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Gambiarra com canudos, esponja e limpadores de cachimbo nasce quando estudante de apenas 18 anos tenta ajudar mulher com paralisia cerebral a recuperar a paixão de pintar, evolui para aparelho que guia as mãos para escrever e desenhar, chega a mais de 25 países e ganha reconhecimento da Apple
Escrito por Ana Alice
Publicado em 18/08/2026 às 11:39
Atualizado em 18/08/2026 às 11:58
Ciência e Tecnologia
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Um encontro inesperado levou uma jovem estudante de engenharia a transformar materiais simples em uma tecnologia assistiva que cresceu além da universidade, conquistou reconhecimento internacional e passou a ajudar pessoas com mobilidade limitada das mãos.
Canudos, limpadores de cachimbo e uma esponja dificilmente lembram os componentes de um equipamento médico.
Foi justamente com esses materiais simples, porém, que a então estudante canadense Lianna Genovese começou a testar uma ideia que anos depois chegaria a hospitais, escolas e residências em dezenas de países.
A inspiração surgiu quando ela conheceu Elissa, apresentada pelo James Dyson Award e pela Universidade McMaster como uma mulher com paralisia cerebral que havia perdido a capacidade de usar um pincel e, consequentemente, de continuar pintando como antes.
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Lianna tinha apenas 18 anos e cursava engenharia biomédica e mecânica na McMaster University, no Canadá.
O que começou como um projeto universitário acabou se transformando no Guided Hands, dispositivo mecânico criado para ajudar pessoas com mobilidade limitada nas mãos a escrever, desenhar, pintar e acessar telas sensíveis ao toque.
Em 2021, a invenção rendeu a Lianna o James Dyson Award nacional do Canadá.
A história, no entanto, não parou com o prêmio.
Em janeiro de 2026, a empresa fundada pela engenheira informou que o Guided Hands já era vendido em mais de 25 países, havia ultrapassado um marco de faturamento de sete dígitos e tinha acabado de ser reconhecido pela Apple como tecnologia assistiva compatível com seus dispositivos.
Mulher que havia perdido a capacidade de pintar inspirou a invenção
O problema que chamou a atenção de Lianna não estava em uma planilha ou em um laboratório.
Estava diante de uma pessoa que queria voltar a fazer algo aparentemente simples.
Elissa gostava de pintar, mas sua condição havia comprometido o controle fino das mãos.
Ao conhecer aquela história, Lianna começou a imaginar uma maneira de aproveitar movimentos que a mulher ainda conseguia realizar para conduzir um pincel sobre uma superfície.
Em depoimento divulgado pela McMaster em 2021, a estudante explicou que ouvir sobre a perda daquela atividade despertou nela a vontade de devolver à mulher parte de sua capacidade de expressão.
O desafio era encontrar uma forma de fazer isso sem depender diretamente da força e da precisão dos dedos.
Foi aí que surgiu um princípio que permaneceria no projeto definitivo: usar movimentos maiores do braço e do ombro para compensar limitações dos movimentos finos da mão.
Primeiro Guided Hands foi feito com canudos, esponja e limpadores de cachimbo
Antes de trilhos metálicos, rolamentos e peças produzidas com impressão 3D, houve uma versão muito mais improvisada.
Segundo o James Dyson Award e a Universidade McMaster, os primeiros protótipos eram montados com canudos, limpadores de cachimbo e uma esponja.
Lianna não criou a peça e simplesmente presumiu que funcionaria.
Elissa participou dos testes e ofereceu retorno sobre o que conseguia ou não fazer com o equipamento.
A partir dessas experiências, novas versões foram surgindo.
O projeto continuou sendo aperfeiçoado com a participação de pessoas com diferentes condições médicas, além de neurologistas e terapeutas ocupacionais.
Até 2021, Lianna já havia conversado ou realizado testes envolvendo mais de 150 pacientes e profissionais de saúde no Canadá, segundo a McMaster University.
Dois anos depois, a universidade informava que o desenvolvimento já havia contado com contribuições de mais de 525 terapeutas ocupacionais, neurologistas e pessoas com mobilidade limitada das mãos.
Sistema inspirado em impressora 3D guia os movimentos da mão
A versão mais avançada do Guided Hands acabou adotando uma lógica que lembra o deslocamento de uma impressora 3D.
O aparelho possui uma estrutura formada por eixos lineares e rolamentos que permite movimentar a mão de maneira guiada.
Com isso, o usuário pode realizar deslocamentos horizontais e verticais e também alterar a direção do movimento.
A pessoa apoia a mão em uma peça adaptada e movimenta o conjunto principalmente utilizando habilidades motoras maiores do ombro e do braço.
Na extremidade podem ser colocados diferentes objetos, como caneta, marcador, pincel ou uma ponteira para telas.
O aparelho não pinta ou escreve sozinho.
Ele funciona como uma estrutura que sustenta e guia o movimento realizado pela própria pessoa.
Essa diferença é importante porque a proposta está ligada justamente à participação do usuário na atividade.
Menina com paralisia cerebral ajudou Lianna a enxergar o potencial do projeto
Entre os testes realizados durante o desenvolvimento, um encontro ganhou destaque no relato de Lianna.
Ela conheceu Bella, uma menina com paralisia cerebral, e acompanhou a criança usando o Guided Hands para escrever, colorir, desenhar e brincar em um iPad.
Segundo a engenheira contou à McMaster, observar a reação da menina fez com que percebesse que aquele projeto de faculdade poderia ter uma aplicação muito maior fora da sala de aula.
A experiência ajudou a transformar uma atividade acadêmica em um empreendimento.
Lianna fundou a ImaginAble Solutions em 2019, quando ainda era estudante, para desenvolver e comercializar tecnologias assistivas.
A empresa começou pequena.
Em uma etapa inicial, a própria estrutura usada para desenvolver o produto chegou a funcionar no porão da casa da jovem empreendedora, segundo relato publicado pela McMaster.
James Dyson Award colocou o Guided Hands em evidência
Em agosto de 2021, veio uma das maiores vitrines da trajetória do projeto.
Lianna venceu a etapa canadense do James Dyson Award, competição internacional de design e engenharia voltada a estudantes e recém-formados.
O prêmio nacional garantiu US$ 3,5 mil para continuar desenvolvendo a invenção e classificou o Guided Hands para a fase internacional da disputa.
Naquele momento, a expectativa divulgada era colocar o equipamento no mercado ainda em 2021.
O desenvolvimento comercial, no entanto, continuou passando por testes e programas com hospitais e centros de reabilitação.
A McMaster informou posteriormente que o produto efetivamente chegou ao mercado quando Lianna se formou, em 2022.
Foi a passagem definitiva de um protótipo universitário para um dispositivo vendido comercialmente.
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Guided Hands chegou a hospitais, escolas e residências
A escala atingida nos anos seguintes mostra o quanto aquela construção feita com materiais simples mudou.
Em agosto de 2024, a área de inovação em saúde da McMaster informou que o Guided Hands já estava sendo utilizado em hospitais, escolas e residências de 22 países.
Na época, a ImaginAble Solutions tinha uma equipe de oito pessoas e havia obtido centenas de milhares de dólares em recursos por meio de competições e programas de apoio.
Poucos meses depois, outra publicação ligada à McMaster registrou que mais de 730 unidades haviam sido enviadas para 23 países desde o lançamento comercial.
O dispositivo passou a atender crianças e adultos com diferentes condições que afetam o controle das mãos.
A empresa e a universidade citam aplicações envolvendo pessoas com paralisia cerebral, artrite, doenças neurológicas e pacientes em recuperação de lesões na medula ou acidentes vasculares cerebrais.
Tecnologia criada aos 18 anos passou a integrar ecossistema da Apple
Um dos avanços mais recentes foi anunciado em 19 de janeiro de 2026.
A ImaginAble Solutions informou que o Guided Hands passou a aparecer entre as tecnologias assistivas indicadas pela Apple para utilização com seus dispositivos.
A estrutura permite utilizar uma ponteira ou o Apple Pencil para tocar, apontar e movimentar elementos em um iPad.
Para pessoas que enfrentam dificuldades em controlar os dedos, isso amplia o uso do equipamento para além da pintura ou da escrita no papel.
Segundo a empresa, o dispositivo já estava presente em mais de 25 países no início de 2026.
A ImaginAble também afirmou que 2025 terminou com crescimento da equipe e com a superação de um marco de vendas de sete dígitos, sem divulgar na publicação o faturamento exato.
O salto chama atenção quando comparado ao ponto de partida.
Aquilo que começou como materiais baratos encaixados para testar um movimento passou a ser fabricado na região de Hamilton, em Ontário, e distribuído internacionalmente.
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Reconhecimento de Lianna Genovese continuou após o prêmio
A conquista de 2021 também não foi a última.
Em 2023, Lianna entrou para a lista Forbes 30 Under 30 Local Toronto, reconhecimento destacado pela própria McMaster University.
No ano seguinte, recebeu o Muhammad Ali Humanitarian Award por seu trabalho relacionado à inclusão e à qualidade de vida de pessoas com deficiência.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

