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Gigante brasileira com 20 mil trabalhadores manda fechar fábrica histórica após 19 anos, encerra toda a produção no país e demite funcionários que ainda resistiam na unidade
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 01/08/2026 às 13:15
Economia
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Grupo Dass fecha sua última fábrica de calçados na Argentina após 19 anos, encerra a produção local e demite os 150 funcionários restantes.
O Grupo Dass encerrou definitivamente as atividades de sua fábrica de calçados em Eldorado, na província de Misiones, na Argentina, depois de aproximadamente 19 anos de produção. A decisão atingiu os 150 funcionários que ainda trabalhavam na unidade e colocou fim à operação industrial da companhia brasileira no país. A planta já havia ocupado posição central na economia da cidade. Em seu período de maior atividade, chegou a empregar aproximadamente 1.650 pessoas e produziu calçados esportivos para marcas internacionais, movimentando fornecedores, transportadoras, oficinas, serviços e o comércio local.
O encerramento foi concluído em julho de 2026. Apesar da saída da produção, o grupo continuará presente comercialmente na Argentina, mantendo escritórios, centros de distribuição, administração de marcas e vendas no mercado local.
Grupo Dass fecha fábrica de calçados após 19 anos em Eldorado
A unidade começou a operar em 2007 e se transformou em uma das principais empregadoras industriais de Eldorado. A cidade está localizada no norte de Misiones, perto das fronteiras argentinas com Brasil e Paraguai.
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Durante quase duas décadas, a fábrica participou da produção de calçados esportivos para grandes marcas. A operação criou empregos formais e inseriu a região em uma cadeia industrial ligada ao mercado internacional.
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O encerramento definitivo ocorreu depois de meses de redução no ritmo de produção, suspensões temporárias e programas de desligamento voluntário. As medidas não foram suficientes para recuperar o volume necessário de encomendas.
Fábrica argentina chegou a empregar cerca de 1.650 trabalhadores
No auge da operação, por volta de 2015, a fábrica reunia aproximadamente 1.650 funcionários. O número colocava a unidade entre as estruturas industriais mais importantes da região.
Com a redução progressiva dos pedidos, o quadro começou a encolher. Cortes, aposentadorias, desligamentos voluntários e suspensões diminuíram gradualmente a quantidade de trabalhadores.
Quando a fábrica fechou, restavam 150 pessoas. Em comparação com o período de maior atividade, a unidade havia perdido aproximadamente 1.500 postos de trabalho, redução superior a 90%.
Fechamento provoca a demissão dos últimos 150 funcionários
Os trabalhadores que ainda permaneciam na unidade foram informados de que a produção seria encerrada definitivamente. Muitos acumulavam vários anos de vínculo com a empresa e construíram praticamente toda a carreira na fábrica.
O impacto ultrapassa os empregos diretos. Os salários pagos pela indústria movimentavam supermercados, transporte, restaurantes, aluguéis, oficinas e pequenos negócios de Eldorado.
A empresa informou que os desligamentos seriam acompanhados pelo pagamento das indenizações previstas. O principal desafio, entretanto, será a recolocação dos profissionais em uma região sem outra fábrica calçadista do mesmo porte.
Queda nos pedidos tornou a fábrica economicamente inviável
O Grupo Dass afirmou ter analisado alternativas para preservar a unidade e os empregos. A falta de novos pedidos em quantidade suficiente, porém, impediu a continuidade da produção.
Uma fábrica mantém despesas com energia, manutenção, segurança, administração e infraestrutura mesmo quando opera abaixo de sua capacidade. Com menos pares produzidos, o custo de cada unidade aumenta.
A combinação entre capacidade ociosa, despesas industriais elevadas e redução das encomendas diminuiu a competitividade da planta. A companhia concluiu que não havia condições econômicas para manter a operação.
Importações pressionaram a indústria de calçados da Argentina
A indústria calçadista argentina enfrenta maior concorrência de produtos fabricados no exterior. Calçados importados, especialmente os produzidos em grande escala, chegam ao mercado com preços difíceis de acompanhar.
O consumo interno mais fraco também reduziu a quantidade de encomendas destinadas às fábricas locais. Com menos vendas, empresas passaram a rever investimentos, equipes e estruturas produtivas.
Autoridades de Eldorado afirmaram que, em determinadas condições, tornou-se mais barato abastecer o mercado argentino com calçados prontos produzidos em outros países do que manter a fabricação na cidade.
Grupo Dass encerra toda a produção industrial na Argentina
A fábrica de Eldorado era a última unidade produtiva do Grupo Dass em território argentino. Seu fechamento encerra definitivamente a fabricação local de calçados pela companhia.
A mudança não representa a saída completa do mercado. O escritório de Buenos Aires continuará responsável por atividades comerciais e administrativas da empresa.
Os centros de distribuição localizados em Coronel Suárez e Cañuelas também permanecerão funcionando. A empresa seguirá vendendo e distribuindo produtos, mas sem produzir calçados na Argentina.
Companhia já havia fechado outra unidade argentina
O encerramento em Eldorado completa uma reestruturação iniciada anteriormente. Em janeiro de 2025, o grupo fechou uma fábrica em Coronel Suárez, na província de Buenos Aires.
A paralisação daquela unidade resultou no desligamento de aproximadamente 330 trabalhadores. A partir dali, Eldorado permaneceu como a última fábrica da companhia no país.
Com o novo fechamento, o Grupo Dass passa a concentrar sua atuação argentina em vendas, distribuição e gestão de marcas, abandonando a fabricação local.
Empresa negou transferência das fábricas brasileiras ao Paraguai
Antes do anúncio, circularam rumores de que o Grupo Dass deixaria o Brasil e concentraria suas operações industriais no Paraguai. A companhia negou oficialmente essa informação.
O grupo reconheceu manter uma operação paraguaia, mas explicou que a unidade é voltada à confecção de vestuário e possui estrutura menor. A fábrica não teria capacidade para substituir as plantas brasileiras de calçados.
A empresa reafirmou que suas unidades no Brasil continuam estratégicas. O encerramento afeta especificamente a produção argentina e não significa o fim das atividades industriais brasileiras.
Grupo Dass administra grandes marcas esportivas
Fundado no Rio Grande do Sul, o Grupo Dass atua no desenvolvimento, fabricação e distribuição de calçados, roupas e acessórios esportivos.
A companhia administra ou mantém operações associadas a marcas como Fila, Umbro, New Balance e Osklen. Também presta serviços industriais para empresas internacionais.
O grupo informa possuir aproximadamente 20 mil trabalhadores, concentrados principalmente no Brasil. Sua estrutura reúne fábricas, centros de desenvolvimento, escritórios e operações comerciais.
Eldorado perde uma das principais operações industriais da cidade
Durante 19 anos, a fábrica gerou empregos e sustentou atividades econômicas relacionadas à produção de calçados. Empresas de transporte, manutenção, alimentação e fornecimento de materiais cresceram ao redor da operação.
O fechamento elimina uma fonte importante de salários formais e reduz a circulação de renda na cidade. Parte dos fornecedores também poderá perder contratos ou diminuir suas próprias equipes.
A fábrica encerra sua trajetória depois de sair de cerca de 1.650 trabalhadores para apenas 150. O Grupo Dass continuará operando em outros mercados, mas Eldorado perde uma indústria que marcou quase duas décadas de sua economia.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

