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França levou apenas 9 meses para construir um caminhão de 15 metros e 50 toneladas, instalou pneus de 2,38 metros e motor V12 de 700 cv e enviou o gigante ao Saara, onde ele transportou sozinho uma plataforma de petróleo por 130 km em 2 dias e substituiu o trabalho de 5 caminhões

França levou apenas 9 meses para construir um caminhão de 15 metros e 50 toneladas, instalou pneus de 2,38 metros e motor V12 de 700 cv e enviou o gigante ao Saara, onde ele transportou sozinho uma plataforma de petróleo por 130 km em 2 dias e substituiu o trabalho de 5 caminhões

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França levou apenas 9 meses para construir um caminhão de 15 metros e 50 toneladas, instalou pneus de 2,38 metros e motor V12 de 700 cv e enviou o gigante ao Saara, onde ele transportou sozinho uma plataforma de petróleo por 130 km em 2 dias e substituiu o trabalho de 5 caminhões

Escrito por Carla Teles

Publicado em 05/08/2026 às 15:21

Atualizado em 05/08/2026 às 15:22

Automotivo, Construção

Caminhão Berliet T 100 com motor V12 e pneus gigantes enfrentou o Saara e transformou a exploração de petróleo ao substituir cinco veículos. Imagem: Berliet

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Projetado pela Berliet para enfrentar areia, calor e cargas indivisíveis, o caminhão T 100 nº 2 percorreu 130 quilômetros entre El Oued e o sul de Hassi-Messaoud, na Argélia, em janeiro de 1959, concluindo em dois dias uma operação que exigiria cinco veículos convencionais e quatro dias para ser concluída.

O caminhão Berliet T 100 nasceu de um problema que os veículos convencionais da década de 1950 não conseguiam resolver com eficiência: transportar equipamentos enormes e indivisíveis pelas extensas áreas desérticas ligadas à exploração de petróleo no Saara. Com 15 metros de comprimento, cinco metros de largura, cinco metros de altura e 50 toneladas, a máquina francesa foi concebida para atravessar terrenos difíceis carregando estruturas que normalmente precisariam ser divididas entre diferentes veículos.

As informações constam na edição nº 191 de La Lettre de la Fondation Berliet, publicada em março de 2019 pela Fundação Berliet. O documento recupera a história técnica dos quatro exemplares do T 100 e destaca a operação realizada pelo modelo nº 2 em janeiro de 1959, quando o veículo transportou uma plataforma de perfuração por 130 quilômetros, entre El Oued e uma área ao sul de Hassi-Messaoud, na Argélia.

Ideia surgiu durante um voo sobre o Saara

A decisão de desenvolver o veículo começou em dezembro de 1956, durante um voo sobre a região ocidental do Saara. Diante das dificuldades enfrentadas pela indústria petrolífera para movimentar equipamentos pesados, surgiu a proposta de fabricar uma espécie de “navio do deserto”, alto, largo e suficientemente resistente para levar grandes cargas até áreas de exploração afastadas das estradas convencionais.

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O projeto deveria combinar os maiores pneus disponíveis naquele período com um dos motores mais potentes encontrados no mercado. O objetivo não era apenas aumentar o tamanho do veículo, mas criar uma plataforma capaz de atravessar areia, superar irregularidades e distribuir seu peso sem afundar no terreno, mantendo capacidade suficiente para transportar equipamentos petrolíferos de grande porte.

Caminhão ficou pronto em apenas nove meses

Imagem: Berliet

O primeiro Berliet T 100 foi desenvolvido sob a direção de André Billiez, responsável pelo setor de estudos de veículos especiais da empresa. A fabricação ocorreu entre fevereiro e outubro de 1957, na unidade da Berliet localizada em Lyon-Monplaisir, na França. Dessa maneira, a equipe conseguiu transformar os primeiros estudos em um caminhão operacional no intervalo de apenas nove meses.

Depois de pronto, o veículo foi apresentado ao público durante o 44º Salão do Automóvel de Paris, realizado entre 3 e 13 de outubro de 1957. Suas dimensões eram tão grandes que o caminhão não conseguia entrar nos pavilhões existentes, obrigando a organização a instalar uma estrutura temporária para recebê-lo. Antes mesmo da internet, o T 100 tornou-se um fenômeno de exposição e foi retratado em 791 artigos publicados por 591 jornais.

Estrutura de 15 metros escondia soluções incomuns

O modelo foi configurado como um veículo 6×6, com tração distribuída entre os três eixos. Além dos 15 metros de comprimento e das 50 toneladas, o T 100 possuía pneus Michelin com 2,38 metros de diâmetro. A pressão exercida sobre o solo foi calculada para chegar a aproximadamente um quilo por centímetro quadrado, índice comparado pela Fundação Berliet à pressão produzida pelas patas de camelos.

Essa distribuição era fundamental para impedir que as rodas rompessem ou afundassem excessivamente na superfície arenosa. Cada roda também recebeu um sistema hidráulico de frenagem produzido pela Messier, baseado em tecnologia semelhante à aplicada em trens de pouso de aeronaves. Em vez de adaptar um caminhão comum, os engenheiros reuniram soluções da indústria rodoviária, aeronáutica e mecânica pesada em uma máquina construída especificamente para o deserto.

Motor V12 entregava 700 cv

A movimentação do conjunto dependia de um motor Cummins a diesel com 12 cilindros em V, 28,5 litros de cilindrada e potência de 700 cv. O propulsor utilizava dois turbocompressores acionados pelos gases de escape e contava com diferentes sistemas de filtragem, considerados essenciais para trabalhar em uma região marcada por poeira fina, areia e temperaturas elevadas.

A transmissão da força até as rodas envolvia três estágios de redução, formados por engrenagens cônicas, engrenagens cilíndricas helicoidais e um mecanismo planetário instalado dentro de cada roda. Os bloqueios empregavam embreagens de múltiplos discos com acionamento pneumático. A complexidade desse sistema mostra que a força bruta do motor representava apenas uma parte do desafio enfrentado pelos projetistas.

Segundo exemplar partiu diretamente para a Argélia

Imagem: Berliet

O Berliet T 100 nº 2 deixou a fábrica em 1958 e seguiu para a Argélia, passando por Rouïba e posteriormente por Touggourt. No Grande Erg Oriental, região formada por extensos campos de dunas, o caminhão começou a trabalhar carregando componentes de sondas utilizadas na prospecção petrolífera.

Enquanto o primeiro exemplar participou de exposições antes de iniciar atividades no deserto, o segundo foi direcionado rapidamente ao trabalho operacional. A escolha permitiria testar, em condições reais, se a largura, a tração integral, os pneus gigantes e o sistema de transmissão seriam suficientes para movimentar cargas pesadas em trajetos sem infraestrutura rodoviária regular.

Plataforma percorreu 130 quilômetros em dois dias

Em janeiro de 1959, o T 100 nº 2 foi usado para deslocar uma plataforma de perfuração de El Oued até uma área situada ao sul de Hassi-Messaoud. A viagem cobriu 130 quilômetros e foi concluída em dois dias, segundo a Fundação Berliet. O documento não informa o peso exato da plataforma transportada naquela operação.

A comparação apresentada pela instituição revela a dimensão do resultado: para executar o mesmo serviço, seriam necessários cinco caminhões convencionais trabalhando durante quatro dias. Um único T 100 reduziu pela metade o tempo previsto e substituiu uma frota inteira, evitando a necessidade de dividir a estrutura transportada entre diferentes veículos ou organizar diversos deslocamentos pela região.

Gigante não foi produzido em grande escala

Apesar do impacto técnico, apenas quatro exemplares do Berliet T 100 foram construídos. O nº 1 trabalhou posteriormente na exploração petrolífera de Hassi-Messaoud; o nº 2 permaneceu ligado às atividades de prospecção no Saara; o nº 3 foi equipado com caçamba e utilizado em minas de urânio e obras rodoviárias na França; e o nº 4 recebeu uma cabine futurista para tentar conquistar o mercado norte-americano.

O quarto veículo foi apresentado em Tulsa, nos Estados Unidos, mas não recebeu encomendas das empresas petrolíferas locais. O modelo chegou a ser convertido em banco de testes e recebeu estudos para a instalação de uma turbina de helicóptero com mil cavalos, modificação que acabou abandonada. Os exemplares nº 3 e nº 4 foram posteriormente destruídos.

Retorno à França exigiu uma nova operação logística

Em 1980, após negociações com autoridades argelinas e com a Sonatrach, começou o processo para levar o T 100 nº 2 de volta à França. O veículo foi revisado e percorreu o caminho entre Hassi-Messaoud e o porto de Tunis, escolhido porque estava mais próximo do que o porto de Orã. Durante o trajeto, suas dimensões provocaram situações inesperadas, incluindo a destruição acidental de ornamentos instalados sobre uma passagem na cidade de Nefta.

Depois disso, o caminhão foi embarcado no navio especializado Anthénor e chegou a Saint-Louis-du-Rhône em 27 de fevereiro de 1981. Até deslocamentos terrestres relativamente curtos precisavam ser ampliados para evitar obstáculos: um percurso direto de 25 quilômetros até o Museu de Rochetaillée, por exemplo, transformou-se em uma viagem de aproximadamente 130 quilômetros devido à largura e à altura do veículo.

Máquina voltou a funcionar décadas depois

Para participar da edição de 2019 da exposição Rétromobile, em Paris, o T 100 nº 2 passou por novos trabalhos mecânicos conduzidos com apoio da Cummins, da Michelin, da Renault Trucks e de integrantes ligados à Fundação Berliet. Entre os participantes estava Joseph Caïola, profissional que havia colaborado na construção dos veículos em 1957.

O caminhão deixou o conservatório da fundação em 28 de janeiro de 2019 e percorreu aproximadamente 600 quilômetros durante o transporte até Paris. Exposto entre 6 e 10 de fevereiro, foi visto por parte dos 132 mil visitantes da feira. Mais de seis décadas depois da operação no Saara, o gigante ainda conseguia se movimentar pelos próprios meios dentro do pavilhão.

Um projeto criado para uma necessidade extrema

O Berliet T 100 não se tornou um produto fabricado em série, mas demonstrou como uma necessidade logística específica pode levar ao desenvolvimento de soluções fora dos padrões industriais. Seu tamanho era consequência direta das plataformas, sondas e equipamentos que precisavam atravessar áreas remotas durante a expansão da exploração de petróleo no norte da África.

A viagem de janeiro de 1959 permanece como uma das demonstrações mais claras de sua capacidade. Ao transportar uma plataforma por 130 quilômetros em dois dias, o caminhão mostrou que uma única máquina poderia substituir cinco veículos convencionais em uma operação complexa. Na sua opinião, projetos gigantes e altamente especializados como o T 100 ainda fazem sentido ou a indústria atual deve priorizar frotas menores e mais versáteis? Deixe seu comentário.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

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