Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Formada em duas faculdades, ela largou a carreira aos 23 anos e no Enem tirou nota que a aprovaria em 86 das 88 faculdades públicas de Medicina que ofereceram vaga no Sisu; Maria Clara acertou 165 das 180 questões, fez 960 na redação e entrou na UFRJ

Formada em duas faculdades, ela largou a carreira aos 23 anos e no Enem tirou nota que a aprovaria em 86 das 88 faculdades públicas de Medicina que ofereceram vaga no Sisu; Maria Clara acertou 165 das 180 questões, fez 960 na redação e entrou na UFRJ

5 min de leitura

Formada em duas faculdades, ela largou a carreira aos 23 anos e no Enem tirou nota que a aprovaria em 86 das 88 faculdades públicas de Medicina que ofereceram vaga no Sisu; Maria Clara acertou 165 das 180 questões, fez 960 na redação e entrou na UFRJ

Escrito por Bruno Teles

Publicado em 06/08/2026 às 20:48

Atualizado em 06/08/2026 às 20:52

Curiosidades

Canal

Com dois diplomas, ela largou tudo aos 23 anos e tirou no Enem nota para 86 das 88 faculdades públicas de Medicina do Sisu

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Maria Clara Lopes Rolim já tinha diploma de Relações Internacionais pela UFRJ e de Artes Cênicas pela CAL quando decidiu recomeçar. Foram três anos de cursinho até o Enem 2024. Ela escolheu voltar para a mesma universidade onde já havia se formado e entrou em 14º lugar.

Ela já tinha dois diplomas e mesmo assim voltou a estudar o conteúdo do ensino médio. Maria Clara Lopes Rolim, de 27 anos, era formada em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e em Artes Cênicas pela Casa das Artes de Laranjeiras quando decidiu, aos 23 anos, mudar completamente de rumo e tentar Medicina.

O resultado veio três anos depois. No Enem 2024, ela acertou 165 das 180 questões e obteve 960 pontos na redação, nota suficiente para ingressar em 86 das 88 faculdades públicas de medicina que ofereceram vagas em ampla concorrência pelo Sistema de Seleção Unificada de 2025, conforme reportagem de Mirella Cordeiro publicada pela CNN Brasil em fevereiro de 2025.

O trabalho de conclusão que mudou tudo

Com dois diplomas, ela largou tudo aos 23 anos e tirou no Enem nota para 86 das 88 faculdades públicas de Medicina do Sisu

A virada não veio de uma vontade antiga nem de vocação declarada na infância. Veio de um trabalho acadêmico feito durante a pandemia de covid.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

O tema do trabalho de conclusão de curso dela em Relações Internacionais era governança da saúde global. Foi ao se aprofundar naquele assunto, somado ao impacto do período sanitário, que ela concluiu que precisava mudar. Nas palavras dela, mesmo com dois diplomas na mão, se viu na necessidade de trocar de carreira.

O que ela sentia antes da decisão

O relato dela sobre aquele momento é bastante específico e não fala em frustração profissional convencional. Ela diz que se viu em uma situação em que não se sentia útil para a sociedade.

O incômodo era com a distância entre o esforço acumulado e o uso desse esforço. Segundo ela, por ter estudado tanto ao longo da vida e desenvolvido o lado intelectual e acadêmico, sentia que não estava aproveitando isso com toda a potência possível. Buscava um propósito, e por isso escolheu uma área em que pudesse fazer o bem, ajudar pessoas, curar, tratar e melhorar a qualidade de vida.

Os três anos de preparação

Com dois diplomas, ela largou tudo aos 23 anos e tirou no Enem nota para 86 das 88 faculdades públicas de Medicina do Sisu

O caminho começou em 2022, quando ela entrou em um curso preparatório voltado especificamente para o vestibular de medicina. A primeira função foi básica: revisar o conteúdo do ensino médio, que ela havia deixado para trás anos antes.

Ela avaliou depois que só isso não seria suficiente e buscou uma mentoria particular, no segundo ano de cursinho. Foi essa etapa que mudou o método de estudo, a organização da rotina e a definição de prioridades no dia a dia. A rotina incluiu simulados, redações e o refazimento das provas do Enem dos dez anos anteriores.

A vantagem de já ter passado por uma faculdade

Existe um ponto que ela credita diretamente à experiência anterior e que costuma ser subestimado por quem tenta o vestibular depois de adulto.

Segundo ela, o fato de já ter cursado faculdade permitiu entender melhor como lidar com demandas, trabalhos e provas mais complexas. Quando precisou estudar todo o conteúdo do ensino médio e se virar sozinha na rotina diária de estudo independente, já sabia como se portar. Não era só conteúdo, era método de trabalho intelectual, e isso ela já tinha.

O que o teatro tem a ver com vestibular

A outra formação também apareceu no resultado, de um jeito menos óbvio. Ela atribui à graduação em Artes Cênicas parte da desenvoltura em sala de aula.

Segundo o relato dela, não tinha medo de perguntar, de interagir nem de descontrair o ambiente com brincadeiras. A avaliação que ela faz é de que tornar o período de estudo mais leve fez diferença no desempenho, e resume dizendo que nem só de livros vive um vestibulando.

O que os números realmente significam

Com dois diplomas, ela largou tudo aos 23 anos e tirou no Enem nota para 86 das 88 faculdades públicas de Medicina do Sisu

Aqui vale entender a base de comparação. A nota dela não a aprovaria em todas as faculdades públicas de medicina do Brasil, porque nem todas usam o Sistema de Seleção Unificada.

Os 88 cursos citados correspondem às faculdades públicas de medicina que ofereceram vagas em ampla concorrência pelo Sisu de 2025. Foi dentro desse universo que a nota dela alcançou 86. A média final ficou em 817,38 pontos, e na UFRJ, considerando os pesos aplicados pela universidade, subiu para 841,76.

Por que ela escolheu voltar para a UFRJ

Com 86 opções disponíveis, a escolha poderia ter sido por qualquer critério. Ela optou pela universidade onde já havia cursado a primeira graduação.

A explicação é afetiva e ela não esconde isso. Disse ter amado a universidade, as pessoas e os professores, e que acabou se apegando à instituição, o que fez dela sempre a primeira opção. Foi aprovada em 14º lugar entre as 100 vagas oferecidas para o curso.

O que ela abriu mão no caminho

O relato sobre o resultado final vem acompanhado de uma lista de renúncias. Ela descreve o momento de ver o próprio nome na lista como surreal, a concretização de anos de estudo.

E enumera o que ficou de fora nesse período: sair com amigos, viver relacionamentos, viajar e outras coisas. A conclusão dela, porém, é de que cada momento de ansiedade valeu a pena. Ela também credita o resultado ao apoio dos pais, Ana Lúcia e Rubens, e dos mentores que a acompanharam na preparação.

O que essa história mostra sobre recomeço

Convém registrar o que o caso demonstra e o que ele não demonstra. Ele mostra que mudar de carreira depois dos vinte é viável e que formação anterior não é tempo perdido, porque método de estudo e maturidade acadêmica se transferem entre áreas.

O que ele não mostra é que basta querer. Foram três anos de dedicação integral, com cursinho particular voltado a medicina e mentoria paga, arranjo que exige tempo sem renda e capacidade financeira da família para sustentar isso. Retire qualquer uma dessas condições e a mesma dedicação teria dado em outro lugar, o que não diminui em nada o desempenho dela na prova. Todas as informações aqui correspondem ao início de 2025, quando o resultado foi divulgado.

E você, teria coragem de recomeçar do zero depois de já ter um diploma na mão? Conta aqui nos comentários se conhece alguém que mudou de carreira depois dos vinte, e diga o que pesou mais na decisão dessa pessoa.

Tags

aluna


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

Sair da versão mobile