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Governo sai de déficit de R$ 59 bilhões para superávit de R$ 10,8 bilhões em julho, enquanto petróleo acrescenta R$ 8 bilhões às receitas até o mês e arrecadação com exploração de recursos naturais cresce 29,4%, em resultado também favorecido pela forte queda nos pagamentos de precatórios
Escrito por Carla Teles
Publicado em 29/08/2026 às 23:22
Atualizado em 29/08/2026 às 23:25
Economia
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O petróleo reforçou as receitas federais em 2026 com R$ 8 bilhões em imposto de exportação até julho, enquanto a exploração de recursos naturais avançou 29,4%; no mês, o governo central registrou superávit primário de R$ 10,783 bilhões, beneficiado também pela forte redução nos pagamentos de precatórios frente a 2025.
O petróleo ganhou peso nas contas públicas brasileiras em um mês marcado por forte mudança no resultado fiscal. Em julho de 2026, o governo central registrou superávit primário de R$ 10,783 bilhões, ante déficit de R$ 59,070 bilhões no mesmo mês de 2025. O resultado reúne as contas do Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social e ficou próximo das projeções do mercado.
Segundo informações publicadas pelo InfoMoney em 27 de agosto de 2026, o desempenho foi favorecido tanto pelo avanço das receitas quanto pela queda das despesas, especialmente dos pagamentos relacionados a precatórios. Ao mesmo tempo, receitas associadas ao petróleo e à exploração de recursos naturais reforçaram o caixa federal durante o ano.
Resultado de julho virou de déficit de R$ 59 bilhões para superávit de R$ 10,8 bilhões
A diferença entre julho de 2025 e julho de 2026 chama atenção pelo tamanho. No ano anterior, o governo central havia registrado déficit primário de R$ 59,070 bilhões naquele mês. Um ano depois, o saldo passou para R$ 10,783 bilhões positivos, uma mudança superior a R$ 69 bilhões entre os dois resultados mensais.
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O número de julho ficou muito próximo da estimativa dos economistas consultados pela Reuters, que projetavam superávit de R$ 10,679 bilhões. A melhora, porém, não pode ser atribuída a um único fator, porque receitas mais elevadas coincidiram com uma redução expressiva de despesas influenciada pelo calendário de pagamento dos precatórios.
Receitas líquidas avançaram 7,7%, enquanto despesas caíram 20,7%
As receitas líquidas, já descontadas as transferências destinadas aos governos regionais, alcançaram R$ 226,305 bilhões em julho, crescimento real de 7,7% em relação ao mesmo período de 2025. As despesas totais chegaram a R$ 215,522 bilhões, registrando queda real de 20,7%.
Essa combinação abriu espaço para o saldo positivo do mês. De um lado, o governo arrecadou mais; do outro, gastou significativamente menos na comparação anual. Dentro das receitas, petróleo, Imposto de Renda, exploração de recursos naturais e arrecadação previdenciária aparecem entre os fatores que ajudaram a fortalecer o caixa.
Pagamentos de precatórios despencaram 99% após mudança no calendário
Uma das principais explicações para a diferença nas despesas está nos precatórios. Em 2026, parte relevante desses pagamentos foi antecipada para março, enquanto no ano anterior os desembolsos haviam se concentrado principalmente em julho. A mudança deslocou uma grande despesa para outro momento do calendário fiscal.
Na comparação entre os dois meses de julho, os pagamentos de sentenças judiciais caíram 99%, segundo dados do Tesouro Nacional. O desembolso ficou R$ 37,1 bilhões abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior. Isso significa que uma parcela importante da melhora mensal decorreu não apenas de maior arrecadação, mas também do momento em que determinadas despesas foram pagas.
Petróleo acrescentou R$ 8 bilhões às contas do governo até julho
O petróleo teve papel específico no lado das receitas. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, o imposto de exportação sobre o produto adicionou R$ 8 bilhões às contas do governo entre janeiro e julho de 2026, em um cenário influenciado pela mudança dos preços provocada pelo conflito no Oriente Médio.
Além desse imposto, houve receitas extraordinárias ligadas às participações especiais do petróleo e à exploração de recursos naturais. O efeito ganhou relevância porque esses valores superaram os mais de R$ 7 bilhões desembolsados pelo governo até julho em subvenções aos combustíveis destinadas a reduzir a pressão provocada pela alta dos preços.
Exploração de recursos naturais elevou arrecadação em R$ 5 bilhões
O desempenho das receitas não ficou restrito ao imposto sobre exportação de petróleo. Em julho, a arrecadação com exploração de recursos naturais aumentou R$ 5 bilhões, avanço real de 29,4% na comparação com julho do ano anterior.
O Imposto de Renda também teve contribuição relevante, com alta de R$ 7 bilhões, ou 9,1%, enquanto as receitas previdenciárias líquidas cresceram R$ 4,2 bilhões, equivalentes a 7,4%. Em sentido contrário, a Cofins recuou R$ 3 bilhões e o PIS/Pasep perdeu aproximadamente R$ 1 bilhão no período.
Queda das despesas também atingiu Previdência, pessoal e encargos
Os efeitos do calendário dos precatórios apareceram em outras rubricas. Os desembolsos com benefícios previdenciários ficaram R$ 18,1 bilhões menores, queda de 17,7%, movimento que também foi fortemente influenciado pelos gastos reduzidos com sentenças judiciais naquele mês.
As despesas com pessoal e encargos sociais recuaram R$ 4,2 bilhões, ou 8,9%. Por outro lado, houve aumento de R$ 4,2 bilhões nos créditos extraordinários relacionados às medidas adotadas para mitigar impactos econômicos do conflito no Oriente Médio. Assim, o superávit de julho combina movimentos de receitas e despesas de naturezas diferentes.
Superávit mensal não elimina déficit de R$ 81,3 bilhões no acumulado do ano
Apesar do resultado positivo de julho e da contribuição das receitas do petróleo, as contas do governo central permaneciam negativas quando observadas em um período mais longo. Entre janeiro e julho de 2026, o déficit primário acumulado era de R$ 81,305 bilhões, superior aos R$ 70,347 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025.
Em 12 meses, o déficit acumulado estava em R$ 71,6 bilhões, equivalente a 0,55% do Produto Interno Bruto. Isso impede interpretar o superávit de julho como reversão definitiva do quadro fiscal, porque o resultado mensal positivo convive com saldo negativo no acumulado do exercício.
Suspensão do imposto sobre petróleo cria nova variável para as receitas
No mesmo dia da divulgação dos dados, uma decisão da Justiça Federal suspendeu a cobrança do imposto de exportação do petróleo. Questionado sobre a decisão e eventuais respostas do Executivo, Daniel Leal afirmou que não comentaria o caso naquele momento.
O secretário ressaltou, contudo, o compromisso com a meta fiscal e indicou que, se uma receita prevista deixar de existir, será necessário buscar alternativas ou controlar despesas. A meta de 2026 é de superávit equivalente a 0,25% do PIB, com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual e determinadas despesas fora do cálculo.
Petróleo ajudou o caixa, mas precatórios explicam parte decisiva da virada
Os números de julho mostram duas forças atuando simultaneamente. O petróleo acrescentou bilhões às receitas acumuladas, a exploração de recursos naturais avançou 29,4% e outras fontes de arrecadação também cresceram. Ao mesmo tempo, a queda de 99% nos pagamentos de precatórios retirou dezenas de bilhões de reais da comparação mensal das despesas.
Por isso, o salto de um déficit de R$ 59,070 bilhões para um superávit de R$ 10,783 bilhões precisa ser observado dentro desse contexto mais amplo, especialmente porque o acumulado do ano ainda estava negativo. Na sua avaliação, pesa mais nesse resultado o reforço das receitas com petróleo ou a queda excepcional nos precatórios? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

