4 min de leitura
Governo coloca milhões na mesa para salvar ilha do litoral de São Paulo que corre perigo de rompimento com avanço do mar
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 28/08/2026 às 13:37
Curiosidades
Canal
1 pessoa reagiu a isso.
Prefira o CPG no Google
Intervenção de cerca de R$ 12 milhões no Estreito do Melão, em Cananéia, prevê recuperar 1,2 quilômetro de margem com areia da própria região e geotubos para reduzir o risco de abertura entre a laguna e o oceano.
O Governo de São Paulo iniciou uma obra no Estreito do Melão, trecho vulnerável do Parque Estadual da Ilha do Cardoso, em Cananéia, onde o avanço da erosão reduziu a faixa arenosa que separa as águas lagunares do mar.
A intervenção tem investimento de cerca de R$ 12 milhões e prevê recuperar 1,2 quilômetro de margem, distribuído em aproximadamente 600 metros de cada lado do estreito. O serviço é executado pela Fundação Florestal, com projeto e acompanhamento técnico da SP Águas.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
O Ministério Público de São Paulo também acompanha os trabalhos, que procuram reforçar a margem sem bloquear de forma rígida a dinâmica natural da região. A solução escolhida utiliza sedimentos disponíveis no próprio local e grandes tubos geotêxteis instalados na área mais vulnerável.
A preocupação central é impedir que o avanço da erosão provoque o rompimento da estreita faixa de areia. Se isso ocorrer, as águas que hoje percorrem o sistema natural do estreito poderão encontrar uma nova ligação direta com o oceano, alterando a configuração da área.
Rompimento pode atingir navegação e pesca
Em entrevista a A Tribuna, o diretor da SP Águas, Nelson de Campos Lima, explicou que o processo erosivo faz parte da dinâmica natural do local e está ligado principalmente ao movimento das águas e às ressacas extremas.
O problema, segundo Lima, é que a deterioração das margens se acelerou ao longo deste ano e elevou o risco de ruptura da restinga. A mudança poderia aproximar diretamente dois ambientes que hoje permanecem separados pela faixa arenosa.
“Se a gente deixar isso ocorrer naturalmente, poderia haver um rompimento daquela margem, e a gente teria uma mudança, porque eu vou ter uma área lagunar se misturando com uma área de mar, e isso seria um problema”, afirmou.
As possíveis consequências vão além da alteração física do trecho. A avaliação apresentada pelo diretor é que uma ruptura pode afetar as condições de navegação e de pesca, atividades ligadas ao deslocamento e à rotina das comunidades que utilizam os canais da Ilha do Cardoso.
Lima explicou que algumas dessas comunidades poderiam ficar praticamente isoladas caso a nova configuração do canal dificultasse ou impedisse a navegação da forma como ela ocorre atualmente. O risco de mudança na circulação das águas é uma das razões para a intervenção no Estreito do Melão.
A erosão na região já vinha sendo acompanhada por órgãos públicos antes do início da obra. A Defensoria Pública de São Paulo registrou uma vistoria técnica no local com representantes de órgãos ambientais e de comunidades caiçaras.
A visita incluiu o Estreito do Melão e a comunidade do Marujá, também localizada na Ilha do Cardoso. O acompanhamento envolveu representantes da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Fundação Florestal e SP Águas, além de moradores da região.
Geotubos reforçam a faixa de areia
A estratégia adotada não prevê uma barreira rígida de concreto. A areia existente na própria área é utilizada no preenchimento de tubos geotêxteis de grande porte, formando uma estrutura destinada a reforçar a margem e aumentar sua resistência à ação da água.
Os geotubos são posicionados no trecho considerado mais vulnerável, enquanto os sedimentos ajudam a recompor a faixa arenosa. A proposta é proteger o sistema mantendo, tanto quanto possível, as características e os materiais presentes naturalmente naquele ambiente costeiro.
“É uma situação natural. Por isso que a gente está usando material da região, tentando garantir com muito cuidado como vamos fazer essa proteção com geotubos, usando a área da região para impactar o mínimo possível e recuperar o sistema como ele já existe há muito tempo”, explicou Lima.
A estrutura deverá enfrentar variações de maré, movimentação da água e episódios de ressaca, justamente os fatores que condicionam a execução. Como parte dos serviços depende do nível mais baixo da maré, as equipes não conseguem trabalhar continuamente em qualquer condição.
“Se vier uma ressaca, a gente tem que parar. Para a gente poder fazer a base da estrutura, com esses tubos geotêxteis, eu tenho que esperar a maré estar mais baixa. Então, a gente trabalha conforme as condições que temos”, afirmou o diretor.
A localização remota do Estreito do Melão acrescenta outra dificuldade à operação, porque equipamentos e materiais precisam ser transportados até a área de intervenção. As condições naturais do trecho também determinam quando determinadas etapas podem ser executadas com segurança.
Por causa dessas limitações, o prazo estimado para conclusão é de nove meses. Durante esse período, a execução continuará condicionada às marés e às ressacas, enquanto a SP Águas mantém o acompanhamento técnico da intervenção no trecho ameaçado pela erosão.
Tags
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

