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Funcionária da limpeza de uma escola municipal de Porto Alegre, que havia abandonado os estudos, voltou à EJA na mesma unidade, fez magistério e História, passou em seis concursos e retornou anos depois como professora no lugar onde tudo começou
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 04/08/2026 às 23:27
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De um cargo de limpeza à sala de aula, uma trajetória construída dentro da educação reúne retomada dos estudos, formação docente, concursos públicos e retorno ao mesmo ambiente profissional, revelando como sucessivas etapas de qualificação transformaram uma rotina de apoio escolar em carreira no magistério.
Ana Amélia da Silva voltou à Escola Municipal de Ensino Fundamental Saint Hilaire, em Porto Alegre, em uma condição muito diferente daquela que marcara sua chegada ao local, pois já não trabalharia na limpeza nem retomaria os estudos interrompidos.
Depois de concluir a Educação de Jovens e Adultos, avançar pelo ensino médio, cursar o magistério e graduar-se em História, ela retornou à unidade como professora da rede municipal, levando consigo seis aprovações em concursos ligados à educação.
No mesmo espaço onde havia começado a recuperar a escolaridade, a antiga funcionária terceirizada passou a dividir a rotina com profissionais que a incentivaram a seguir estudando e, mais tarde, acompanharam sua transformação de trabalhadora da limpeza em docente.
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Segundo reportagem publicada pela Gazeta do Povo, a relação de Ana com a Saint Hilaire começou antes de sua contratação, quando ela já frequentava a escola para levar os filhos e conhecia de perto a dinâmica da comunidade escolar.
Do trabalho na limpeza à retomada dos estudos
Em 1997, por meio de uma empresa terceirizada responsável pelos serviços de limpeza, ela passou a trabalhar diariamente no prédio, experiência que a aproximou das atividades pedagógicas, dos professores e das crianças atendidas pela instituição municipal.
Durante os recreios, além das tarefas ligadas ao cargo, Ana ajudava voluntariamente os educadores com os alunos, participação que chamou a atenção dos colegas e abriu espaço para os primeiros incentivos em direção ao magistério.
Embora ainda não tivesse concluído o ensino fundamental, ela passou a considerar a possibilidade de reconstruir a própria trajetória escolar, decisão que ganhou força quando a Saint Hilaire começou a oferecer as séries finais da Educação de Jovens e Adultos.
Ao retomar as aulas no mesmo ambiente em que trabalhava, Ana encontrou uma forma de conciliar emprego, responsabilidades familiares e formação, transformando uma oportunidade disponível dentro da escola em ponto de partida para novas etapas acadêmicas.
Depois da conclusão do ensino fundamental, veio a aprovação em um concurso estadual para o cargo de agente educacional II, mudança profissional que não interrompeu os estudos e ampliou o contato dela com outras instituições de ensino.
Enquanto trabalhava no Centro Tiradentes, Ana concluiu o ensino médio pela EJA e, na sequência, cursou mais dois anos de magistério no Instituto Estadual de Educação Paulo da Gama, consolidando a preparação necessária para atuar com crianças.
Magistério e graduação em História ampliaram a trajetória
A formação docente abriu caminho para as primeiras experiências em sala de aula, mas o percurso continuou com o ingresso na graduação em História e com a preparação constante para processos seletivos realizados por diferentes redes públicas.
Ainda no começo da faculdade, ela foi aprovada para lecionar nas séries iniciais do município de Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre, conquista que marcou sua entrada efetiva no magistério e ampliou a experiência profissional.
Ao longo dos anos, Ana acumulou seis aprovações em concursos ligados à educação, até que uma nomeação pela Prefeitura de Porto Alegre permitiu o retorno à Saint Hilaire, escola onde havia trabalhado, estudado e recebido os primeiros incentivos.
A indicação para a antiga unidade não era esperada, tornando o reencontro ainda mais significativo, pois ela voltou a ocupar o mesmo prédio em uma função para a qual havia se preparado durante anos de estudo e trabalho contínuos.
Seis concursos e o retorno à Escola Saint Hilaire
Quando sua trajetória foi registrada, aos 52 anos, Ana atuava pela manhã como professora volante de 120 alunos do primeiro ciclo na Saint Hilaire, atendendo turmas do primeiro, segundo e terceiro anos do ensino fundamental.
No turno da tarde, ela assumia uma turma do segundo ano na Escola Municipal de Ensino Fundamental São Pedro, também localizada no bairro Lomba do Pinheiro, combinando responsabilidades em duas unidades da rede municipal de Porto Alegre.
Cerca de duas décadas separavam o início do trabalho na limpeza e a volta como professora, intervalo em que Ana concluiu etapas escolares pendentes, conquistou habilitações formais e reuniu experiência suficiente para assumir novas funções na educação pública.
Em vez de ocorrer por uma única mudança de cargo, a transição foi construída pela EJA, pelo magistério, pela graduação em História, pelo trabalho em outras escolas e por sucessivas aprovações que ampliaram progressivamente sua atuação profissional.
Trabalho e formação avançaram lado a lado
Ao reencontrar parte dos professores que haviam incentivado a retomada dos estudos, Ana passou a dividir com eles a rotina escolar, agora como colega de profissão, dentro da mesma instituição que havia acompanhado os primeiros passos de sua formação.
A trajetória manteve uma ligação contínua entre emprego e escolaridade, já que cada mudança profissional foi acompanhada por uma nova etapa de preparação, desde a conclusão da educação básica até o ingresso definitivo na carreira docente.
Quantos trabalhadores que convivem diariamente com escolas, alunos e professores também poderiam transformar a própria trajetória profissional caso encontrassem oportunidades concretas, apoio institucional e condições para retomar os estudos e avançar por diferentes etapas de formação?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

