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Fim dos pedreiros assentando tijolo por tijolo: robô ergue paredes com cerca de 3.000 tijolos por dia, aplica o cimento automaticamente, exige apenas um operador humano e transforma a alvenaria tradicional numa linha de montagem de alta velocidade

Fim dos pedreiros assentando tijolo por tijolo: robô ergue paredes com cerca de 3.000 tijolos por dia, aplica o cimento automaticamente, exige apenas um operador humano e transforma a alvenaria tradicional numa linha de montagem de alta velocidade

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Fim dos pedreiros assentando tijolo por tijolo: robô ergue paredes com cerca de 3.000 tijolos por dia, aplica o cimento automaticamente, exige apenas um operador humano e transforma a alvenaria tradicional numa linha de montagem de alta velocidade

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 03/08/2026 às 23:21

Atualizado em 03/08/2026 às 23:22

Construção

sam100/Divulgação

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Robô SAM100, criado pela Construction Robotics, aplica argamassa, posiciona tijolos com braço robótico e pode chegar a cerca de 3.000 unidades por dia em paredes longas e repetitivas, mudando a produtividade da alvenaria tradicional sem eliminar a presença do pedreiro no canteiro.

A alvenaria tradicional, uma das etapas mais manuais e repetitivas da construção civil, já tem um robô capaz de assumir parte do trabalho pesado no canteiro. O SAM100, sigla para Semi-Automated Mason, foi desenvolvido pela Construction Robotics para trabalhar com tijolos e argamassa ao lado de profissionais humanos.

O equipamento não é um robô humanoide caminhando pela obra. Trata-se de uma máquina semiautomatizada que usa braço robótico, sistema de alimentação de materiais, programação computacional e orientação a laser para aplicar argamassa e posicionar tijolos em paredes, especialmente em trechos longos, retos e repetitivos.

Robô SAM100 automatiza a etapa mais repetitiva da alvenaria tradicional

O SAM100 foi projetado para reduzir o esforço físico e acelerar uma das tarefas mais cansativas da construção: pegar tijolo, aplicar argamassa, posicionar a peça e repetir o processo centenas ou milhares de vezes ao longo do dia.

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sam100/Divulgação

Segundo a Universidade de Nevada, Reno, o robô usa um braço metálico para espalhar argamassa no tijolo e um sistema guiado a laser para assentar as fiadas na parede. Na obra do University Arts Building, em Nevada, o equipamento foi usado na instalação de dezenas de milhares de tijolos.

A máquina não elimina completamente o pedreiro. Ela desloca parte da função humana para atividades de operação, programação, abastecimento, alinhamento, limpeza das juntas e acabamento, enquanto o robô executa o movimento repetitivo de assentamento.

Máquina aplica argamassa e posiciona tijolos com braço robótico no canteiro

A operação do SAM100 combina automação e trabalho humano. O equipamento recebe tijolos por um sistema de alimentação, aplica argamassa na peça, leva o tijolo até a parede e faz o posicionamento conforme o desenho programado.

Na obra da Universidade de Nevada, o robô trabalhava em um edifício de US$ 35,5 milhões e ajudou na colocação de mais de 60 mil unidades de tijolos, dentro de um projeto que previa cerca de 100 mil tijolos no total.

A própria universidade informou que, naquele canteiro, humanos continuavam necessários para montar andaimes, configurar o robô, programar o desenho, carregar tijolos e argamassa, alinhar as fiadas, limpar juntas e finalizar áreas que exigiam acabamento manual.

Produtividade do SAM100 pode chegar a cerca de 3.000 tijolos por dia

O número mais chamativo do SAM100 está na produtividade. A Universidade de Nevada registrou que o equipamento podia assentar de 200 a 250 tijolos por hora naquele projeto, enquanto um pedreiro teria média de cerca de 250 tijolos por dia na comparação apresentada pela obra.

Em outra referência do setor, a For Construction Pros informou que a versão SAM100 OS 2.0 podia chegar a 350 tijolos por hora, o equivalente a cerca de 3.000 tijolos por dia, dependendo das condições da obra e da configuração operacional.

No projeto do Jay and Susie Gogue Performing Arts Center, da Auburn University, a construtora BL Harbert International também descreveu o SAM100 como o primeiro robô assentador de tijolos usado no estado do Alabama e informou capacidade superior a 3.000 tijolos por dia.

Paredes longas e retas são o terreno ideal para o robô pedreiro

O SAM100 não serve para qualquer tipo de alvenaria com o mesmo desempenho. A maior vantagem aparece em paredes longas, retas e com alto grau de repetição, onde o assentamento manual consome muitas horas em movimentos quase idênticos.

A Universidade de Nevada informou que o robô foi projetado para trabalhar em grandes paredes contínuas. A mesma publicação destaca que os primeiros metros de determinadas áreas, cantos, janelas e portas ainda precisam ser executados manualmente por pedreiros.

sam100/Divulgação

Esse detalhe é fundamental para entender a tecnologia. O SAM100 acelera a repetição e melhora o ritmo em fachadas extensas, edifícios institucionais, prédios comerciais e obras modulares, mas não transforma uma construção inteira em uma operação feita apenas por apertar um botão.

Pedreiro continua necessário, mas a função muda dentro da obra

A grande mudança não está no desaparecimento imediato do trabalhador, mas na transformação da função dentro do canteiro. O pedreiro deixa de atuar apenas como executor braçal do assentamento peça por peça e passa a assumir tarefas de controle, operação e qualidade.

A For Construction Pros informou que o SAM depende de um pedreiro para operá-lo, de um trabalhador para carregar tijolos e argamassa e de outro profissional para executar tarefas como fixação de amarrações, remoção de excesso de argamassa e assentamento em cantos ou áreas difíceis.

Essa lógica mostra por que o SAM100 é classificado como semiautomatizado. A máquina amplia a produtividade, mas continua integrada a uma equipe humana responsável por preparar, alimentar, monitorar e finalizar o serviço.

Robô de alvenaria leva lógica industrial para a construção civil

O SAM100 representa uma virada simbólica porque leva para a obra uma lógica mais próxima da indústria: repetição mecânica, padronização, controle digital, redução do esforço físico e produção assistida por máquina.

A construção civil, porém, é mais complexa do que uma linha de montagem fechada. Cada canteiro tem acesso, clima, terreno, projeto, equipe, interferências e condições próprias, o que limita a automação total em muitas etapas.

Por isso, robôs como o SAM100 tendem a entrar primeiro nas atividades mais previsíveis. A alvenaria de paredes retas e repetitivas é justamente uma dessas áreas, porque concentra volume, repetição e possibilidade de padronização.

Alvenaria semiautomatizada muda produtividade, prazo e organização do canteiro

Na obra da Universidade de Nevada, a adoção do SAM100 foi associada à aceleração da instalação da fachada de tijolos. A publicação da universidade informou que o processo de revestimento em tijolo foi acelerado em 50%, permitindo antecipar a coordenação com outros acabamentos e frentes de trabalho.

Esse impacto é importante porque produtividade na construção civil não envolve apenas velocidade de assentamento. Quando uma parede fica pronta mais cedo, outras equipes podem entrar antes, o cronograma muda e o canteiro ganha outra dinâmica.

SAM100 no canteiro de obras – divulgação

A automação também responde a um problema recorrente no setor: a falta de mão de obra qualificada em determinados mercados. Em Nevada, representantes da obra associaram o uso do robô à dificuldade de encontrar pedreiros suficientes para cumprir prazos apertados.

SAM100 não acaba com os pedreiros, mas mostra o novo rumo da construção

O SAM100 não significa o fim imediato dos pedreiros. A própria operação do equipamento depende de profissionais qualificados no entorno da máquina, principalmente para ajustes, abastecimento, áreas complexas e controle final da parede.

Mesmo assim, o avanço é relevante. Quando uma máquina aplica argamassa, posiciona tijolos, trabalha com orientação a laser e pode chegar a milhares de unidades por dia, a alvenaria deixa de ser apenas força física e passa a depender também de robótica, logística e programação.

O robô da Construction Robotics mostra que a construção civil começa a incorporar, em etapas específicas, a mesma lógica de automação que transformou fábricas. A parede tradicional ainda exige mão humana, mas já divide espaço com máquinas capazes de mudar profundamente o ritmo do canteiro.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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