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Gilcilene, a mulher que levou fábrica de papel para dentro de presídio, ampliou produção de 70 para mil fardos por dia e mira alcançar 180 cidades

Gilcilene, a mulher que levou fábrica de papel para dentro de presídio, ampliou produção de 70 para mil fardos por dia e mira alcançar 180 cidades

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Gilcilene, a mulher que levou fábrica de papel para dentro de presídio, ampliou produção de 70 para mil fardos por dia e mira alcançar 180 cidades

Escrito por Flavia Marinho

Publicado em 25/08/2026 às 06:27

Atualizado em 25/08/2026 às 06:28

Gilcilene Lima de Pontes apresenta papel higiênico e papel-toalha produzidos pela Gpel. Foto: Divulgação/Agência Sebrae SP.

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A Gpel transferiu sua operação para a Penitenciária de Registro, passou de 70 para mil fardos de papel por dia com cinco trabalhadores internos, conquistou 49 clientes e agora planeja estruturar vendas e logística para chegar a 180 cidades.

Uma decisão tomada em meio a dificuldades financeiras mudou a escala de uma pequena indústria de papel no Vale do Ribeira. Gilcilene Lima de Pontes transferiu a Gpel para a Penitenciária de Registro e viu a produção diária saltar de 70 para mil fardos, um avanço de mais de 14 vezes.

A operação passou de dois funcionários externos para cinco trabalhadores internos. Com o novo ritmo, uma matéria-prima que antes durava quase um ano foi consumida em apenas 14 dias. O crescimento trouxe um problema inesperado: era preciso encontrar compradores para absorver o volume.

Empresária leva fábrica de papel para dentro de presídio em Registro, amplia produção diária de 70 para mil fardos com cinco trabalhadores e mira alcançar 180 cidades

Gilcilene cresceu na zona rural e começou a empreender aos 23 anos. A Gpel foi formalizada em 2013 e fabrica papel higiênico, papel-toalha e lençol hospitalar. A instalação dentro da unidade prisional começou a funcionar em novembro de 2024.

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Segundo a reportagem oficial do Sebrae-SP, ela foi a primeira empreendedora do Vale do Ribeira a aceitar o convite para levar uma fábrica ao presídio. Outras empresas da região haviam recusado a proposta ao longo de quatro anos.

A mudança exigiu oito meses de trâmites burocráticos e instalação de máquinas. O crédito bancário que Gilcilene aguardava havia seis anos foi liberado justamente durante essa etapa, permitindo que o projeto avançasse.

Produção cresce de 70 para mil fardos por dia

Fora do presídio, a Gpel tinha dois funcionários e produzia 70 fardos por dia. Dentro da unidade, com cinco trabalhadores, alcançou mil fardos diários. O salto expôs gargalos comerciais que não apareciam na escala anterior.

Com produto acumulado e poucos compradores, Gilcilene procurou orientação empresarial. A revisão de custos mostrou que a nova estrutura permitia reposicionar os preços. Com valores mais competitivos, a indústria ampliou o alcance comercial.

Representantes locais durante ação de cidadania, trabalho e renda na Penitenciária de Registro. Foto: Divulgação/Prefeitura de Registro.

Gpel atende 49 clientes ao longo da Régis Bittencourt

A fábrica atende atualmente 49 clientes, entre restaurantes e postos de combustível. A rota comercial acompanha a Rodovia Régis Bittencourt entre Miracatu, no interior paulista, e Curitiba, no Paraná.

A meta é levar os produtos a 180 cidades. No curto prazo, Gilcilene pretende construir um depósito com escritório, estrutura considerada necessária para organizar estoque, vendas e distribuição sem perder o controle do crescimento.

A expansão também exige cautela. Uma produção maior só se sustenta quando capacidade de entrega, qualidade, caixa e carteira de clientes avançam juntos. O caso mostra que eliminar um gargalo pode revelar imediatamente outro.

Trabalho prisional tem regras de remuneração e jornada

A Lei de Execução Penal define o trabalho da pessoa presa como atividade com finalidade educativa e produtiva. O serviço deve ser remunerado, com valor não inferior a três quartos do salário mínimo, e não está submetido ao regime da Consolidação das Leis do Trabalho.

A jornada normal prevista em lei varia de seis a oito horas, com descanso aos domingos e feriados. A atividade precisa considerar aptidão, condição pessoal, segurança, higiene e oportunidades futuras de reinserção no mercado.

Visita institucional a uma área produtiva da Penitenciária de Registro durante jornada de cidadania, trabalho e renda. Foto: Divulgação/Prefeitura de Registro.

Visita institucional a uma área produtiva da Penitenciária de Registro durante jornada de cidadania, trabalho e renda. Foto: Divulgação/Prefeitura de Registro.

Três dias de trabalho podem reduzir um dia da pena

Para condenados em regime fechado ou semiaberto, a legislação prevê a possibilidade de remição de um dia da pena a cada três dias de trabalho. O benefício não é automático: a declaração cabe ao juiz da execução, após manifestação do Ministério Público e da defesa.

Essa regra dá dimensão jurídica ao impacto social apontado no projeto, mas não permite concluir individualmente quanto cada trabalhador da Gpel terá de pena reduzida. Essa informação depende dos registros da unidade e da decisão judicial em cada processo.

A Prefeitura de Registro já desenvolveu ações de cidadania, trabalho e renda na penitenciária. O registro institucional ajuda a situar a fábrica em uma agenda local mais ampla de documentação, qualificação e reintegração social.

Meta de 180 cidades dependerá de vendas e logística

O salto produtivo colocou a Gpel em uma nova fase. A mesma matéria-prima que levava quase um ano para terminar foi processada em duas semanas, sinal de que a estrutura industrial passou a trabalhar em outro patamar.

Agora, o desafio está fora das máquinas. Para chegar a 180 cidades, a empresa terá de ampliar carteira de clientes, armazenagem, transporte e gestão financeira sem comprometer prazos ou qualidade.

Gilcilene transformou uma mudança cercada de incerteza em capacidade produtiva. A fábrica dentro do presídio passou a combinar crescimento empresarial com oportunidade de trabalho, mas o próximo salto dependerá de planejamento comercial tão rigoroso quanto a reorganização da produção.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

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