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Funcionária da limpeza que havia abandonado os estudos antes de concluir o ensino fundamental voltou à sala de aula pela EJA, fez magistério, formou-se em História, passou em seis concursos e retornou como professora à mesma escola onde varria as salas em Porto Alegre

Funcionária da limpeza que havia abandonado os estudos antes de concluir o ensino fundamental voltou à sala de aula pela EJA, fez magistério, formou-se em História, passou em seis concursos e retornou como professora à mesma escola onde varria as salas em Porto Alegre

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Funcionária da limpeza que havia abandonado os estudos antes de concluir o ensino fundamental voltou à sala de aula pela EJA, fez magistério, formou-se em História, passou em seis concursos e retornou como professora à mesma escola onde varria as salas em Porto Alegre

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 04/08/2026 às 23:21

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Ex-funcionária da limpeza retoma os estudos, passa em seis concursos e volta como professora à escola onde trabalhou em Porto Alegre.

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Trajetória marcada por abandono escolar, trabalho na limpeza, retomada dos estudos, formação docente e seis aprovações em concursos levou uma trabalhadora de volta à escola onde começou, agora responsável por ensinar crianças nos primeiros anos da educação básica da rede pública de Porto Alegre.

Ana Amélia da Silva entrou na Escola Municipal de Ensino Fundamental Saint Hilaire, em Porto Alegre, para trabalhar na limpeza e, anos depois, voltou a percorrer os mesmos corredores como professora da rede pública, após reconstruir toda a própria formação escolar.

Antes dessa mudança profissional, retomou os estudos pela Educação de Jovens e Adultos, concluiu o ensino fundamental e o ensino médio, cursou magistério, graduou-se em História e acumulou aprovações em seis concursos públicos ligados diretamente à área da educação.

Muito antes da nomeação como docente, a Saint Hilaire já fazia parte da vida familiar, porque Ana levava os filhos para estudar na unidade localizada no bairro Lomba do Pinheiro, uma região da capital gaúcha.

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Mais tarde, contratada por uma empresa terceirizada, passou a cuidar da limpeza do prédio e a acompanhar diariamente a rotina de estudantes, professores e funcionários, experiência que a aproximou novamente do ambiente escolar depois de anos afastada como aluna.

Trabalho na limpeza abriu caminho para a educação

Durante os recreios, ela ajudava espontaneamente os educadores com as crianças, e essa participação chamou a atenção de professores que passaram a incentivá-la a voltar aos livros e considerar uma carreira dentro da própria educação pública.

Embora resistisse inicialmente à ideia de estudar novamente depois de tantos anos fora da sala de aula, Ana encontrou apoio no convívio escolar e começou a enxergar a retomada da formação como um caminho possível para mudar de função.

O abandono escolar havia ocorrido antes da conclusão do ensino fundamental, circunstância que exigia recuperar conteúdos interrompidos enquanto conciliava a nova rotina de estudante com o trabalho, a criação dos filhos e outras responsabilidades familiares acumuladas.

Ex-funcionária da limpeza retoma os estudos, passa em seis concursos e volta como professora à escola onde trabalhou em Porto Alegre.

Quando a própria Saint Hilaire abriu as séries finais da Educação de Jovens e Adultos, modalidade voltada a quem não concluiu a educação básica na idade regular, surgiu para Ana a oportunidade concreta de retomar o percurso interrompido.

Na mesma escola que ajudava a manter limpa, Ana passou a ocupar também a carteira de estudante, reconstruindo a formação em salas que conhecia pela rotina de trabalho e pela presença anterior dos próprios filhos naquele espaço.

Com o apoio da família, concluiu o ensino fundamental na unidade e avançou para a etapa seguinte, enquanto a convivência diária com os educadores transformava a docência em um objetivo profissional cada vez mais definido e próximo.

EJA, magistério e graduação em História

Depois dessa primeira conquista, foi aprovada em concurso público estadual para atuar como agente educacional II, função ligada à limpeza, mas manteve os estudos enquanto trabalhava no Centro de Ensino Médio Tiradentes, também na capital gaúcha.

Nesse período, completou o ensino médio pela EJA e, na sequência, cursou dois anos de magistério no Instituto Estadual de Educação Paulo da Gama, formação que abriu a primeira possibilidade concreta de atuar nos anos iniciais.

Mesmo habilitada para o trabalho docente, decidiu continuar avançando e ingressou em uma graduação em História, ampliando a qualificação profissional enquanto se preparava para disputar vagas em diferentes redes públicas de ensino da região metropolitana.

Ainda durante o curso superior, passou em um concurso para lecionar nas séries iniciais no município de Alvorada, na Região Metropolitana de Porto Alegre, onde teve a primeira experiência profissional diante de uma turma como professora.

Seis aprovações em concursos públicos

Segundo reportagem da Agência RBS publicada pelo GZH, Ana foi aprovada em seis concursos públicos ligados à educação, resultado construído depois de anos de estudo e participação em processos seletivos para diferentes funções e redes de ensino.

Entre as nomeações, a mais simbólica ocorreu quando a Prefeitura de Porto Alegre a encaminhou para a Escola Municipal Saint Hilaire, instituição onde havia trabalhado na limpeza e concluído parte importante da formação pela modalidade EJA.

Ao entrar na sala 228 como professora, voltou ao ambiente em que havia sido aluna, enquanto alguns dos docentes que a incentivaram no início da retomada dos estudos ainda permaneciam trabalhando na mesma unidade escolar.

Ex-funcionária da limpeza retoma os estudos, passa em seis concursos e volta como professora à escola onde trabalhou em Porto Alegre.

A nova rotina colocou lado a lado profissionais que antes ocupavam as posições de professores e estudante, mas que passaram a compartilhar decisões pedagógicas, responsabilidades escolares e o acompanhamento diário das turmas como colegas de trabalho.

Retorno à Escola Municipal Saint Hilaire

Na Saint Hilaire, Ana assumiu a função de professora volante de 120 estudantes do primeiro ciclo, atendendo turmas do primeiro, segundo e terceiro anos em diferentes momentos da jornada escolar e conforme as necessidades pedagógicas.

Em outro turno, trabalhava como professora de referência de uma turma do segundo ano na Escola Municipal de Ensino Fundamental São Pedro, situada no mesmo bairro da capital gaúcha e integrada à rede pública de ensino.

Essa trajetória não resultou de uma simples troca interna de função, porque cada avanço dependeu da conclusão de etapas formais, da obtenção das habilitações exigidas e da aprovação em concursos públicos realizados por diferentes redes de ensino.

Primeiro vieram a retomada do ensino fundamental, a conclusão da educação básica e o magistério; depois, a graduação em História, a estreia como docente em outra cidade e as nomeações que permitiram o retorno à escola de origem.

Diferentes experiências dentro da escola pública

Ao assumir a docência, Ana passou a conhecer a escola por diferentes perspectivas, pois já havia circulado naquele ambiente como mãe de alunos, trabalhadora terceirizada, estudante da EJA e servidora vinculada à área educacional municipal.

Cada uma dessas experiências correspondeu a uma etapa concreta dentro da educação pública e ajudou a formar uma trajetória marcada pela continuidade dos estudos, pela qualificação profissional e pelo ingresso regular no magistério municipal de Porto Alegre.

Antes de retornar à escola como aluna, ela havia passado cerca de duas décadas dedicada à vida doméstica, período em que não enxergava uma perspectiva clara de mudança profissional ou de entrada futura na carreira docente.

O contato com professores durante o trabalho na limpeza alterou esse percurso, porém a transformação só ocorreu depois que Ana cumpriu cada exigência de formação e conquistou vagas por meio de processos seletivos públicos oficialmente realizados.

Formação e concursos permitiram a mudança de função

Os seis concursos mencionados na reportagem reforçam que a chegada à Saint Hilaire como professora não aconteceu por promoção automática, mas pela combinação de escolarização, habilitação profissional e sucessivas aprovações em seleções oficiais da área educacional.

No mesmo prédio onde antes limpava ambientes e concluía etapas da EJA, ela passou a ensinar crianças nos primeiros anos da educação básica, reencontrando espaços, profissionais e lembranças profundamente ligados ao início daquela mudança profissional.

Quantas trajetórias semelhantes poderiam surgir se trabalhadores que convivem diariamente com a escola também encontrassem apoio concreto, acesso contínuo à formação profissional e condições reais para disputar novos espaços dentro da educação pública brasileira?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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