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Fim da profissão de operador de empilhadeira: trabalhadores deixam de transportar paletes por terrenos irregulares para supervisionar uma empilhadeira autônoma que usa inteligência artificial, desvia de obstáculos e já opera perto do desempenho humano
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 06/08/2026 às 13:42
Atualizado em 06/08/2026 às 13:43
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Empilhadeira autônoma enfrenta terrenos irregulares, chuva e obstáculos enquanto assume o transporte de paletes em canteiros de obras, revelando como sensores, inteligência artificial e supervisão humana começam a reorganizar uma atividade pesada, repetitiva e essencial para o ritmo das construções modernas.
A movimentação de materiais pesados nos canteiros de obras começa a sair da cabine e migrar para telas de supervisão, enquanto a empilhadeira autônoma ADAPT assume tarefas de busca, carregamento, transporte e descarga de paletes sem depender de condução humana contínua.
Mesmo diante de cascalho, lama, grama, asfalto e obstáculos que mudam de posição, o sistema foi projetado para manter o deslocamento, interpretar o ambiente e executar rotas programadas, preservando ao operador a função de acompanhar e liberar etapas específicas.
Nos testes descritos no estudo ADAPT: An Autonomous Forklift for Construction Site Operation, a máquina percorreu ciclos completos entre áreas no solo e a carroceria de um caminhão, enquanto uma equipe acompanhava seu funcionamento por meio de uma interface instalada em tablet.
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Ao comparar os resultados, os pesquisadores observaram desempenho próximo ao ritmo de um operador com mais de 20 anos de experiência, evidenciando uma mudança direta na função humana, que passa da condução constante para a definição de tarefas e a supervisão remota.
Empilhadeira autônoma ADAPT opera fora de estrada
Derivado de Autonomous Dynamic All-terrain Pallet Transporter, o nome ADAPT identifica um transportador autônomo e dinâmico de paletes preparado para atuar fora de estrada, condição que diferencia o projeto das empilhadeiras automatizadas usadas em ambientes internos e rigidamente controlados.
Ligado ao AIT Austrian Institute of Technology e à Universidade Técnica de Viena, o desenvolvimento ocorreu no âmbito do projeto europeu AWARD, iniciativa voltada à automação de veículos pesados empregados em operações logísticas realizadas sob condições variadas e pouco previsíveis.
Como base mecânica, os pesquisadores escolheram a empilhadeira Palfinger BM154, plataforma articulada que pode ser transportada sob a carroceria de um caminhão e já é utilizada em entregas de materiais realizadas em locais sem infraestrutura pronta ou piso regular.
Segundo o estudo, o veículo suporta carga de trabalho de até 1.500 quilos a 60 centímetros do ponto de apoio, alcança 2,85 metros de altura de elevação e utiliza tração hidrostática nas quatro rodas, combinação adequada para terrenos irregulares.
Sensores e inteligência artificial orientam o transporte
Para transformar a plataforma em veículo autônomo, a equipe distribuiu sensores, computadores industriais e sistemas de controle por diferentes pontos da máquina, criando uma arquitetura capaz de perceber o ambiente, calcular movimentos e responder rapidamente a situações relacionadas à segurança.
Câmeras estereoscópicas e sensores LiDAR identificam paletes, pessoas, limites de carga e outros obstáculos, enquanto módulos de localização combinam dados de satélite, medições internas do veículo e mapas produzidos durante a operação para estimar com precisão a posição da empilhadeira.
A partir dessas informações, o planejamento de rota calcula como alcançar o material, alinhar os garfos e seguir até a área de entrega sem colisões, ajustando o trajeto sempre que os sensores detectam mudanças no caminho inicialmente definido.
Antes de cada missão, uma pessoa conduz uma exploração guiada pelo local e indica as áreas gerais de coleta e descarga, fornecendo ao sistema as referências necessárias para organizar o trabalho sem depender de trajetos permanentemente marcados no canteiro.
Depois dessa preparação, a ADAPT procura os paletes disponíveis, estima posição e orientação, escolhe um alvo e cria o percurso, sem exigir trilhos, marcas especiais no piso ou posições fixas de armazenamento em ambientes que mudam ao longo do dia.
Integrado ao planejamento de movimento, o desvio de obstáculos interrompe a marcha quando identifica risco de colisão e mantém a máquina parada até que o caminho seja liberado, comportamento essencial em locais compartilhados por trabalhadores, veículos e equipamentos móveis.
Diferentemente dos armazéns automatizados, onde o piso costuma ser nivelado e as rotas permanecem previsíveis, os canteiros apresentam circulação menos controlada, materiais deslocados com frequência e áreas de trabalho que podem mudar conforme o avanço de cada etapa da construção.
ADAPT enfrenta lama, chuva e superfícies irregulares
Em ambientes de obra, desníveis, poças, lama, vegetação e cargas posicionadas fora de padrões exigem respostas mais complexas do veículo, razão pela qual a ADAPT combina direção articulada central, tração integral e controles hidráulicos para manter estabilidade e mobilidade.
Durante o encaixe dos paletes, a aproximação reúne informações de profundidade fornecidas pela câmera e pelo LiDAR, exigindo erro inferior a cinco centímetros no posicionamento da ponta dos garfos para que a operação seja concluída sem deslocamentos excessivos.
A avaliação comparou, na mesma máquina, a operação autônoma e a condução manual em três tarefas distintas: transportar paletes entre pontos no solo, carregar um caminhão e retirar a carga previamente posicionada sobre a carroceria do veículo.
Realizados sob condições ensolaradas, nubladas e chuvosas, os experimentos incluíram trajetos com poças refletindo luz e superfícies molhadas, enquanto todas as operações entre áreas no solo ocorreram durante chuva, ampliando o nível de dificuldade enfrentado pelos sensores.
Desempenho fica perto de operador experiente
Usado como referência durante a comparação, o operador acumulava mais de duas décadas de experiência, fator que elevou o nível do teste e permitiu medir a eficiência da empilhadeira diante de alguém acostumado a otimizar cada manobra no ambiente real.
No conjunto das tarefas, o profissional concluiu os ciclos em 82,5% do tempo exigido pela ADAPT, enquanto na operação mais simples, entre duas áreas no solo, a máquina alcançou aproximadamente 88% do desempenho humano registrado durante a avaliação.
Ao carregar o caminhão, a diferença de tempo ficou em 14%, enquanto a retirada dos paletes da carroceria apresentou distância maior, de 26%, resultado associado às etapas adicionais de percepção, alinhamento e confirmação executadas pelo sistema autônomo.
Parte dessa diferença surgiu porque a máquina realiza determinadas ações de forma sequencial, ao passo que o operador consegue movimentar a empilhadeira enquanto levanta ou abaixa os garfos, aproveitando simultaneamente o deslocamento e a preparação da carga.
Por razões de segurança e pela organização atual do software, a ADAPT permanece parada durante algumas dessas etapas e ainda pode precisar de alguns segundos para estabilizar a lista de objetos detectados antes de selecionar o palete correto.
Mesmo com essa diferença de ritmo, a precisão apareceu de forma consistente nas tarefas padronizadas, pois em 80% das operações de descarga o posicionamento global foi suficiente para depositar o palete dentro de uma tolerância de cinco centímetros.
Nos demais casos, o sistema recorreu a novas leituras do limite de carga ou a correções feitas pelo sensor instalado próximo aos garfos, ajustando a posição antes de completar a entrega e reduzir o risco de desalinhamento.
Operação autônoma ainda exige intervenções humanas
Ao longo de 233 minutos de funcionamento autônomo, a empilhadeira movimentou 60 paletes e exigiu 17 intervenções manuais, número que permite observar tanto a capacidade de execução independente quanto as situações em que o acompanhamento humano permaneceu necessário.
Somadas, as intervenções ocuparam 12 minutos, menos de 5% do tempo total, embora dez minutos tenham sido consumidos por um problema de localização por satélite associado ao protótipo e não à sequência normal das tarefas.
As demais ações humanas duraram dois minutos, abaixo de 1% do período de operação, mostrando que a maior parte do trabalho foi concluída sem controle direto, embora a presença de profissionais continuasse indispensável para liberar situações específicas.
Quase 60% das interrupções foram provocadas pelo módulo de prevenção de colisões, que adotava margens rígidas perto dos limites do mapa e precisava receber confirmação humana antes de retomar o trajeto considerado seguro pelo sistema.
Na maioria desses episódios, bastava um trabalhador verificar se o corredor estava livre e apertar um botão, enquanto cerca de um terço das ocorrências exigiu alguém treinado para conduzir a empilhadeira e reposicioná-la corretamente.
Uma falha de localização demandou a atuação de um engenheiro familiarizado com o sistema, episódio que reforçou a divisão entre intervenções operacionais simples e problemas técnicos que ainda requerem conhecimento especializado sobre os componentes do protótipo.
Supervisão remota muda a função do operador
Feita por uma estação conectada à máquina por rede sem fio, a supervisão remota também utiliza uma interface móvel que exibe o estado da operação, permitindo que o profissional acompanhe o andamento das tarefas sem permanecer na cabine durante todo o percurso.
Componentes críticos, entre eles a parada de emergência, continuam sob controle de um equipamento industrial dedicado, enquanto computadores separados processam percepção, planejamento e comandos de movimento, evitando concentrar todas as funções essenciais em um único ponto da arquitetura.
Além dos testes de desempenho, o estudo registrou operação sob chuva fraca e moderada, bem como dificuldades encontradas durante o desenvolvimento, incluindo proteção dos sensores contra água, funcionamento em temperaturas abaixo de zero e controle de aquecimento dos componentes eletrônicos.
Problemas de visão em baixas temperaturas levaram à substituição de parte do sistema, enquanto uma versão anterior do gabinete eletrônico apresentou superaquecimento acima de 30 graus Celsius, exigindo proteção física, troca de componentes e melhorias na ventilação interna.
Nesse novo arranjo, a atividade humana se concentra na configuração das áreas, no acompanhamento do sistema, na verificação de segurança e na resposta a situações que a máquina não resolve sozinha, em vez de permanecer limitada à condução repetitiva.
Quando o transporte de materiais ocorre com frequência, o veículo assume deslocamentos programados e entrega os paletes nos pontos definidos, enquanto o profissional supervisiona a tarefa e intervém apenas quando uma condição fora do planejamento interrompe a operação prevista.
Você confiaria o transporte de materiais pesados por terrenos irregulares a uma empilhadeira autônoma supervisionada à distância, mesmo sabendo que a máquina já trabalha perto do desempenho de um profissional experiente, mas ainda depende de intervenções em situações específicas?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

