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Formando cumpre promessa e entra na colação de grau de beca carregando a canga de bambu com os bolinhos fritos que pagaram a faculdade, distribui tofu, tempê e bolinho de legume a seguranças e guardadores de carro e se forma em Economia

Formando cumpre promessa e entra na colação de grau de beca carregando a canga de bambu com os bolinhos fritos que pagaram a faculdade, distribui tofu, tempê e bolinho de legume a seguranças e guardadores de carro e se forma em Economia

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Formando cumpre promessa e entra na colação de grau de beca carregando a canga de bambu com os bolinhos fritos que pagaram a faculdade, distribui tofu, tempê e bolinho de legume a seguranças e guardadores de carro e se forma em Economia

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 08/08/2026 às 21:30

Atualizado em 08/08/2026 às 21:31

Curiosidades

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Ele prometeu que, se formasse, entraria de beca com a canga de bambu no ombro. Cumpriu, distribuiu bolinho frito no campus e virou bacharel em Economia.

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Asnawi parou de estudar depois do ensino fundamental para acompanhar os pais e vender fritura de vila em vila. Voltou à escola três anos depois, entrou na universidade e fez uma promessa a si mesmo. No dia da formatura, cumpriu.

Ao subir para a cerimônia de colação de grau na Universidade Muhammadiyah de Yogyakarta, na Indonésia, o estudante Asnawi vestiu a beca e levou junto a canga de bambu apoiada no ombro, com os mesmos bolinhos fritos que pagaram a faculdade dele, segundo reportagem publicada pelo portal detikNews em 14 de fevereiro de 2017, assinada por Bagus Kurniawan. Ele se formou bacharel em Economia com média 3,39.

A cena aconteceu no sábado, 11 de fevereiro de 2017, durante a segunda cerimônia de formatura da universidade, realizada no Centro Esportivo da UMY. Em vez de vender, ele distribuiu tofu, tempê e bakwan, o bolinho de legume frito, a quem estava por perto: colegas, pais de formandos, seguranças e guardadores de carro. Era o cumprimento de uma promessa feita anos antes.

A promessa que ele fez a si mesmo

Asnawi, estudante da Universidade Muhammadiyah de Yogyakarta (Foto: Documento do Bureau de Relações Públicas e Protocolo da UMY)

Muito antes de terminar o curso, Asnawi definiu como seria aquele dia. Ele contou aos repórteres que havia prometido que, se conseguisse se formar, entraria de beca no campus levando a mercadoria junto.

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O motivo declarado não era comercial nem decorativo. Ele queria mostrar que até vendedor de comida frita consegue concluir o ensino superior. A frase resume tanto a intenção da cena quanto o recado que ele queria deixar para quem duvidou. Ele também deixou claro que foi com aquele trabalho que pagou os estudos e as despesas de moradia, sem que ninguém bancasse a conta por ele.

O apelido pelo qual é conhecido é Awi. Ele é natural de Bangka, ilha na costa leste da Sumatra, e estudou em Yogyakarta, na ilha de Java, a mais de mil quilômetros de casa.

Comida frita distribuída de graça no dia da colação

Asnawi, estudante da Universidade Muhammadiyah de Yogyakarta (Foto: Documento do Bureau de Relações Públicas e Protocolo da UMY)

O detalhe que diferencia essa história de uma ação de marketing é o que aconteceu com a mercadoria. Naquele dia, os produtos não foram vendidos como de costume. Foram distribuídos gratuitamente para as pessoas ao redor.

A lista de quem recebeu diz muito sobre a intenção. Estudantes, pais e responsáveis presentes na cerimônia, seguranças do campus e guardadores de carro. Os profissionais que trabalham na base da hierarquia de uma universidade receberam a mesma fritura que sustentou financeiramente um dos formandos daquela turma. Não houve cobrança, não houve caixa, não houve estande.

Na rotina normal, Awi vendia perto da pensão onde morava, não muito longe do campus. A canga de bambu que ele carregou no ombro naquele sábado era exatamente a mesma ferramenta de trabalho de todos os outros dias, só que dessa vez acompanhada de uma toga.

A escola que parou em 2006

O ponto de partida dessa trajetória é bem anterior à faculdade. Awi começou a vender comida frita em 2006, logo depois de concluir o ensino fundamental. Naquele momento, precisou abandonar o plano de seguir para o ensino médio.

A razão foi de sobrevivência familiar. Ele teve que acompanhar os pais, que se mudaram de casa para continuar vendendo fritura, e a escola ficou para trás. Foram quatro anos vendendo comida frita e trocando de endereço, cada vez mais longe da aldeia de origem. Ele resume esse período de forma seca: a escola parou e ele não pôde continuar.

Esse é o tipo de interrupção que costuma ser definitivo. Um adolescente fora da sala de aula por quatro anos, acompanhando mudanças sucessivas e trabalhando o dia inteiro, raramente volta.

O retorno em 2009 e o intercâmbio que abriu a porta

Awi voltou. Em 2009, conseguiu retomar os estudos no ensino médio, com atraso considerável em relação à idade regular. Segundo o relato dele, isso não o desanimou. Ele seguiu adiante e concluiu a etapa.

Um episódio específico redirecionou o futuro dele. Em 2010, quando estava no 11º ano, a escola o convidou para participar de um programa de intercâmbio estudantil em Yogyakarta, e ele foi alocado na SMKN 7 Yogyakarta, uma escola técnica da cidade. Foi essa temporada fora que plantou a ideia de continuar os estudos em Yogyakarta, cidade conhecida na Indonésia justamente pela concentração de universidades.

O caminho até a graduação, portanto, não foi linear nem previsível. Passou por uma interrupção de quatro anos, um retorno tardio, um programa de intercâmbio e uma mudança de ilha.

A rotina que começava às quatro da manhã

Conciliar vendas e faculdade exigiu uma agenda rígida, e Awi descreveu a própria rotina com precisão de cronômetro. O despertador tocava às 4h. Em seguida, ele ia à oração matinal.

Depois disso, começava a preparação da mercadoria. Ia ao mercado comprar os ingredientes e misturava os temperos, e precisava fechar essa etapa até as 6h45 para conseguir chegar à aula com tudo pronto. Antes de a maioria dos colegas acordar, ele já tinha ido ao mercado, temperado a massa e deixado a produção do dia encaminhada.

À tarde, o ciclo recomeçava. A partir das 12h30, ele preparava a massa e saía para vender pela vila, seguindo pelos arredores do campus até as 18h. À noite, quando havia, assistia às aulas noturnas. Domingo era o único dia reservado para descansar. Ele afirma que a venda não atrapalhava os estudos e que conseguia fazer as tarefas enquanto trabalhava, mas deixa claro que a ordem de prioridade era outra: se precisasse parar de vender para dar conta, parava.

Rp 300 mil por dia e o fim da dependência

O negócio não deu certo de imediato. Awi admite que, no início, houve momentos em que se sentiu sem forças e chegou a desistir porque a mercadoria não vendia. Antes de trabalhar com fritura, ele havia tentado vender pempek, um bolinho de peixe típico do sul da Sumatra, e macarrão com frango.

A virada veio com a mudança de produto. Depois de passar a vender comida frita, os lucros diários ficaram consideravelmente melhores, com média de 300 mil rupias por dia. O negócio cresceu aos poucos até o ponto em que ele passou a pagar o próprio sustento e os próprios estudos, sem precisar pedir dinheiro aos pais.

Esse é o dado que dá sentido à cena da formatura. A canga de bambu no ombro não era símbolo de origem humilde a ser superada. Era o instrumento que financiou o diploma, e ele fez questão de que ela aparecesse no palco.

“Sua única habilidade é fazer comida frita”

Nem todo mundo apostou nele. Awi contou que, quando decidiu continuar os estudos em nível superior, alguns vizinhos o menosprezaram, o insultaram e chegaram a xingá-lo.

Uma frase específica ficou registrada na memória dele. Um vizinho disse que a única habilidade que ele tinha era fazer comida frita e que não havia chance de ele terminar o ensino superior. Ele terminou, e voltou ao campus carregando exatamente a habilidade que usaram para diminuí-lo.

O gesto da colação de grau ganha outra leitura quando se conhece esse contexto. Não foi apenas homenagem à própria trajetória, foi resposta pública a um julgamento que ele ouviu de perto.

Uma família inteira que vive de vender

Awi é o segundo de três filhos, e o comércio informal não é exclusividade dele dentro de casa. As duas irmãs também vendem para se sustentar.

A mais velha mantém um negócio de costura. A mais nova vende roupas e camisetas. Três irmãos, três atividades de venda, e apenas um caminho encontrado para conciliar isso com o ensino superior. A configuração familiar ajuda a entender por que a saída da escola em 2006 pareceu natural naquele momento: era o que a família fazia, e era o que garantia o sustento.

O retorno dos pais ao relato aparece no plano de futuro dele, e não como cobrança. Ele diz que quer voltar à cidade natal, procurar emprego e vender comida frita junto com eles.

O que ele quer fazer depois do diploma

Os planos declarados por Awi na entrevista não param no bacharelado. Ele afirmou que pretende continuar os estudos até o nível de mestrado e que quer conseguir uma bolsa para cursar a pós-graduação no exterior.

Ao mesmo tempo, mantém o pé no chão sobre o curto prazo. Quer voltar para casa, procurar trabalho e continuar vendendo fritura com os pais. Sobre a carreira, disse ter mais interesse em empreender do que em outros caminhos, e acrescentou, rindo, que o sonho de infância era ser presidente. O bacharel em Economia que financiou a própria graduação vendendo bolinho na rua já sabe o que é tocar um negócio do zero.

O que fica da cena de fevereiro de 2017 é a inversão que ela propõe. Numa cerimônia feita para exibir diploma, ele escolheu exibir a ferramenta que o comprou.

E você, acha que histórias assim provam que dá para vencer com esforço próprio, ou mostram o tamanho do sacrifício que o sistema exige de quem não tem dinheiro? Conta nos comentários o que você trabalhou para conseguir estudar.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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