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Gigante de 337 metros da Petrobras chega ao Sul do Brasil para virar aço, mas condições do mar adiam entrada no estaleiro
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 11/08/2026 às 08:38
Atualizado em 11/08/2026 às 08:51
Indústria Naval
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Depois de atravessar a costa brasileira, a plataforma P-33 aguarda uma janela segura para entrar em Rio Grande, onde será desmontada pela Ecovix e transformada em matéria-prima pela Gerdau.
A plataforma P-33, da Petrobras, já chegou à região oceânica de Rio Grande, no litoral do Rio Grande do Sul. Entretanto, a última parte da viagem precisou ser interrompida: as condições meteorológicas e oceanográficas ainda não permitem a entrada segura da estrutura no canal.
A informação foi divulgada na segunda-feira, 10 de agosto de 2026, pelo Jornal do Comércio. Assim que o tempo permitir, o antigo navio-plataforma seguirá para o Estaleiro Rio Grande, operado pelo Grupo Ecovix.
Ali começará uma operação que encerra um ciclo de décadas no setor petrolífero e abre outra frente para a indústria naval brasileira: desmontar uma estrutura de aproximadamente 337 metros de comprimento, recuperar milhares de toneladas de aço e dar uma destinação adequada aos demais materiais.
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A P-33 chegou ao destino, mas ainda não entrou no canal de Rio Grande
A aproximação de uma plataforma desse porte exige uma combinação favorável de vento, ondas, correnteza, profundidade e visibilidade. Portanto, mesmo depois de percorrer a maior parte do trajeto, a P-33 precisa aguardar fora do canal.
A estrutura deixou o Porto do Açu, em São João da Barra, no Rio de Janeiro, no dia 23 de julho. Ela permanecia atracada no complexo portuário desde fevereiro de 2024, após encerrar sua trajetória operacional na Bacia de Campos.
Segundo a Petrobras, todas as etapas do deslocamento e do futuro desmantelamento são acompanhadas para garantir o cumprimento das práticas ambientais, sociais e de governança adotadas pela indústria.
A entrada no canal será realizada somente quando houver condições consideradas seguras. Dessa forma, o atraso não representa mudança no destino da plataforma, mas uma medida operacional necessária para proteger trabalhadores, rebocadores, instalações portuárias e a própria estrutura.
Uma plataforma de aproximadamente 45 mil toneladas que marcou a história de Marlim
A P-33 é uma unidade do tipo FPSO, sigla usada para plataformas capazes de produzir, armazenar e transferir petróleo. Durante sua vida operacional, ela trabalhou no Campo de Marlim, na Bacia de Campos.
Construída originalmente em 1978, a estrutura possui cerca de 337 metros de comprimento, 54,5 metros de largura e aproximadamente 45 mil toneladas, conforme informações reunidas pelo Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore.
Seu tamanho ajuda a dimensionar o desafio. Colocada na vertical, a plataforma teria altura superior à da Torre Eiffel, que possui aproximadamente 330 metros considerando sua antena.
Durante anos, a P-33 participou da produção no Campo de Marlim, uma das áreas que ajudaram a consolidar a Petrobras como referência mundial em exploração e produção de petróleo em águas profundas.
Entretanto, os campos de Marlim e Voador passaram por um processo de revitalização. As antigas unidades estão sendo substituídas principalmente pelos FPSOs Anna Nery e Anita Garibaldi, plataformas mais modernas, eficientes e preparadas para reduzir emissões durante a produção.
Do petróleo para a siderurgia: o aço da P-33 terá uma nova utilização
A P-33 foi comercializada em 2023 para a Gerdau, em parceria com o Grupo Ecovix. Agora, o Estaleiro Rio Grande ficará responsável pela desmontagem física da plataforma.
Após a entrada no estaleiro, equipes especializadas iniciarão os procedimentos de preparação, limpeza, separação de materiais e corte das estruturas. A previsão divulgada pela Ecovix indica que o serviço poderá durar aproximadamente oito meses.
O processo não consiste simplesmente em cortar uma plataforma e retirar suas peças. Antes disso, os trabalhadores precisam identificar resíduos, remover equipamentos, separar materiais potencialmente contaminados e garantir que cada componente receba a destinação correta.
A sucata metálica recuperada será encaminhada à Gerdau e utilizada na fabricação de novos produtos de aço, incluindo o processamento na unidade de Charqueadas, no Rio Grande do Sul.
Assim, parte da estrutura que permaneceu durante anos no oceano poderá retornar à economia na forma de aço empregado em construções, máquinas, equipamentos e outros produtos industriais.
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Paulo Nogueira
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Experiência com a P-32 abriu caminho para o novo desmantelamento
A P-33 ocupará no estaleiro o espaço anteriormente utilizado pela P-32. Essa plataforma passou pelo primeiro processo de reciclagem sustentável de uma unidade flutuante da Petrobras realizado no Brasil.
O desmantelamento da P-32 foi concluído pelo Estaleiro Rio Grande em junho de 2026. De acordo com a Ecovix, mais de 90% de sua estrutura foi reaproveitada como sucata metálica.
A experiência deixou equipes treinadas, procedimentos estabelecidos e conhecimentos que poderão reduzir dificuldades durante o trabalho com a P-33. Embora as duas estruturas não sejam idênticas, elas apresentam dimensões e pesos semelhantes.
Além do aço, componentes que ainda possuíam utilidade social também foram reaproveitados durante o projeto anterior. Uma cozinha foi destinada a uma escola, colchões foram encaminhados a uma entidade que atende mulheres em situação de vulnerabilidade e outros materiais receberam destinação controlada.
Esse modelo mostra como o descomissionamento pode movimentar diferentes cadeias econômicas. A operação envolve profissionais de engenharia, segurança, logística, meio ambiente, movimentação de cargas, corte industrial e gestão de resíduos.
Estaleiro Rio Grande concilia reciclagem da P-33 com 13 novos navios
A chegada da plataforma ocorre em um momento de retomada do Polo Naval de Rio Grande. Além do desmantelamento, a Ecovix possui uma carteira que reúne 13 embarcações contratadas pela Transpetro.
O conjunto inclui quatro navios do tipo Handymax, cinco gaseiros destinados ao transporte de GLP e quatro navios petroleiros da classe MR1. Os projetos serão executados ao longo dos próximos anos.
Segundo a administração da Ecovix, o estaleiro foi projetado para processar aproximadamente 80 mil toneladas de aço por ano. A empresa afirma que possui capacidade de docagem, fabricação de blocos e processamento suficiente para conciliar as encomendas com a reciclagem da P-33.
Essa combinação representa uma mudança importante para o complexo gaúcho. Durante os anos de crise da construção naval, parte significativa da infraestrutura permaneceu ociosa. Agora, o estaleiro volta a reunir construção de navios, reciclagem de plataformas e preparação de mão de obra.
Petrobras prevê retirar 18 plataformas de operação até 2030
O caso da P-33 faz parte de um movimento muito maior. O Plano Estratégico da Petrobras prevê o descomissionamento de 18 plataformas até 2030, incluindo sete unidades fixas e 11 flutuantes.
Na prática, isso significa que outras estruturas que chegaram ao fim de sua vida operacional precisarão ser removidas, desmontadas, recicladas ou destinadas a projetos autorizados.
Para os estaleiros brasileiros, esse mercado pode representar uma nova fonte de contratos. Contudo, os projetos dependem de capacidade técnica, instalações adequadas, controle ambiental rigoroso e segurança durante todas as etapas.
A transformação da P-33 em aço simboliza justamente essa transição. Depois de participar da produção de petróleo no mar, a antiga plataforma encerra sua trajetória industrial no Sul do Brasil.
Antes disso, porém, será preciso esperar a decisão do próprio oceano. Somente com vento, ondas e correntes favoráveis o gigante de 337 metros poderá completar os últimos quilômetros de sua viagem e entrar no Estaleiro Rio Grande.
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Tags
industria naval
Fonte
JC
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

