4 min de leitura
Funcionário ajuda a criar bolão no trabalho, sai de férias justamente na semana premiada e vê 24 colegas dividirem C$ 50 milhões sem ele; inconformado, leva o caso à Justiça
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 31/08/2026 às 12:27
Atualizado em 31/08/2026 às 12:28
Curiosidades
Canal
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Um bilhete de loteria rendeu prêmio de US$ 50 milhões no Canadá, mas um funcionário processou os colegas após ser excluído do bolão enquanto estava de férias.
Estar de férias na semana certa — ou errada — colocou um funcionário canadense no centro de uma disputa judicial milionária. Um bilhete de loteria comprado por trabalhadores de uma fábrica da Bombardier acertou um prêmio de US$ 50 milhões, mas um integrante habitual do grupo não havia contribuído naquela ocasião.
O homem, então com 54 anos, recorreu à Justiça contra os colegas, sustentando que deveria ter sido incluído no bolão mesmo durante sua ausência.
O episódio aconteceu após o sorteio de janeiro de 2011, mas a discussão chegou a um julgamento civil em Toronto e só chegou ao fim em 2023, após 12 anos.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Segundo reportagem do LBC publicada em maio de 2023, o processo acabou sendo interrompido já no segundo dia depois que os 24 trabalhadores envolvidos chegaram a um acordo confidencial.
Regra usada pelos colegas deixou fundador do grupo sem participação
O ponto central da disputa não era saber se o bilhete de loteria havia sido premiado, mas definir quem tinha direito ao dinheiro. O funcionário, identificado como Bates, havia ajudado a criar o grupo que participava dos sorteios e era descrito por sua defesa como um jogador frequente.
Na semana em que saiu o prêmio, porém, ele estava ausente e não colocou dinheiro naquela aposta específica. Os colegas sustentaram que adotavam uma lógica simples: quem não pagasse a participação não entraria no jogo.
Bates discordou. Ao descobrir que o grupo havia acertado os números, questionou Sherif Morsi, responsável pelo bolão, sobre o motivo de ninguém ter feito a contribuição em seu nome.
Morsi afirmou que outro trabalhador ainda lhe devia dinheiro e, por isso, nenhum valor adicional havia sido colocado para Bates naquela rodada.
Prêmio colocava aproximadamente US$ 1,9 milhão em jogo para cada participante
A discussão tinha impacto financeiro muito maior do que uma participação comum de loteria. Com o prêmio total de US$ 50 milhões, cada cota valia aproximadamente US$ 1,9 milhão na divisão considerada no caso.
Assim, ficar de fora daquele único bilhete de loteria significava perder a possibilidade de receber uma quantia capaz de transformar completamente a situação financeira de um trabalhador.
Inicialmente, 24 colegas estavam diretamente associados à aposta vencedora. Outras pessoas também reivindicaram participação depois que o resultado ficou conhecido.
Defesa afirmou que funcionário participava do bolão regularmente
Os advogados de Bates construíram o caso a partir do histórico do trabalhador com o grupo. Michael Cochrane, responsável por sua defesa, argumentou que uma pessoa que havia participado repetidamente durante quase um ano não deveria perder seu direito simplesmente porque faltou na semana do sorteio decisivo.
Para a defesa, os colegas teriam obrigação de tratar Bates de forma justa e incluí-lo naquela rodada. O outro lado apresentou uma versão diferente sobre o funcionamento do grupo.
Os trabalhadores afirmaram que as apostas não ocorriam de forma contínua durante todo o ano, mas principalmente quando o prêmio acumulava e alcançava valores próximos de US$ 30 milhões.
Essa diferença era importante para determinar se existia, de fato, uma prática consolidada que justificasse incluir automaticamente alguém que não havia pago naquele sorteio.
Acordo encerrou processo no segundo dia
A disputa judicial terminou muito antes do prazo inicialmente reservado. Na terça-feira, segundo dia das audiências, os 24 trabalhadores chegaram a um acordo confidencial com Bates.
Os termos não foram divulgados, o que impede saber quanto o funcionário recebeu ou se o valor correspondeu integralmente à cota que reivindicava.
Saul Glober, advogado que representava os trabalhadores, informou apenas que seus clientes estavam satisfeitos com o resultado.
Assim, o processo terminou sem uma decisão pública que estabelecesse definitivamente qual lado tinha razão sobre a participação no prêmio.
Para Bates, uma semana de férias coincidiu com o momento em que o bilhete de loteria do grupo mudou a vida dos outros participantes.
Para seus colegas, prevalecia a regra de que somente quem contribuísse entraria naquela aposta. A divergência acabou nos tribunais — e terminou com um acordo cujo valor permaneceu em segredo.
Fonte
LBC
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

