ofício aprendido na adolescência é a base técnica de tudo o que veio depois, e explica por que ele conseguiu montar um negócio de confecção sem qualquer formação formal.

O negócio de roupões que começou dentro de casa

Filho de um ferroviário largou a escola aos 13 anos, aprendeu costura com um alfaiate e criou a Zara, hoje em grupo que fatura € 38,6 bilhões por ano.

Em 1963, com pouco mais de 20 anos, ele abriu com os irmãos e a esposa um negócio próprio de confecção de roupões de banho. A operação começou em escala doméstica, com a costura sendo feita pela própria família.

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Conforme a demanda cresceu, a empresa ampliou a linha de produtos e passou a contratar gente de fora. Ele recrutou mulheres da região e organizou as costureiras em cooperativas, formato que estruturou a produção sem depender de uma única fábrica.

Essa decisão inicial define o que a empresa seria décadas depois. Controlar quem costura é controlar prazo, e é justamente a velocidade de produção que se tornaria a marca registrada do negócio no mercado mundial de moda.

Doze anos até a primeira loja

Filho de um ferroviário largou a escola aos 13 anos, aprendeu costura com um alfaiate e criou a Zara, hoje em grupo que fatura € 38,6 bilhões por ano.

A primeira unidade da Zara só abriu em 1975, doze anos depois do início da confecção. Até então, a operação era de fabricação, não de varejo.

Depois do sucesso da loja, a expansão foi agressiva. Ao longo da década de 1980, a rede se espalhou pela Espanha e alcançou outras partes da Europa, e em 1989 foi inaugurada a primeira unidade nas Américas.

À medida que o negócio crescia, ele abriu outras marcas e criou a Industria de Diseño Textil, a Inditex, como empresa controladora do conjunto. A Zara foi, e continua sendo, a marca mais conhecida e mais rentável do grupo, que reuniu ao longo do tempo nomes como Massimo Dutti, Pull&Bear, Bershka, Stradivarius e Oysho.

As três semanas que mudaram o varejo de moda

O sucesso da rede se apoia em um conjunto de decisões que hoje são estudadas como modelo, e a primeira delas é o controle da cadeia produtiva.

Ele insistia em que a empresa administrasse boa parte da própria cadeia de suprimentos, em vez de terceirizar tudo. Somado a isso, manteve parte da produção na Europa, e não apenas em países asiáticos, o que encurtou drasticamente o caminho entre a fábrica e a prateleira.

O resultado é um prazo que a concorrência não conseguia acompanhar. Alguns modelos chegavam às lojas em até três semanas, tempo de resposta que permite lançar uma peça enquanto a tendência ainda está em alta, e não meses depois.

Gerentes treinados para observar o cliente

Zara ultrapassa a Nike e se torna a marca de moda mais valiosa do mundoFoto: Reprodução Zara 

A segunda peça do modelo é a coleta de informação no ponto de venda, feita por quem está no salão.

Os gerentes das lojas são treinados para observar o que as pessoas compram, o que olham e o que vestem, de modo a manter em estoque as tendências mais procuradas. Essa leitura volta para a produção e orienta o que será fabricado em seguida.

A consequência aparece na frequência de reposição. As lojas chegam a renovar o estoque até duas vezes por semana, o que faz o cliente encontrar novidade a cada visita. Mais variedade produz mais compra, e é essa engrenagem que define o modelo conhecido como fast fashion, do qual a rede se tornou líder mundial.

A saída da presidência e os dividendos que continuaram

Avesso a entrevistas e fotos, Ortega foi, por dois dias, o homem mais rico do mundo (Getty Images)

Ele deixou a presidência da Inditex em 2011, quando a rede já operava milhares de lojas em seis continentes.

A saída do comando não interrompeu o retorno financeiro. Mesmo fora do cargo, ele passou a receber cerca de US$ 400 milhões por ano em dividendos, valor que decorre da participação acionária que manteve na companhia.

O grupo também atravessou bem o período mais turbulento da economia global. Entre 2008 e 2014, durante a crise financeira internacional, as ações da empresa se valorizaram enquanto outros papéis espanhóis caíam. O patrimônio dele cresceu US$ 45 bilhões entre 2009 e 2014, movimento que o levou a ultrapassar Warren Buffett em 2015 e a assumir brevemente, naquele mesmo ano, o posto de pessoa mais rica do mundo.

O bilionário que criava galinhas

O contraste entre a fortuna acumulada e o comportamento dele é o traço que mais aparece nos relatos sobre sua trajetória.

Quando trabalhava na sede da empresa, almoçava no refeitório com os demais funcionários. Vestia se de forma simples no dia a dia e não era conhecido por usar peças produzidas pelas próprias marcas do grupo.

Mesmo depois de deixar o cargo, continuou visitando a sede regularmente. No tempo livre, criava galinhas na própria propriedade, ocupação que resume a distância entre a rotina dele e a imagem associada a alguém no topo das listas de bilionários.

A ex-mulher que virou a mulher mais rica da Espanha

A história empresarial se confunde com a familiar desde o início. Ele se casou com Rosalía Mera pouco depois de fundarem juntos o negócio que originaria a rede.

O casal se separou em meados da década de 1980 e acabou se divorciando, mas ela permaneceu como segunda maior acionista da holding até morrer, em 2013. Ele se casou novamente, com Flora Pérez Marcote.

Dos dois casamentos vieram três filhos: Sandra, Marcos e Marta. Sandra se tornou a mulher mais rica da Espanha ao herdar 7% das ações da holding após a morte da mãe, e Marta assumiu anos depois a presidência do grupo fundado pelo pai.

Um empresário que quase não dá entrevista

Apesar de figurar há décadas entre as maiores fortunas do planeta, ele é descrito como reservado e protege a vida pessoal com rigor.

Entrevistas à imprensa são raras, e a exposição pública é evitada de forma deliberada. Essa discrição contrasta com o alcance da operação que ele construiu, presente em mais de uma centena de mercados.

Os números atuais dão a dimensão do que saiu daquela sala onde se costuravam roupões. O grupo faturou € 38,63 bilhões no exercício de 2024, com lucro líquido próximo de € 5,9 bilhões e 5.563 lojas em operação ao fim do período.

De 13 anos sem escola a uma rede em seis continentes

O percurso cobre mais de seis décadas e começa com uma interrupção de estudos por falta de dinheiro em casa. O que ele aprendeu no lugar da escola foi um ofício manual: cortar, costurar e montar peça de roupa.

Foi esse conhecimento prático que permitiu montar a confecção em 1963, entender o processo produtivo por dentro e, mais tarde, insistir no controle da própria cadeia quando toda a concorrência terceirizava tudo.

E você, acha que histórias assim ainda seriam possíveis hoje ou dependeram de um momento específico do mercado? Sabia que a marca das roupas nasceu de um negócio de roupão feito em casa? Conta nos comentários qual grande empresa mais te surpreendeu ao descobrir como ela começou.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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