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Há 12 anos recolhendo lixo nas ruas, gari encontra livros descartados, monta acervo para a comunidade e ainda publica a própria obra

Há 12 anos recolhendo lixo nas ruas, gari encontra livros descartados, monta acervo para a comunidade e ainda publica a própria obra

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4 min de leitura

Há 12 anos recolhendo lixo nas ruas, gari encontra livros descartados, monta acervo para a comunidade e ainda publica a própria obra

Escrito por Caio Aviz

Publicado em 11/08/2026 às 14:46

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Imagem ilustrativa representa gari que encontrou livros descartados durante o trabalho e transformou exemplares em um acervo de incentivo à leitura.

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Jonata Nunes Amarante encontrou livros durante o trabalho como gari, reuniu exemplares descartados em um acervo comunitário e também transformou a escrita em uma obra publicada.

Em 2021, Jonata Nunes Amarante, de 33 anos, já acumulava 12 anos de trabalho como gari em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A rotina de recolhimento de resíduos acabou aproximando ainda mais duas atividades que faziam parte de sua vida: a leitura e a escrita. Durante o serviço pelas ruas da cidade, ele encontrava livros descartados e passou a recolher os exemplares.

O material que antes seria levado junto aos resíduos começou a ganhar outro destino. Com o passar do tempo, os livros recuperados deram origem a um acervo literário compartilhado com moradores de sua comunidade, iniciativa criada com o objetivo de estimular a leitura na região.

A relação de Jonata com os livros não ficou restrita ao que encontrava durante o trabalho. Leitor assíduo, ele também se dedicava à escrita e chegou a publicar uma obra própria. O livro “Poeta do Asfalto: o tempo é uma prioridade” aborda os medos vividos por ele durante a pandemia do coronavírus.

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Livros encontrados durante o trabalho como gari começaram a formar um acervo comunitário

O contato frequente com resíduos descartados nas ruas de Porto Alegre permitiu que Jonata encontrasse livros que ainda poderiam ser aproveitados. Em vez de deixar os exemplares seguirem o mesmo destino do restante do material recolhido, ele passou a separá-los e guardá-los.

Aos poucos, esses livros começaram a formar um acervo. A coleção deixou de atender apenas ao interesse pessoal de Jonata pela leitura e passou a ser disponibilizada para moradores de sua comunidade.

A intenção era incentivar outras pessoas a lerem. Dessa forma, exemplares retirados do lixo voltaram a circular entre leitores e passaram a integrar uma iniciativa voltada diretamente à região onde Jonata vivia.

Interesse pela leitura ajudou a dar novo destino aos livros descartados nas ruas

A criação do acervo estava ligada a um hábito que Jonata já mantinha. Ele era um leitor assíduo e tinha na literatura um de seus principais interesses fora da rotina profissional.

Os livros encontrados durante o recolhimento de resíduos passaram, assim, a ter utilidade dentro de uma atividade que já fazia parte de sua vida. A quantidade de exemplares recuperados permitiu que o interesse individual fosse ampliado para outras pessoas.

O acervo compartilhado com a comunidade nasceu justamente dessa combinação. De um lado estava o trabalho cotidiano nas ruas de Porto Alegre. Do outro, havia o interesse por livros e a intenção de estimular a leitura entre os moradores.

Livros descartados ganham novo destino em acervo comunitário.

Escrita levou Jonata da condição de leitor à publicação de um livro próprio

A relação com a literatura também avançou para a escrita. Jonata não apenas lia e reunia livros encontrados no lixo, como também produzia seus próprios textos.

Esse interesse resultou na publicação de “Poeta do Asfalto: o tempo é uma prioridade”. A obra marcou sua experiência como autor e acrescentou outra dimensão à relação que ele mantinha com os livros.

O título publicado abordou sentimentos ligados a um período específico. Jonata escreveu sobre os medos que enfrentou durante a pandemia do coronavírus, tema central apresentado em sua obra.

“Poeta do Asfalto” reuniu medos vividos por Jonata durante a pandemia

A pandemia do coronavírus serviu como contexto para o conteúdo do livro escrito por Jonata. Os sentimentos experimentados naquele período foram levados para a obra e passaram a integrar seu trabalho como autor.

A publicação ocorreu paralelamente a uma rotina já marcada pela presença constante da literatura. Enquanto livros encontrados durante o serviço eram reunidos e compartilhados, Jonata também desenvolvia sua própria produção escrita.

Essa ligação entre leitura e escrita fez com que os livros ocupassem diferentes espaços em sua trajetória. Eles apareciam durante o trabalho como gari, formavam um acervo comunitário e também estavam presentes na produção de uma obra própria.

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Caio Aviz

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História ganhou repercussão em novembro de 2021 após 12 anos de trabalho nas ruas de Porto Alegre

A história de Jonata Nunes Amarante foi publicada em 14 de novembro de 2021. Naquele momento, ele tinha 33 anos e trabalhava havia 12 anos como gari na capital gaúcha.

A rotina profissional se conectou diretamente ao interesse pela literatura. Livros descartados durante o recolhimento de resíduos foram preservados, reunidos e posteriormente disponibilizados para moradores da comunidade.

Ao mesmo tempo, Jonata mantinha sua própria relação com a escrita. A publicação de “Poeta do Asfalto: o tempo é uma prioridade” completava uma trajetória na qual livros encontrados nas ruas, leitura comunitária e produção literária passaram a ocupar o mesmo espaço.

Acervo criado com livros descartados passou a incentivar leitura dentro da própria comunidade

O projeto construído por Jonata partiu de algo encontrado diariamente em seu trabalho. Livros que haviam sido jogados fora deixaram de seguir para o descarte e passaram a compor uma coleção destinada a novos leitores.

A proposta de compartilhar o acervo ampliou o alcance daqueles exemplares. O que começou durante o recolhimento de resíduos se transformou em uma forma de incentivar o acesso à leitura entre moradores da região.

A história de Jonata reúne, portanto, três elementos que passaram a caminhar juntos ao longo de sua rotina: o trabalho como gari, o interesse pela literatura e a escrita. Em novembro de 2021, essa combinação já havia resultado em um acervo comunitário e na publicação de seu próprio livro.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

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