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Gigante de 198 metros recebe água de lastro, rebaixa seus enormes guindastes até ficar com cerca de 57 metros de altura e atravessa sob as pontes de Istambul em uma operação especial que suspende temporariamente o tráfego marítimo nos dois sentidos do Bósforo durante sua passagem pela cidade
Escrito por Carla Teles
Publicado em 13/08/2026 às 18:07
Atualizado em 13/08/2026 às 18:08
Ciência e Tecnologia
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O Saipem 7000, um dos maiores navios-guindaste semissubmersíveis do mundo, atravessou o Bósforo em 17 de junho de 2026 após receber água de lastro e rebaixar seus guindastes. Com 198 metros de comprimento, a embarcação passou sob pontes de Istambul enquanto o tráfego marítimo foi suspenso temporariamente nos dois sentidos.
Com 198 metros de comprimento, o Saipem 7000 protagonizou uma operação incomum no Estreito de Bósforo ao precisar alterar temporariamente sua configuração para atravessar a região de Istambul. Os guindastes e estruturas de torre foram rebaixados, enquanto a embarcação recebeu água de lastro para reduzir sua altura operacional a aproximadamente 57 metros antes de passar sob as pontes que cruzam a estratégica via marítima turca.
A travessia ocorreu em 17 de junho de 2026, durante a viagem do porto de Bouri, na Líbia, para Constança, na Romênia. Segundo informações divulgadas pelo Türkiye Today e pela agência Anadolu, o Saipem 7000 entrou no Bósforo por volta das 5h25, horário local, acompanhado por rebocadores, equipes de praticagem e recursos de emergência. O tráfego marítimo chegou a ser suspenso temporariamente nos dois sentidos para permitir a passagem da gigantesca estrutura.
Saipem 7000 tem 198 metros de comprimento e estrutura gigantesca
O Saipem 7000 está entre os maiores navios-guindaste semissubmersíveis em operação no mundo. Segundo os dados divulgados pelo Türkiye Today, a embarcação possui 198 metros de comprimento, cerca de 135 metros de altura em sua configuração normal e arqueação bruta de 117.812 toneladas.
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Sua estrutura foi projetada para operações de construção offshore de grande escala. Os dois enormes guindastes do navio permitem içar estruturas de até 14 mil toneladas em uma única operação, característica que torna o Saipem 7000 adequado para instalação de plataformas, componentes submarinos e infraestrutura associada a grandes projetos de energia.
Água de lastro ajudou a reduzir a altura da embarcação
A configuração normal da embarcação apresentava um problema evidente para a passagem por Istambul. Com estruturas que chegam a aproximadamente 135 metros de altura, o Saipem 7000 precisava ser preparado antes de enfrentar as pontes existentes ao longo do estreito.
Para isso, o navio recebeu água de lastro e teve os guindastes e estruturas superiores rebaixados. De acordo com a reportagem do Türkiye Today, a combinação dessas medidas reduziu a altura da embarcação para aproximadamente 57 metros, criando a margem necessária para realizar a travessia sob as pontes.
Guindastes foram abaixados antes da passagem pelas pontes
O rebaixamento dos guindastes foi uma das partes mais visíveis da preparação. As estruturas duplas responsáveis pelas operações de içamento pesado precisaram assumir uma posição diferente daquela utilizada durante o trabalho offshore.
Essa alteração não transformou permanentemente o navio. Tratava-se de uma configuração específica para a navegação pelo Bósforo, adotada para compatibilizar uma embarcação construída para operações em mar aberto com as limitações de altura impostas pelas pontes de Istambul.
Travessia ocorreu durante viagem entre Líbia e Romênia
O Saipem 7000 havia partido do porto de Bouri, na Líbia, e seguia em direção ao porto romeno de Constança. Para completar essa rota, precisava atravessar o sistema de estreitos turcos, passando pelo Bósforo em meio à área urbana de Istambul.
A embarcação entrou no estreito pela manhã, por volta das 5h25. Mesmo com toda a preparação anterior, a operação exigiu acompanhamento constante, já que o tamanho do navio e suas estruturas superiores reduzem consideravelmente as margens disponíveis para uma travessia convencional.
Rebocadores acompanharam o gigante pelo Bósforo
Durante o percurso, o Saipem 7000 contou com apoio de outras embarcações. O Pacific Discovery, navio de manuseio de âncoras de bandeira britânica, e o GH Discovery, rebocador de bandeira de Antígua e Barbuda, participaram do deslocamento.
A presença dos rebocadores ajudou no controle da navegação durante a passagem. Em uma via estreita, movimentada e cercada por áreas urbanas, controlar velocidade, posicionamento e trajetória de um navio desse porte exige uma operação coordenada, especialmente em trechos próximos às pontes.
Navio de emergência Nene Hatun participou da escolta
Na entrada sul do Bósforo, outra embarcação se juntou ao dispositivo de segurança. O Nene Hatun, operado pela Direção Geral de Segurança Costeira da Turquia, acompanhou parte da travessia.
O navio é utilizado em operações de resposta a emergências, busca e salvamento e combate a incêndios. Sua presença reforçou o esquema montado pelas autoridades turcas para reduzir os riscos durante a passagem do Saipem 7000, cuja escala dificultaria qualquer resposta improvisada em caso de problema.
Tráfego marítimo foi suspenso nos dois sentidos
Uma das consequências mais diretas da operação foi a interrupção temporária da navegação regular pelo Bósforo. As autoridades suspenderam o tráfego marítimo nos dois sentidos enquanto o navio-guindaste atravessava o estreito.
A medida evitou que outras embarcações dividissem trechos críticos da rota durante a passagem. O fechamento temporário mostra a dimensão logística do deslocamento: não era apenas o Saipem 7000 que precisava ser preparado, mas toda a circulação marítima ao redor dele precisava ser reorganizada.
Ponte Yavuz Sultan Selim esteve no caminho da embarcação
O Yeni Şafak informou que o Saipem 7000 concluiu a travessia pelo Bósforo passando sob a Ponte Yavuz Sultan Selim. A estrutura cruza o estreito na região norte de Istambul e faz parte do conjunto de pontes que ligam os lados europeu e asiático da cidade.
A redução da altura para aproximadamente 57 metros permitiu compatibilizar o perfil vertical do navio com a passagem sob essas estruturas. Foi justamente esse limite físico que tornou necessário encher tanques de lastro e baixar os guindastes antes de entrar na região das pontes.
Operação combinou engenharia naval e controle de navegação
Receber água de lastro modifica a condição de flutuação da embarcação. Ao aumentar a quantidade de água nos tanques destinados ao lastro, determinadas partes do casco podem ficar mais baixas em relação à linha d’água, contribuindo para reduzir o perfil total necessário para a passagem.
No caso do Saipem 7000, essa medida foi combinada ao rebaixamento das estruturas superiores. A travessia evidencia como navios especializados podem alterar temporariamente sua configuração para superar restrições impostas por pontes, canais e estreitos, desde que a operação seja previamente planejada.
Saipem 7000 consegue içar até 14 mil toneladas
A dimensão dos guindastes fica mais clara quando considerada a capacidade de içamento do navio. O sistema duplo é capaz de movimentar estruturas com peso combinado de até 14 mil toneladas em determinadas operações.
Essa capacidade está diretamente ligada à função original da embarcação. O Saipem 7000 não foi construído para transporte convencional de cargas, mas para executar operações offshore extremamente pesadas, incluindo montagem de grandes estruturas e trabalhos relacionados a instalações submarinas.
Navio também instala dutos em águas profundas
Além do içamento, o Saipem 7000 possui histórico em projetos de instalação de gasodutos em grandes profundidades. A embarcação consegue realizar trabalhos em águas que ultrapassam 2 mil metros, segundo as informações divulgadas pelas fontes.
Um exemplo ocorreu no projeto Blue Stream, ligação de gás natural entre Rússia e Turquia pelo Mar Negro. Naquela operação, o Saipem 7000 participou da instalação de um gasoduto de 24 polegadas a uma profundidade de aproximadamente 2.150 metros.
Passagem por Istambul colocou escala do navio em evidência
Em mar aberto, embarcações de construção offshore podem operar sem muitas referências visuais capazes de mostrar seu verdadeiro tamanho. A passagem pelo centro de uma das maiores cidades da região colocou o Saipem 7000 lado a lado com pontes, margens urbanizadas e outras embarcações.
As imagens da operação chamaram atenção justamente por esse contraste. Os enormes guindastes que normalmente trabalham sobre plataformas e estruturas offshore precisaram ser rebaixados para que todo o conjunto pudesse atravessar uma passagem limitada pela infraestrutura fixa da cidade.
Bósforo exige controle especial para embarcações de grande porte
O Estreito de Bósforo conecta o Mar Negro ao Mar de Mármara e atravessa uma área densamente ocupada de Istambul. Sua importância para o transporte marítimo internacional faz com que qualquer bloqueio temporário tenha impacto direto na organização do tráfego local.
Por isso, a passagem de um navio com as dimensões do Saipem 7000 demanda coordenação entre pilotos, rebocadores e autoridades costeiras. Nesse caso, a solução envolveu modificar fisicamente a altura do navio e criar uma janela exclusiva de navegação até que a travessia fosse concluída.
Gigante precisou diminuir para atravessar a cidade
O episódio mostrou um contraste incomum da engenharia naval: uma embarcação construída justamente para erguer algumas das maiores estruturas da indústria offshore precisou abaixar seus próprios equipamentos para conseguir avançar por uma rota urbana.
Com água de lastro nos tanques, os guindastes rebaixados e altura reduzida para cerca de 57 metros, o gigante de 198 metros conseguiu atravessar as pontes de Istambul enquanto o Bósforo permanecia temporariamente fechado ao restante do tráfego. O que mais impressiona nessa operação: o tamanho do navio, a capacidade de alterar sua configuração ou a necessidade de interromper uma das rotas marítimas mais movimentadas para permitir sua passagem? Conte sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

