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Fim dos andaimes e ao risco nas alturas: drones autônomos Apellix começam a pintar fachadas de prédios inteiros sem expor trabalhadores, reduzem em até 80% o perigo de acidentes e prometem cortar pela metade o custo da mão de obra
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 05/08/2026 às 14:36
Construção
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A Apellix, criada por Robert Dahlstrom em Jacksonville, desenvolveu drones industriais para pintura, limpeza e inspeção em altura, com sistema semi-autônomo, operação a partir do solo e foco em reduzir riscos de quedas em fachadas, tanques, pontes e estruturas comerciais.
Robert “Bob” Dahlstrom, fundador da Apellix, transformou uma experiência pessoal com pintura em altura em uma empresa de robótica aérea industrial. A companhia informa que desenvolve, desde 2014, drones para limpeza, pintura, inspeção e manutenção de estruturas, com sistemas fabricados em Jacksonville, na Flórida.
A ideia nasceu de um problema concreto. Dahlstrom trabalhou como pintor durante a faculdade e, anos depois, ao subir em um andaime para pintar a própria casa, voltou a sentir na prática o risco da atividade. À revista Inside Unmanned Systems, ele relatou que percebeu ali que precisava existir uma forma melhor de executar esse tipo de serviço.
Robert Dahlstrom saiu da pintura manual para criar drones industriais
Antes de fundar a Apellix, Dahlstrom já tinha passado por dois mundos que se encontrariam no projeto: o trabalho físico de pintura em casas e a experiência profissional com software. Essa combinação ajudou a transformar um problema de obra em uma solução de robótica.
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O raciocínio era direto. Em vez de manter trabalhadores sobre escadas, andaimes, plataformas elevatórias ou cordas, a empresa buscou deslocar a parte mais arriscada do serviço para um equipamento controlado do chão.
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A Apellix define sua missão como o desenvolvimento de ferramentas robóticas capazes de retirar pessoas de tarefas “sujas, perigosas e difíceis”, especialmente em manutenção, limpeza, revestimento e inspeção de infraestrutura.
Como funciona o drone de pintura da Apellix
O modelo técnico da Apellix se apoia em uma solução importante: o drone não precisa carregar sozinho toda a tinta, energia ou fluido usado no trabalho. A ideia descrita por Dahlstrom foi manter parte do sistema no solo e enviar o material por um cabo ou mangueira até o equipamento em voo.
Segundo a Inside Unmanned Systems, o sistema inicial usava uma estação móvel em solo com reservatório de tinta, compressor e fonte de energia, enquanto o drone levava a haste de pulverização até a superfície. Essa arquitetura reduzia o peso no ar e ampliava a viabilidade da pintura em altura.
A empresa apresenta hoje drones semi-autônomos para pintura e revestimento capazes de trabalhar com tintas à base de água, solventes e revestimentos de dois componentes, com alcance informado de até 200 pés, cerca de 61 metros, e operação em ventos de até 20 mph, aproximadamente 32 km/h.
Drone de pintura corrige distância, ângulo e pulverização em fachadas
Pintar com drone não é apenas colocar uma lata de tinta em uma aeronave. A dificuldade está em manter distância correta da superfície, estabilidade, controle do jato e precisão suficiente para evitar falhas, excesso de tinta ou aplicação irregular.
A Inside Unmanned Systems registrou que o sistema da Apellix utiliza sensores para medir distância, temperatura, umidade e outros fatores que influenciam a pintura. Dahlstrom explicou à publicação que o objetivo é substituir parte da intuição do pintor por medição, software e controle técnico.
A Apellix informa que seu drone de pintura cobre cerca de 3.000 pés quadrados por hora, o equivalente aproximado a 279 metros quadrados por hora. Já os drones de limpeza da empresa podem chegar a 5.000 pés quadrados por hora, aproximadamente 465 metros quadrados por hora.
Quedas em altura explicam a força da tecnologia no setor de construção
A proposta da Apellix ganha peso porque queda de altura continua sendo uma das maiores ameaças na construção civil dos Estados Unidos. O Departamento do Trabalho dos EUA, por meio da OSHA, informou que, em 2014, quase 40% das mortes na construção estavam relacionadas a quedas.
A OSHA também afirma que as quedas seguem como a principal causa de morte na construção, com centenas de trabalhadores mortos e milhares feridos gravemente todos os anos. Esse dado ajuda a explicar por que empresas de robótica passaram a mirar atividades em fachadas, telhados, tanques, pontes e estruturas elevadas.
Nesse contexto, o drone de pintura não aparece apenas como uma ferramenta para ganhar velocidade. Ele entra como alternativa de segurança operacional, ao permitir que o trabalhador deixe de ficar exposto diretamente à altura durante parte do serviço.
De fachadas e galpões a tanques, pontes e estruturas industriais
A Apellix informa que seus sistemas são voltados para limpeza, pintura e testes não destrutivos em estruturas comerciais e industriais. A própria empresa cita aplicações em edifícios, superfícies elevadas, tanques, estruturas públicas e propriedades governamentais.
A linha de produtos também inclui drones para inspeção, com medições de espessura de revestimento e ultrassom em altura. Esse ponto amplia o alcance da tecnologia para além da pintura, entrando em manutenção preditiva e avaliação de integridade de ativos.
A empresa afirma operar em mais de 20 países e informa que seus sistemas são projetados, fabricados, vendidos e atendidos internamente em sua sede em Jacksonville. Essa presença global indica que a solução saiu da fase de experimento isolado e passou a disputar espaço em manutenção industrial.
Apellix também entrou em operações ligadas ao Exército dos Estados Unidos
Além de pintura e limpeza comercial, a Apellix passou a apresentar aplicações de defesa. A empresa afirma desenvolver drones autônomos para descontaminação CBRN, sigla usada para ameaças químicas, biológicas, radiológicas e nucleares.
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Segundo a própria Apellix, esses sistemas foram criados para reduzir a exposição de militares a ambientes contaminados, mantendo operadores afastados de áreas de risco. A companhia também informa que seus modelos seguem requisitos de conformidade da National Defense Authorization Act, usados em compras públicas e aplicações governamentais nos Estados Unidos.
Esse uso mostra como a mesma lógica da pintura em altura pode ser aplicada em cenários ainda mais críticos: remover pessoas de zonas perigosas e transferir a tarefa direta para máquinas controladas ou supervisionadas à distância.
O que muda para o trabalhador que antes subia no andaime
A tecnologia não elimina a necessidade de profissionais especializados. Ela muda a função. O pintor ou operador deixa de depender apenas da exposição física em altura e passa a trabalhar com controle remoto, parâmetros técnicos, avaliação da superfície e supervisão da aplicação.
A própria Inside Unmanned Systems destacou que, no estágio descrito pela reportagem, o sistema da Apellix não fazia 100% da pintura sozinho. A operação era semi-autônoma, com piloto humano no controle e software ajudando a manter o drone na distância ideal da superfície.
A mudança central está no risco. Em vez de posicionar uma pessoa sobre andaimes e plataformas por horas ou dias, a robótica aérea desloca parte do trabalho para o equipamento, mantendo a equipe no chão e reduzindo a exposição direta a quedas.
Automação em altura vira nova fronteira da manutenção predial
A história de Robert Dahlstrom mostra como uma experiência comum, pintar uma casa em altura, pode revelar um problema técnico de grande escala. Fachadas, galpões, tanques, pontes e estruturas industriais continuam exigindo manutenção constante, mas os métodos tradicionais ainda dependem de acesso elevado, tempo de montagem e risco humano.
Ao transformar drones em ferramentas de pintura, limpeza e inspeção, a Apellix entrou em um mercado que busca produtividade, segurança e redução de custos operacionais. A empresa não vende apenas uma aeronave, mas uma mudança no modo como serviços perigosos podem ser executados.
A aposta ainda depende de adoção comercial, treinamento, regulamentação e desempenho em campo. Mesmo assim, o avanço dos drones industriais mostra que operar uma máquina do chão pode se tornar parte cada vez mais comum da rotina de quem trabalha com pintura, limpeza e manutenção em altura.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

