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Formando sobe ao palco da graduação segurando uma camiseta com a imagem da mãe, que morreu poucas semanas antes da cerimônia e trabalhou como doméstica e vendedora ambulante para colocar comida em casa e bancar seus estudos, transformando o diploma em uma homenagem pública à mulher que tornou sua formação possível
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 07/08/2026 às 13:45
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Thembisani Mntungwa recebeu o diploma em Criminologia e Estudos Forenses na África do Sul segurando uma camiseta com a imagem da mãe, Nondumiso, que trabalhou como doméstica e vendedora ambulante para sustentar quatro filhos e morreu poucas semanas antes da formatura.
Quando Thembisani Mntungwa caminhou pelo palco da University of KwaZulu-Natal, na África do Sul, em 6 de maio de 2026, sua mãe não estava entre os familiares que assistiam à cerimônia. Nondumiso Mntungwa havia morrido em março, menos de dois meses antes de o filho receber o diploma em Criminologia e Estudos Forenses. Thembisani encontrou uma maneira de levá-la simbolicamente à formatura. Diante do público, ergueu uma camiseta com a imagem da mãe e transformou o momento reservado à própria conquista acadêmica em uma homenagem à mulher que passou anos trabalhando para garantir comida, dinheiro para a escola e condições para que os filhos continuassem estudando.
Thembisani Mntungwa levou a imagem da mãe para o palco
A homenagem ocorreu durante a cerimônia em que Thembisani recebeu o Bachelor of Social Science in Criminology and Forensic Studies da University of KwaZulu-Natal, conhecida pela sigla UKZN. Fotografias divulgadas pela própria instituição registraram o formando segurando a camiseta com a imagem da mãe.
O objeto não havia sido escolhido apenas para recordar Nondumiso. Thembisani explicou à universidade que queria deixar claro publicamente que a conquista acadêmica também pertencia à mãe, que acompanhara sua trajetória e esperava celebrar o diploma ao lado dele.
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A reação do estudante tornou o momento ainda mais marcante. Imagens registradas na cerimônia mostram Thembisani emocionado enquanto segurava a homenagem, poucos meses depois de perder a pessoa que descreveu como sua maior apoiadora durante os estudos.
Mãe trabalhou como doméstica e vendedora ambulante
Nondumiso sustentou parte importante da rotina familiar exercendo trabalhos de baixa remuneração. Segundo o relato do filho publicado pela UKZN, ela trabalhou como empregada doméstica e, em diferentes períodos, também precisou vender produtos nas ruas.
A renda obtida nesses trabalhos era usada para manter comida dentro de casa e garantir que os filhos tivessem dinheiro para as refeições durante os dias de escola. Thembisani cresceu com três irmãos mais novos, fazendo com que Nondumiso ajudasse a sustentar quatro filhos.
Para o formando, esses esforços representavam uma demonstração concreta do apoio recebido. A homenagem no palco colocou diante do público justamente uma parte da história familiar que não aparecia no diploma: os anos de trabalho que permitiram que ele continuasse avançando na educação.
Quatro filhos dependiam do esforço realizado dentro e fora de casa
Thembisani contou que sua mãe fazia grandes sacrifícios para que ele e os três irmãos mais novos tivessem suas necessidades básicas atendidas. A prioridade era manter a família alimentada e evitar que as dificuldades econômicas interrompessem a educação dos filhos.
O trabalho doméstico remunerado significava cuidar de casas de outras famílias para obter renda. Quando necessário, Nondumiso complementava esse esforço atuando como vendedora ambulante, ampliando as formas de sustentar a própria residência.
Décadas de trabalho familiar não foram transformadas em números pela universidade, mas o impacto aparece no relato do próprio filho.
Para Thembisani, conseguir chegar ao ensino superior estava diretamente relacionado ao esforço cotidiano mantido pela mãe enquanto ele e os irmãos cresciam.
Mãe acompanhava as notas durante toda a graduação
Mesmo sem estar dentro da universidade, Nondumiso acompanhava de perto o desempenho acadêmico do filho. Thembisani contou que ela ligava regularmente para perguntar como estavam os estudos e quais notas ele havia conseguido.
Essas conversas ganharam importância principalmente nos momentos em que o estudante considerava desistir. Ele recordava que havia alguém em casa acompanhando seu progresso e demonstrando orgulho pela possibilidade de vê-lo se tornar o primeiro profissional daquela nova etapa familiar.
Por isso, a formatura havia sido planejada emocionalmente pelos dois. Mãe e filho chegaram a conversar sobre como comemorariam a conclusão do curso, tornando a morte de Nondumiso poucas semanas antes da cerimônia ainda mais significativa para Thembisani.
Nondumiso morreu em março, pouco antes da formatura
A morte ocorreu em março de 2026. A cerimônia de Thembisani aconteceu em 6 de maio, o que significa que o estudante recebeu o diploma menos de dois meses depois de perder a mãe que esperava acompanhar aquele momento.
A UKZN informou que o jovem ainda lidava com a ausência quando participou da cerimônia. Em vez de deixar a fotografia em casa, decidiu colocá-la em uma camiseta e carregá-la até o palco no momento em que sua graduação se tornaria oficial.
A homenagem permitiu que Nondumiso aparecesse simbolicamente justamente no evento que havia ajudado a tornar possível. O diploma trazia o nome do filho, mas a camiseta tornou visível a história de trabalho familiar que existia por trás daquela conquista.
Pai e avó materna acompanharam a cerimônia na África do Sul
Embora Nondumiso não pudesse estar presente, Thembisani não atravessou a cerimônia sem familiares na plateia. Seu pai e sua avó materna acompanharam a formatura e estavam entre as pessoas que comemoraram a conclusão da graduação.
O estudante cresceu em Malukazi, comunidade localizada na região de Durban, na província de KwaZulu-Natal. Quando sua história foi publicada em maio de 2026, ele estava vivendo em Umbilo, também na região metropolitana de Durban.
A graduação ocorreu durante a temporada de formaturas de outono da UKZN. A universidade informou que 9.586 estudantes receberiam diplomas e certificados entre 4 e 15 de maio de 2026, sendo 6.578 graduandos e 3.008 pós-graduandos.
Diploma em Criminologia não encerrou os estudos de Thembisani
Depois de concluir o Bachelor of Social Science in Criminology and Forensic Studies, Thembisani decidiu permanecer na universidade. Ele ingressou em um curso de honours na mesma instituição, etapa acadêmica posterior à graduação no sistema sul-africano.
A continuidade dos estudos foi apresentada pelo jovem como mais uma maneira de preservar o esforço realizado pela mãe. Em vez de considerar o diploma de maio como ponto final, ele decidiu avançar na formação em Criminologia e Estudos Forenses.
A nova etapa, porém, trouxe novamente uma dificuldade conhecida pela família: dinheiro. A própria universidade informou que Thembisani passou a procurar apoio financeiro para conseguir cobrir tanto as mensalidades acadêmicas quanto suas despesas de moradia.
Formatura transformou trabalho da mãe em reconhecimento público
A história ganhou repercussão porque o gesto no palco conectou diretamente a graduação ao trabalho normalmente invisível realizado durante anos fora da universidade. Nondumiso não era professora nem acadêmica: sustentava a família trabalhando como doméstica e recorrendo às vendas ambulantes quando necessário.
Foi esse esforço que Thembisani decidiu colocar no centro da própria cerimônia. A camiseta transformou uma fotografia familiar em símbolo dos alimentos comprados, do dinheiro levado para a escola e das ligações em que a mãe perguntava pelas notas do filho.
Quando recebeu o diploma de Criminologia e Estudos Forenses, Thembisani já havia perdido a pessoa com quem planejava comemorar. Ao erguer sua imagem diante da universidade, fez da formatura não apenas a conclusão de um curso, mas um reconhecimento público à mulher cujo trabalho ajudou a tornar aquela graduação possível.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

