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Furacão destruiu a empresa onde mulher trabalhava como designer gráfica, ela fez seis meses de elétrica, hidráulica e alvenaria e acabou reconstruindo casas e trabalhando nas obras de um aeroporto caribenho
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 14/08/2026 às 15:18
Atualizado em 14/08/2026 às 15:19
Construção, Indústria
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Após perder o emprego com o furacão Irma, Shannon Bell aprendeu cinco ofícios da construção civil, foi contratada para recuperar moradias e avançou até uma função de saúde e segurança nas obras do aeroporto de Sint Maarten. Sua trajetória integrou um programa que concedeu 1.822 certificados nos setores de construção e turismo.
O furacão Irma mudou completamente a carreira de Shannon Bell. Em 2017, ela trabalhava como designer gráfica em Sint Maarten, no Caribe, mas a empresa onde estava empregada nunca reabriu depois da passagem da tempestade.
Sem o antigo trabalho, Shannon ingressou em um curso intensivo de seis meses. Ela aprendeu elétrica, hidráulica, alvenaria, carpintaria e paisagismo, terminou como a melhor participante da turma e entrou no esforço de reconstrução da ilha.
A história foi publicada pelo Banco Mundial, instituição internacional que financia projetos de desenvolvimento. A trajetória individual fez parte de uma ação maior, que ofereceu capacitação e apoio de renda às pessoas afetadas pela crise econômica provocada pelo furacão.
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Quando o furacão fez o emprego desaparecer
Em 6 de setembro de 2017, o furacão Irma atingiu Sint Maarten como uma tempestade de categoria 5. Seus ventos passaram de 289 quilômetros por hora e causaram destruição em diferentes pontos do território caribenho.
Shannon tinha 34 anos e trabalhava com design gráfico. Depois do desastre, a empresa onde ela exercia a profissão não voltou a funcionar. Assim, uma carreira construída diante do computador foi interrompida de maneira repentina.
O impacto também alcançou boa parte da economia local. Empresas ligadas ao turismo fecharam, trabalhadores perderam renda e instituições de ensino ficaram gravemente danificadas.
Em 2017, Sint Maarten registrava taxa geral de desemprego de 6,2%. Entre os jovens, o índice chegava a 23,8%, e as dificuldades aumentaram depois que o furacão paralisou negócios e atividades importantes para a ilha.
Seis meses para aprender cinco ofícios da construção civil
Em 2018, Shannon encontrou em um jornal o anúncio de um curso intensivo de manutenção de imóveis. A formação durava seis meses e reunia conhecimentos que poderiam ser usados na recuperação de casas e prédios.
As aulas abordavam carpintaria, alvenaria, paisagismo, elétrica e hidráulica. Além da parte teórica, os participantes realizavam atividades práticas para entender como executar reparos e cuidar das instalações de um imóvel.
Durante o curso, Shannon também trabalhou com uma empresa de construção. A experiência acrescentou conhecimentos sobre trabalhos com aço e aproximou a antiga designer gráfica da rotina de um canteiro de obras.
A mudança exigiu o aprendizado de tarefas muito diferentes daquelas que ela realizava antes. Mesmo assim, Shannon terminou a formação como a participante de melhor desempenho de sua turma.
A reconstrução de casas abriu uma nova carreira
Pouco depois de concluir o curso, Shannon foi contratada por uma construtora envolvida na recuperação de moradias danificadas pelo furacão. O conhecimento adquirido durante os seis meses passou a ser aplicado em um projeto real.
As casas atendidas pertenciam a pessoas que precisaram deixar suas residências após a destruição. Cada reparo ajudava uma família a voltar para casa depois de meses de espera.
O trabalho também representou a reconstrução profissional de Shannon. Ela entrou no curso após perder o emprego e saiu preparada para ocupar uma função necessária naquele momento de recuperação.
Sua experiência mostra que grandes obras não dependem apenas de máquinas, engenheiros e investimentos. Pedreiros, carpinteiros, eletricistas, encanadores e profissionais de segurança também são fundamentais para devolver moradias e serviços a uma comunidade.
Dos reparos nas moradias às obras do aeroporto
A experiência na reconstrução de casas abriu outra oportunidade. Na reportagem publicada em 15 de setembro de 2023, Shannon já trabalhava como profissional de saúde e segurança na recuperação do aeroporto de Sint Maarten.
Nessa função, ela ajudava a cuidar da proteção dos trabalhadores e das condições do canteiro. Embora o trabalho fosse diferente das tarefas aprendidas inicialmente, a passagem pela construção civil ajudou a preparar seu novo caminho.
O aeroporto se tornou mais uma etapa de uma trajetória iniciada por necessidade. Shannon saiu de uma empresa de design que não reabriu e chegou a uma das obras importantes para a recuperação da ilha.
A mudança também revela como uma capacitação pode gerar resultados que vão além do primeiro emprego. O curso abriu uma porta para a construção, enquanto a experiência acumulada permitiu que Shannon assumisse novas responsabilidades.
Programa concedeu 1.822 certificados em construção e turismo
Shannon participou de um projeto criado para atender trabalhadores desempregados ou com pouca ocupação após o furacão. A ação oferecia formação profissional, apoio de renda e seguro de saúde durante os estudos.
O Banco Mundial, instituição internacional que financia projetos de desenvolvimento, registrou que 1.960 pessoas receberam capacitação e apoio de renda até 2022. Entre elas, 69% eram mulheres e 27% eram jovens.
Ao todo, 1.822 pessoas concluíram treinamentos e receberam certificados nos setores de construção e turismo. O número indica quantas pessoas terminaram a capacitação e foram certificadas, mas não representa uma quantidade garantida de contratações.
A conclusão dos cursos alcançou 93% dos participantes. Parte dos formados encontrou trabalho, retornou à ocupação anterior ou decidiu continuar os estudos nas instituições da ilha.
Reconstruir uma ilha também pode transformar profissões
O furacão Irma interrompeu o trabalho de Shannon, mas a necessidade de reconstruir Sint Maarten criou espaço para uma formação profissional diferente. Em seis meses, ela aprendeu cinco ofícios e entrou no setor que ajudava a recuperar a ilha.
Da reconstrução de moradias às obras do aeroporto, sua trajetória mostra que a recuperação após um desastre também pode criar novos caminhos profissionais. O resultado depende não apenas das estruturas reconstruídas, mas das pessoas preparadas para executar esse trabalho.
Se um acontecimento inesperado eliminasse sua profissão, você teria coragem de aprender um ofício completamente diferente e recomeçar? Conte nos comentários.
Fonte
World Bank
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

