6 min de leitura
Fim da picada de agulha: tecnologia aprovada pela Anvisa permite coletar sangue sem perfurar a pele, já começou a ser negociada com hospitais, clínicas e laboratórios e pode transformar um dos procedimentos mais temidos pelos pacientes
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 01/08/2026 às 14:27
Ciência e Tecnologia
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Tasso usa uma microperfuração e sucção suave para coletar sangue capilar no braço, reduzindo o desconforto e dispensando a punção venosa em exames compatíveis.
Uma nova tecnologia de coleta de sangue começou a avançar no mercado brasileiro com a promessa de tornar exames laboratoriais mais simples, rápidos e confortáveis. O dispositivo Tasso dispensa a procura por uma veia e coleta pequenas quantidades de sangue capilar por meio de uma microperfuração superficial realizada na parte superior do braço.
O equipamento já foi apresentado pela distribuidora Allcrom a hospitais, clínicas e laboratórios brasileiros. A comercialização deverá ocorrer inicialmente por meio de instituições de saúde e empresas especializadas, sem previsão de venda direta nas farmácias.
Tasso coleta sangue capilar sem precisar encontrar uma veia
O dispositivo é pequeno, descartável e aplicado na parte superior do braço por meio de um adesivo suave. Depois de posicioná-lo, o paciente ou profissional de saúde pressiona um botão para iniciar a coleta.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Assista o vídeo
A ativação libera uma pequena lanceta, que realiza uma perfuração superficial e retorna imediatamente para dentro do aparelho. Ao mesmo tempo, o sistema cria uma leve pressão de vácuo para favorecer o fluxo do sangue capilar.
A amostra desce pela ação combinada da sucção e da gravidade até o recipiente acoplado. Depois de preenchido, o tubo pode ser retirado, fechado e encaminhado ao laboratório.
Tecnologia Tasso pode reduzir o medo da coleta de sangue
A punção venosa provoca medo em parte dos pacientes e pode dificultar exames necessários ao acompanhamento da saúde. Algumas pessoas adiam procedimentos por ansiedade, desconforto ou experiências anteriores com tentativas repetidas de encontrar uma veia.
O Tasso foi projetado para diminuir essa barreira. Como a lanceta é acionada automaticamente e permanece escondida, o paciente não acompanha a introdução de uma agulha convencional no braço.
Estudo publicado em 2024 avaliou a autocoleta com uma versão do dispositivo e considerou o método seguro, aceitável e relativamente pouco doloroso entre os participantes analisados. A experiência, porém, pode variar conforme cada pessoa e o tipo de aparelho utilizado.
Tasso+ coleta até 500 microlitros de sangue
A linha possui modelos destinados a diferentes volumes e públicos. O Tasso+ pode coletar até 500 microlitros e é apresentado no Brasil para uso em adultos com mais de 18 anos.
O Tasso Mini trabalha com volumes menores, de até 200 microlitros, e pode ser utilizado em crianças a partir dos seis meses, conforme as informações comerciais divulgadas pela distribuidora brasileira.
As amostras podem ser armazenadas em microtubos com EDTA, heparina, gel separador ou sem aditivos. Essa compatibilidade facilita a integração com parte da estrutura já utilizada pelos laboratórios.
Coleta de sangue no braço pode ser feita em poucos minutos
O processo foi desenvolvido para ocorrer em aproximadamente cinco minutos ou menos, embora o tempo possa variar de acordo com o fluxo sanguíneo e o volume necessário.
A pessoa deve permanecer com o dispositivo preso ao braço até que o recipiente alcance a quantidade indicada. Depois, o aparelho é retirado da pele e descartado conforme os protocolos aplicáveis.
A lanceta é de uso único e permanece protegida no interior do equipamento após o acionamento. Esse mecanismo reduz o risco de contato acidental com a parte perfurante durante o descarte.
Autocoleta pode facilitar exames realizados dentro de casa
Uma das principais possibilidades abertas pela tecnologia é a coleta remota. Dependendo do exame e do protocolo adotado, o paciente poderá retirar a amostra em casa e enviá-la para processamento laboratorial.
O modelo pode beneficiar pessoas com mobilidade reduzida, moradores de regiões distantes e pacientes que precisam realizar exames repetidamente. A autocoleta também pode reduzir deslocamentos e o tempo de espera em unidades de saúde.
Assista o vídeo
Essa aplicação dependerá da orientação da instituição responsável, das condições de transporte e da estabilidade de cada marcador analisado. Nem toda amostra pode permanecer pelo mesmo período fora de um ambiente controlado.
Crianças e idosos podem ser beneficiados pela nova coleta
Crianças costumam apresentar maior resistência à coleta venosa, especialmente quando já passaram por procedimentos dolorosos. A dificuldade de localizar veias também pode exigir mais de uma tentativa.
Entre idosos, desidratação, fragilidade dos vasos e condições clínicas podem aumentar a complexidade do procedimento. Uma coleta capilar automatizada pode representar uma alternativa para exames que exijam volumes reduzidos.
O benefício não elimina a necessidade de avaliação profissional. Idade, condição da pele, circulação, medicamentos e finalidade do exame precisam ser considerados antes da escolha do método.
Nem todos os exames poderão abandonar a punção venosa
O principal limite do Tasso está na quantidade de sangue obtida. Enquanto uma coleta venosa pode preencher vários tubos, os dispositivos capilares trabalham com volumes de algumas centenas de microlitros.
Exames que exigem grandes amostras, múltiplas análises ou condições específicas de processamento continuarão dependendo da retirada tradicional pela veia.
Também existem diferenças entre o sangue capilar e o venoso que podem interferir em determinados resultados. Cada teste precisa ser validado pelo laboratório antes de migrar para o novo sistema.
Aprovação não significa uso automático em qualquer exame
A regularização sanitária permite que o dispositivo seja oferecido dentro das condições autorizadas, mas não transforma todas as análises laboratoriais em aplicações automaticamente compatíveis.
Hospitais e laboratórios precisam estabelecer protocolos para coleta, transporte, armazenamento e processamento. Também devem verificar se os resultados permanecem comparáveis aos obtidos pelo método tradicional.
A implantação poderá começar por exames já validados com pequenos volumes. A expansão para novas análises dependerá de estudos, avaliações técnicas e decisões das instituições de saúde.
Allcrom iniciou negociações com hospitais e laboratórios
A Allcrom apresenta-se como distribuidora da tecnologia no Brasil e já promove o Tasso junto ao mercado de análises clínicas. O produto foi demonstrado em eventos do setor hospitalar e laboratorial.
A estratégia inicial está concentrada em hospitais, clínicas, laboratórios, empresas de pesquisa e redes de saúde. Não há indicação de comercialização direta ao consumidor em farmácias neste primeiro momento.
A adoção dependerá do interesse das instituições, do preço de cada unidade e da economia gerada pela redução de deslocamentos, materiais e tempo dos profissionais.
Tasso pode mudar a experiência dos exames de sangue
A tecnologia não representa o fim imediato das agulhas nem das coletas venosas. Sua contribuição está em oferecer outro caminho para exames que precisam de pequenas quantidades de sangue capilar.
Quando o teste for compatível, o paciente poderá substituir a punção na veia por um dispositivo acionado com um botão, preso ao braço e retirado poucos minutos depois.
O avanço poderá ser especialmente relevante para quem evita exames por medo, dificuldade de acesso ou necessidade de coletas frequentes. A transformação, entretanto, dependerá da validação de cada análise e da incorporação do sistema à rotina dos laboratórios brasileiros.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

