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Fim da parede montada peça por peça no canteiro: fábrica australiana coloca robôs para cortar, furar, colar e parafusar madeira, abre no painel os espaços de portas, janelas e instalações e pretende entregar uma parede, piso ou teto pronto a cada dez minutos para a obra apenas encaixar

Fim da parede montada peça por peça no canteiro: fábrica australiana coloca robôs para cortar, furar, colar e parafusar madeira, abre no painel os espaços de portas, janelas e instalações e pretende entregar uma parede, piso ou teto pronto a cada dez minutos para a obra apenas encaixar

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Fim da parede montada peça por peça no canteiro: fábrica australiana coloca robôs para cortar, furar, colar e parafusar madeira, abre no painel os espaços de portas, janelas e instalações e pretende entregar uma parede, piso ou teto pronto a cada dez minutos para a obra apenas encaixar

Escrito por Ana Alice

Publicado em 05/08/2026 às 22:18

Ciência e Tecnologia

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Fábrica australiana usa 14 robôs para produzir paredes, pisos e tetos de madeira, com meta de concluir um painel a cada dez minutos. (Imagem: Ilustrativa)

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Uma linha automatizada na Austrália combina madeira, projeto digital e robôs industriais para produzir componentes de casas em poucos minutos, antecipando dentro da fábrica tarefas normalmente executadas no próprio canteiro de obras.

Uma peça de madeira entra em uma linha industrial e começa uma viagem que lembra mais a fabricação de um automóvel do que a rotina de uma obra residencial.

Máquinas cortam e perfuram o material, enquanto braços robóticos posicionam, colam e parafusam os componentes até formar uma parede praticamente pronta para deixar a fábrica.

Esse é o modelo preparado pela empresa australiana 5North em parceria com a fabricante alemã de robôs KUKA.

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Instalada em Edinburgh, na região metropolitana de Adelaide, a unidade foi projetada para produzir painéis de madeira destinados a paredes, pisos, tetos e coberturas.

A meta anunciada é concluir, em média, um painel bidimensional a cada dez minutos.

Portas, janelas e passagens para sistemas elétricos e hidráulicos podem ser consideradas antes mesmo de a fabricação começar, reduzindo parte do trabalho que normalmente seria executado no canteiro.

A fábrica, porém, ainda atravessava a fase de instalação, comissionamento e testes nas informações mais recentes localizadas.

Em março de 2026, a 5North informou que os primeiros quatro dos 14 robôs haviam chegado ao local e que buscava iniciar seus compromissos comerciais no terceiro trimestre.

Uma publicação do setor apontou agosto de 2026 como alvo para a entrega do primeiro produto comercializável, mas não foi encontrada confirmação pública de que a produção regular já tenha começado.

Painéis de madeira começam a ser montados antes de chegar à obra

A diferença principal está no local em que o trabalho acontece.

Na construção convencional, peças de madeira costumam chegar separadas ao terreno, onde profissionais medem, cortam, alinham e fixam cada componente até formar a estrutura.

No sistema da 5North, grande parte desse processo é deslocada para um ambiente industrial controlado.

O projeto arquitetônico é convertido em dados que orientam serras automáticas, equipamentos de fresagem, estações de montagem e robôs.

A madeira entra na linha, passa por cortes e perfurações e segue para a formação da armação.

Depois, chapas são posicionadas sobre a estrutura, enquanto máquinas aplicam adesivo, colocam fixadores e abrem os vãos definidos no arquivo digital.

O resultado não precisa ser apenas uma armação básica.

Conforme o pedido do construtor, os painéis podem deixar a unidade com revestimentos externos, membranas, isolamento, parte das instalações elétricas, janelas e portas já incorporadas.

Fundação, transporte, içamento, alinhamento, conexão entre os painéis, impermeabilização, acabamento e diferentes serviços continuam sendo necessários no terreno.

A proposta é retirar do canteiro parte das tarefas repetitivas e transferi-las para uma linha em que medidas, ferramentas e sequências de produção são controladas digitalmente.

Braços robóticos da KUKA atuam em uma linha automatizada preparada para cortar, posicionar, colar e fixar componentes de madeira destinados à construção. Crédito: KUKA Group/Divulgação.

Quatorze robôs dividem as etapas da fabricação

O núcleo automatizado foi projetado com 14 robôs industriais distribuídos em seis estações.

Segundo a associação australiana prefabAUS, a linha robótica possui 104 metros de comprimento, dimensão próxima à de um campo de futebol.

Reportagem australiana descreveu uma instalação de aproximadamente 120 metros.

A diferença pode estar relacionada ao trecho considerado: o núcleo robótico ocupa 104 metros, enquanto a linha mais ampla, com alimentação, transporte e áreas auxiliares, pode alcançar uma extensão maior.

A unidade está instalada em um terreno de 46 mil metros quadrados, com cerca de 12 mil metros quadrados de área produtiva coberta.

O espaço fica próximo a uma base da Força Aérea Real Australiana, ao norte de Adelaide.

A primeira etapa envolve uma serra automática capaz de processar milhares de cortes por dia.

As peças seguem para estações que montam a armação, conferem o esquadro e recebem as chapas.

Em seguida, os robôs executam operações como colagem, fixação, fresagem e abertura de canais.

Linhas integradas recebem os painéis para trabalhos ligados aos sistemas mecânicos, elétricos e hidráulicos.

Apesar do alto nível de automação, trabalhadores continuam presentes.

Profissionais preparam subconjuntos, acompanham a qualidade, executam serviços especializados, supervisionam a operação e tomam decisões quando o material ou o projeto exige intervenção.

Linha industrial associada à 5North reúne robôs, estruturas de movimentação e estações preparadas para a produção automatizada de componentes de casas. Crédito: PrefabAUS/5North

Projeto digital define portas, janelas e instalações

Antes de a madeira entrar na fábrica, o projeto precisa ser adaptado para produção.

Esse processo é conhecido como design para fabricação e montagem, ou DfMA, na sigla em inglês.

A equipe analisa o desenho do construtor e procura formas de produzir as peças com menos desperdício, menor quantidade de movimentos e montagem mais rápida.

Alterações de poucos milímetros podem permitir melhor aproveitamento das chapas ou simplificar uma união.

Depois dessa análise, as informações são transformadas em linguagem compatível com o sistema que controla a linha.

Cada painel recebe dados próprios sobre comprimento, largura, posição das peças, tipos de abertura e pontos de fixação.

Assim, o vão de uma janela não precisa ser recortado manualmente depois que a parede estiver montada.

A máquina já recebe a posição correta e faz a abertura conforme o projeto.

O mesmo princípio vale para portas e passagens destinadas a cabos ou tubulações.

Quanto mais detalhes forem incorporados na fábrica, menor tende a ser o número de operações necessárias no canteiro.

A precisão, contudo, depende da qualidade do projeto enviado ao sistema.

Um erro no arquivo digital pode ser reproduzido pela linha com a mesma exatidão usada para fabricar uma peça correta.

Por isso, automação não elimina a necessidade de engenheiros, projetistas, técnicos e controle de qualidade.

Ela muda o ponto em que as decisões são tomadas, concentrando parte delas antes do início da produção física.

Painel a cada dez minutos é uma capacidade projetada

A KUKA informa que a instalação foi planejada para entregar um painel 2D completamente acabado a cada dez minutos.

O termo “2D” é usado para descrever componentes planos definidos principalmente por comprimento e largura, apesar de possuírem espessura e diferentes camadas.

De acordo com a prefabAUS, o ciclo médio projetado é de dez minutos, com capacidade máxima de 37,2 metros quadrados de produto concluído em cada ciclo.

Em uma semana padrão de 38 horas distribuídas por quatro dias e durante 48 semanas anuais, a fábrica poderia fornecer componentes para cerca de mil casas por ano.

Caso opere em três turnos, a projeção sobe para aproximadamente 3 mil residências anuais.

Outra reportagem estimou que os componentes produzidos poderiam equivaler a até seis casas de 120 metros quadrados por dia ou mais de 2 mil por ano.

Os números não são necessariamente incompatíveis, porque dependem da quantidade de turnos, do tamanho das casas, do nível de acabamento dos painéis e do tempo dedicado a manutenção ou troca de projetos.

Uma parede simples, formada apenas pela estrutura e pelas chapas, pode exigir menos operações que um painel com isolamento, revestimento, janela e instalações incorporadas.

A capacidade divulgada representa, portanto, o desempenho esperado para a linha, e não uma comprovação de que a fábrica já mantenha esse ritmo continuamente.

Construção industrializada permite projetos diferentes

Uma dúvida comum sobre a produção automatizada é se todas as residências precisam seguir o mesmo desenho.

A 5North afirma que sua linha foi estruturada para receber projetos de diferentes construtores e incorporadores, em vez de fabricar apenas um modelo padronizado.

As dimensões e aberturas de cada painel podem mudar conforme o arquivo digital.

A mesma linha pode produzir paredes com tamanhos, formatos e posições de portas diferentes, desde que os projetos sejam preparados dentro dos limites das máquinas e das normas australianas.

Essa flexibilidade diferencia o sistema de uma fábrica dedicada a um único produto.

Ainda assim, quanto maior a variedade, maior pode ser a necessidade de planejamento, ajustes de programa e organização dos materiais.

A 5North também afirma que atua como fornecedora, e não como construtora.

Sua função é produzir paredes, pisos e tetos para empresas responsáveis pelo projeto completo e pela montagem final.

O modelo permite que a preparação do terreno e a fabricação dos componentes avancem ao mesmo tempo.

Enquanto fundações e acessos são executados no endereço da obra, os painéis podem ser montados dentro da unidade industrial.

Segundo a empresa, entre 60% e 90% do processo pode ocorrer fora do canteiro, dependendo do produto contratado.

A porcentagem é uma estimativa comercial da própria 5North e varia conforme o nível de acabamento solicitado.

Madeira australiana ocupa o centro da operação

A linha foi projetada para trabalhar com materiais à base de madeira, incluindo pinus radiata produzido na Austrália, madeira maciça e painéis industrializados.

Na fábrica, a proteção contra chuva e vento permite que as peças sejam armazenadas e montadas em condições mais previsíveis do que as encontradas em um terreno aberto.

O corte automatizado também pode melhorar o aproveitamento das medidas disponíveis.

Sobras são mais fáceis de separar, registrar e direcionar quando o processo acontece em um ambiente industrial organizado.

A 5North relaciona o uso da madeira à redução do carbono incorporado e do desperdício de materiais.

As porcentagens ambientais divulgadas pela empresa ainda dependem de avaliações específicas para os produtos e condições australianas.

Também é necessário considerar a origem da madeira, o manejo florestal, os adesivos, as chapas, o transporte, a durabilidade e o destino dos componentes ao fim da vida útil.

Por isso, uma parede de madeira produzida por robôs não é automaticamente sustentável apenas por sair de uma fábrica.

O impacto depende de toda a cadeia, do projeto e da forma como o edifício será utilizado.

Vista aérea mostra a unidade industrial da 5North em Edinburgh, na região metropolitana de Adelaide, onde a linha robotizada está sendo instalada. Crédito: NT News

Robôs tentam responder à falta de moradias e trabalhadores

A Austrália enfrenta pressão para ampliar a oferta habitacional, enquanto o setor da construção convive com escassez de profissionais, aumento de custos e prazos prolongados.

A aposta da 5North é fabricar componentes em grande escala sem transformar cada casa em um produto idêntico.

Tarefas repetitivas e fisicamente exigentes passam para as máquinas, enquanto profissionais qualificados permanecem responsáveis por planejamento, supervisão, instalações e montagem.

A própria empresa afirma não pretender substituir os trabalhadores do setor.

O argumento é que carpinteiros e outros profissionais podem se concentrar em atividades especializadas, enquanto os robôs executam movimentos repetidos de posicionamento e fixação.

Ainda será necessário observar se o sistema conseguirá manter a velocidade anunciada, produzir diferentes projetos sem atrasos, controlar custos e entregar componentes dentro dos padrões exigidos.

A fábrica também terá de demonstrar que a redução de tempo dentro da linha se converte em obras mais rápidas no mundo real.

Transporte, disponibilidade de guindastes, preparação das fundações, aprovações e equipes de montagem podem continuar interferindo no cronograma.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

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