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Fim dos pedreiros fazendo acabamento parede por parede: robôs já rebocam, lixam e pintam apartamentos, aumentam a produtividade em até 30% e começam a entrar em cerca de metade das novas obras públicas de Singapura
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 07/08/2026 às 17:36
Atualizado em 07/08/2026 às 17:37
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Robôs de acabamento já começam a assumir etapas tradicionalmente manuais em grandes projetos habitacionais, combinando sensores, automação e sistemas de navegação para executar tarefas repetitivas. A mudança envolve ganhos de produtividade, novas formas de organização do canteiro e uma transformação concreta no papel dos trabalhadores da construção.
Entre as etapas mais repetitivas da construção de apartamentos, o acabamento começa a passar por uma mudança concreta em Singapura, onde robôs capazes de aplicar camadas nas paredes, lixar superfícies e executar pintura interna passaram a integrar a estratégia do Housing and Development Board, o HDB.
Nesse processo de automação, a tecnologia já apresentou ganho de produtividade de até 30% em testes e começou a ser incorporada a cerca de metade dos novos canteiros do programa habitacional Build-To-Order, ampliando sua presença além de demonstrações pontuais.
O equipamento que chama atenção nesse cenário é classificado como Architectural Finishing Robot, ou robô de acabamento arquitetônico, e reúne diferentes funções enquanto utiliza sensores próprios para se deslocar pelo ambiente e executar serviços nas superfícies internas dos apartamentos.
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Em vez de exigir que um trabalhador percorra manualmente paredes e tetos realizando sucessivas etapas de preparação, a máquina concentra parte dessas atividades em um sistema automatizado, capaz de navegar pelo espaço e realizar operações que antes dependiam de movimentos repetidos ao longo de toda a unidade.
Robô de acabamento assume tarefas repetitivas nas paredes
Segundo a Channel NewsAsia, o sistema automatiza três atividades diretamente relacionadas ao acabamento: skimming, lixamento e pintura, reunindo em um único equipamento procedimentos que normalmente exigem deslocamento constante do profissional e repetição das mesmas ações em áreas extensas.
Conhecido como uma técnica de aplicação de uma camada fina de material sobre a superfície, o skimming é utilizado para regularizar e preparar paredes e tetos antes das etapas seguintes, permitindo que o acabamento posterior seja executado sobre uma base mais uniforme.
Na prática, parte do trabalho que tradicionalmente exige aplicação manual passa a ser realizada pelo robô, enquanto a movimentação constante pelo ambiente e a repetição do mesmo procedimento em grandes áreas deixam de depender exclusivamente da atuação física do trabalhador.
Para se deslocar no interior dos apartamentos, a máquina utiliza sensores instalados no próprio equipamento, que ajudam a identificar o percurso e direcionar o serviço aos pontos programados, permitindo que o acabamento seja executado de forma automatizada dentro da unidade habitacional.
Além de orientar a navegação, esse conjunto de recursos faz parte de uma operação que, segundo o HDB, também busca manter maior consistência no resultado das superfícies internas, especialmente em projetos nos quais o mesmo padrão precisa ser repetido em grande quantidade de unidades.
Produtividade aumenta em até 30% com automação
Durante a utilização do robô em um empreendimento residencial público localizado na região de Yishun, surgiu um dos dados mais relevantes da experiência, já que a produtividade da atividade aumentou em até 30% com a adoção do equipamento, conforme informações do HDB reproduzidas pela Channel NewsAsia.
Nesse indicador, o órgão considera produtividade como a quantidade de trabalho físico produzida por hora, relacionando diretamente o desempenho do equipamento ao aproveitamento de mão de obra e recursos disponíveis no canteiro durante as etapas de acabamento dos apartamentos.
Depois dos primeiros testes, a experiência deixou de permanecer restrita a uma demonstração isolada, porque a autoridade de habitação passou a ampliar progressivamente o uso de soluções robóticas após avaliar diferentes equipamentos em projetos habitacionais submetidos a condições reais de construção.
A partir dessa expansão, cerca de metade dos novos canteiros de empreendimentos Build-To-Order passou a ser incluída na estratégia de adoção de robótica, principalmente em atividades relacionadas à pintura e ao acabamento, que concentram tarefas repetitivas em grande quantidade.
Grandes conjuntos habitacionais ampliam a escala dos robôs
Por fazerem parte central do sistema de habitação pública de Singapura, os projetos BTO envolvem a construção de grandes conjuntos de apartamentos, característica que transforma a escala operacional em um dos aspectos mais importantes para avaliar os efeitos concretos da automação.
Enquanto um robô utilizado apenas em uma parede experimental representa essencialmente uma demonstração tecnológica, seu emprego repetido em empreendimentos residenciais cria outra dinâmica, pois a mesma máquina pode encontrar centenas de ambientes nos quais tarefas semelhantes precisam ser realizadas sucessivamente.
Justamente por concentrar repetição, o acabamento se torna um alvo relevante para a robótica, já que paredes internas exigem preparação, regularização, lixamento e pintura em sequências que se repetem de apartamento para apartamento durante praticamente toda a execução dessa etapa.
Em projetos compostos por grande quantidade de unidades, diferenças de produtividade registradas em cada superfície podem representar alterações relevantes no total de horas necessário para concluir o serviço, especialmente quando os mesmos procedimentos precisam ser reproduzidos continuamente em paredes e tetos semelhantes.
HDB amplia acesso das construtoras à tecnologia
Além de testar os equipamentos diretamente nos canteiros, a estratégia adotada em Singapura envolve facilitar o acesso das construtoras à tecnologia, reduzindo obstáculos que podem surgir na escolha, contratação e entrada em operação de sistemas robóticos ainda pouco comuns em determinadas empresas.
Conforme relatado pela Channel NewsAsia, o HDB anunciou uma parceria com fornecedores para disponibilizar soluções robóticas por meio de contratos destinados a tornar a adoção mais acessível às companhias que ainda não utilizam esse tipo de equipamento em seus projetos habitacionais.
A proposta procura reduzir parte da dificuldade envolvida na implementação dessas máquinas, enquanto o robô de acabamento passa a integrar um movimento mais amplo de automação dentro dos canteiros públicos, onde outras etapas também começam a receber equipamentos capazes de executar funções específicas.
Nesse conjunto de soluções, o HDB também trabalha com sistemas para nivelamento de pisos e máquinas destinadas à inspeção remota de apartamentos concluídos, dentro de uma estratégia cujo objetivo declarado é simplificar processos, otimizar recursos e reduzir a dependência de mão de obra em determinadas atividades.
Automação também chega ao transporte de componentes
Fora das etapas de acabamento, outros processos de construção acompanhados pela autoridade habitacional também passaram a incorporar automação, incluindo operações de movimentação de grandes componentes pré-fabricados que tradicionalmente exigem coordenação constante entre profissionais e operadores de equipamentos pesados.
Em um dos conjuntos residenciais, a Channel NewsAsia relatou o uso de inteligência artificial para auxiliar o içamento e o transporte de peças por guindastes de torre, reduzindo a quantidade de comandos manuais necessários durante parte da operação realizada no canteiro.
Também no posicionamento dos módulos, dispositivos integrados aos equipamentos ajudam a orientar componentes pré-fabricados antes de sua colocação no edifício, enquanto o acompanhamento de determinadas operações pode ser realizado digitalmente a partir do escritório instalado dentro do próprio canteiro.
Desse modo, a construção passa a combinar atividades físicas tradicionais com sensores, sistemas computacionais, controle remoto e equipamentos capazes de executar movimentos anteriormente realizados de maneira manual, inserindo diferentes níveis de automação em fases que vão além do acabamento interno.
Pintura, lixamento e acabamento entram na rotina automatizada
Apesar da presença de automação em outras etapas, a transformação fica especialmente visível no acabamento dos apartamentos, porque envolve tarefas reconhecidas por qualquer pessoa que já tenha acompanhado uma construção ou reforma, como aplicar material sobre paredes, lixar superfícies e executar pintura.
Quando essas três operações começam a ser reunidas em uma máquina móvel equipada com sensores, o canteiro se aproxima de um modelo de produção mais automatizado, no qual parte do trabalho repetitivo passa a ser executada por equipamentos programados para atividades específicas.
Ao mesmo tempo, a expansão modifica a organização das tarefas ao redor dessas máquinas, porque o ganho de produtividade informado pelo HDB é medido pela maior produção física por hora, enquanto a estratégia oficial procura reduzir a quantidade de mão de obra exigida em processos repetitivos.
Ainda fazem parte da rotina atividades como operação dos equipamentos, preparação do ambiente, abastecimento, supervisão, controle de qualidade e serviços que não se encaixam no processo automatizado, mas uma parcela do esforço manual passa diretamente para a máquina durante a execução do acabamento.
Robôs mudam a distribuição do trabalho no canteiro
Mais do que representar apenas uma troca de ferramenta, o avanço dos robôs de acabamento modifica a distribuição do trabalho, pois uma lixadeira elétrica convencional ainda precisa ser conduzida continuamente por um profissional durante toda a execução do serviço em paredes e tetos.
Já um sistema robótico capaz de navegar, aplicar acabamento, lixar e pintar transfere para a máquina parte da movimentação e da repetição, alterando a maneira como aquela etapa é dividida entre trabalhadores, equipamentos e demais processos necessários para manter o canteiro funcionando.
O modelo adotado em Singapura chama atenção justamente porque ultrapassa a fase de experimentação e alcança uma parcela ampla dos novos projetos públicos, depois que a autoridade habitacional testou diferentes robôs nos canteiros e utilizou resultados de produtividade para orientar sua adoção.
Dentro de uma indústria historicamente dependente de atividades manuais realizadas ambiente por ambiente, a entrada dessas máquinas coloca tarefas tradicionais de pedreiros e profissionais de acabamento em um processo cada vez mais automatizado, especialmente quando os mesmos serviços precisam ser repetidos em grande escala.
Com equipamentos capazes de preparar, lixar e pintar superfícies já trabalhando em grandes conjuntos residenciais, enquanto a produtividade medida pelo HDB aumenta em até 30%, qual será a próxima tarefa tradicional dos pedreiros a passar das mãos humanas para as máquinas?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

