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Fim do mundo em 2026: físico revisa o cálculo que assustou gerações e descobre que carvão, petróleo e gás podem explicar por que a população disparou e agora se aproxima de um pico
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 25/08/2026 às 14:45
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A pesquisa publicada pela Physica A: Statistical Mechanics and its Applications, revista científica especializada em física estatística, troca a antiga singularidade por uma possível virada da população mundial em 2030 e relaciona esse movimento às emissões de CO₂ e aos combustíveis fósseis
A equação do fim do mundo que projetava uma população infinita em 2026 foi refeita com dados de 12 mil anos e produziu uma conclusão bem diferente. Em vez do desaparecimento da humanidade, o novo ajuste descreve a possível passagem de um ciclo de crescimento acelerado para uma fase de estabilização e redução.
Victor M. Yakovenko, professor de Física da Universidade de Maryland, reuniu registros da população mundial entre 10.000 a.C. e 2023. O trabalho, publicado em 2025, aplica métodos da física estatística a mudanças econômicas e sociais para testar se a velha previsão ainda acompanhava os dados reais.
O resultado projeta um possível pico de pouco mais de 8,2 bilhões de habitantes por volta de 2030, seguido de declínio. O mesmo ajuste coloca perto dessa data um pico das emissões anuais de CO₂, mas não transforma 2030 em prazo inevitável nem em nova data para o fim do mundo.
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Físico refez a equação do fim do mundo criada em 1960
Em 1960, Heinz von Foerster e outros dois pesquisadores ajustaram os dados populacionais disponíveis a uma curva que chegava ao infinito em 13 de novembro de 2026. O título provocativo do trabalho transformou a data em uma previsão popular sobre o fim do mundo, embora a fórmula tratasse do tamanho da população.
Uma curva hiperbólica acelera cada vez mais. Em termos simples, cada novo salto acontece em menos tempo do que o anterior. Se esse ritmo continuar no papel sem qualquer limite, a linha alcança um ponto infinito em uma data calculada, embora uma população infinita seja fisicamente impossível.
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Yakovenko voltou ao problema com uma série histórica muito mais longa. A análise começa em 10.000 a.C., atravessa o nascimento da agricultura, a Revolução Industrial e chega a 2023, quando os dados já mostravam um afastamento da rota de crescimento infinito.
Dados revelam quatro velocidades no crescimento da população mundial
Entre 10.000 e 3.000 a.C., a população apresentou crescimento aproximadamente exponencial e muito lento. Isso significa que o total aumentava em uma proporção parecida ao longo do tempo, sem os saltos rápidos registrados nos séculos posteriores.
Depois, a curva entrou em uma etapa superexponencial. O nome parece complicado, mas descreve um ritmo que não apenas cresce, como também acelera. A humanidade passou a adicionar novos habitantes em intervalos progressivamente menores.
Por volta de 1700, o avanço se tornou hiperbólico e ganhou uma velocidade muito maior. Esse momento coincide com o início da Revolução Industrial e com a expansão do uso de carvão, petróleo e gás.
Após 2000, a população deixou de acompanhar a linha que levaria à singularidade. Essa mudança sustenta a parte central do novo modelo: o ponto extremo não seria infinito, mas um pico seguido de redução.
Carvão, petróleo e gás mudaram a capacidade de sustentar populações maiores
Durante milhares de anos, a humanidade dependeu principalmente da energia presente na biomassa viva. Plantas captavam energia do Sol, animais consumiam essas plantas e a agricultura ampliava a quantidade de alimento disponível, mas dentro de limites naturais.
A Revolução Industrial abriu acesso à chamada biomassa morta, formada por materiais acumulados no subsolo durante milhões de anos. Carvão, petróleo e gás ofereceram uma reserva concentrada de energia para mover máquinas, transportar mercadorias, mecanizar a agricultura e ampliar a produção.
Physica A: Statistical Mechanics and its Applications, revista científica especializada em física estatística, apresenta essa relação como um processo de reforço mútuo. Os combustíveis fósseis favoreceram o crescimento populacional, enquanto mais pessoas ampliaram o conhecimento, a tecnologia e a capacidade de extrair energia.
Essa ligação ajuda a explicar por que a curva acelerou perto de 1700. O modelo não atribui o aumento da população a uma única máquina ou descoberta, mas associa a mudança de ritmo ao acesso em massa a uma reserva energética antes indisponível.
População e concentração de CO₂ avançaram juntas entre 1700 e 2000
O estudo comparou o tamanho da população com a concentração de dióxido de carbono na atmosfera. Entre 1700 e 2000, os dois conjuntos de dados mantiveram uma relação aproximadamente linear, ou seja, cresceram de forma muito próxima durante esse período.
O dado mais forte aparece na velocidade desse acúmulo. Metade de todo o aumento de CO₂ registrado entre 1700 e 2023 ocorreu depois de 1987, em apenas 36 anos. A primeira metade levou aproximadamente 287 anos para se formar.
Essa aceleração acompanha o uso intensivo de combustíveis fósseis após a Revolução Industrial. A relação matemática não significa que cada novo habitante produza sempre a mesma quantidade de carbono, mas revela como população, industrialização e queima de energia fóssil avançaram juntas por três séculos.
Modelo projeta pico populacional e das emissões anuais perto de 2030
O ajuste matemático de Yakovenko projeta o pico da população mundial em 2030, com 8,23 bilhões de habitantes. Depois desse ponto, a curva inicia uma redução, em vez de continuar rumo ao infinito imaginado pela fórmula de 1960.
Essa estimativa não representa consenso demográfico. A projeção central das Nações Unidas coloca o pico mundial apenas em meados da década de 2080. A diferença mostra que o resultado de 2030 pertence a um modelo específico e não determina uma data inevitável.
O mesmo cálculo projeta um pico das emissões anuais de CO₂ perto de 2030. Isso quer dizer que a quantidade liberada a cada ano poderia parar de crescer e começar a diminuir, caso a trajetória descrita pelo ajuste se confirme.
A concentração na atmosfera conta outra história. O dióxido de carbono já emitido permanece no ar durante muito tempo. Por isso, o CO₂ acumulado continuaria aumentando mesmo depois de um eventual pico anual das emissões.
A antiga data pode ter se aproximado de uma virada real pelo motivo errado
A antiga equação prolongou um ritmo acelerado até chegar a um resultado impossível. Os dados mais novos substituem a singularidade por uma possível mudança na trajetória da população mundial.
Se o modelo estiver próximo do que ocorrerá, o desafio passará do crescimento contínuo para a adaptação a uma humanidade que poderá parar de crescer. Isso afeta debates sobre aposentadorias, cidades, produção de alimentos e sistemas energéticos, ao mesmo tempo que a concentração de CO₂ seguirá pressionada pelo acúmulo do passado.
Você acredita que governos e empresas estão preparados para essa possível virada perto de 2030? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a publicação para ampliar o debate.
Fonte
Science Direct
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

