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Há 2.000 anos, habitantes do Vietnã passavam dias aplicando sais de ferro, taninos e ácidos nos dentes para deixá-los negros, e cientistas agora descobriram como o ritual funcionava
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 13/08/2026 às 19:57
Atualizado em 13/08/2026 às 19:58
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Descubra como análises químicas revelaram que uma receita milenar com sais de ferro e taninos tingia dentes de preto no Vietnã há 2.000 anos.
Cientistas descobriram, em agosto de 2026, que restos humanos datados de 2.000 anos encontrados no sítio arqueológico de Dong Xa, no norte do Vietnã, pertencentes à Idade do Ferro, exibiam uma coloração escura incomum devido a uma prática intencional de modificação corporal.
Através de análises químicas não destrutivas que revelaram vestígios de ferro e enxofre no esmalte, pesquisadores comprovaram que o escurecimento dos dentes negros era feito de propósito.
O resultado vem de um procedimento complexo envolvendo sais de ferro e compostos vegetais ricos em taninos, ampliando o registro histórico dessa tradição estética e cultural na região.
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Significado cultural e o impacto para a arqueologia
A identificação da assinatura química de ferro e enxofre no esmalte oferece aos pesquisadores um método seguro para diferenciar manchas naturais de intervenções humanas intencionais em futuros achados arqueológicos.
Além de ampliar em cerca de 2.000 anos o registro histórico dessa customização no Vietnã, a descoberta gerou reflexões profundas sobre os costumes locais.
A rigidez e a complexidade do método evidenciam que o escurecimento não era um efeito colateral da dieta, mas sim uma prática deliberada de modificação corporal.
Embora a origem exata da tradição ainda divida opiniões acadêmicas entre hipóteses de alteração dentária ou o hábito de mascar noz de areca, os registros posteriores comprovam sua relevância estética e cultural na sociedade da época.
As etapas e a complexidade do procedimento milenar
A reconstrução histórica baseada em dados etnográficos demonstrou que a técnica exigia um ritual demorado e bastante complexo que ultrapassava duas semanas de trabalho.
A execução envolvia diferentes fases metodológicas bem definidas para atingir o resultado esperado:
- Limpeza preliminar: A arcada dentária passava por uma preparação inicial de aproximadamente três dias para receber os tratamentos.
- Aplicação tânica: Extratos vegetais ricos em taninos eram aplicados de forma sucessiva durante vários dias consecutivos.
- Fixação do tom: Agentes químicos contendo sais de ferro e ácidos complementares — como vinagre, limão ou vinho de arroz — participavam da fase responsável pela cor escura.
- Acabamento final: Etapas de polimento com derivados de coco ou carvão garantiam o aspecto liso e brilhante da superfície.
O mecanismo químico e a receita dos dentes negros
Os dados obtidos ganharam clareza quando cruzados com registros etnográficos de períodos posteriores no país, cujos resultados foram divulgados na publicação científica Archaeological and Anthropological Sciences.
A pesquisa apontou que o procedimento envolvia a mistura de sais de ferro com substâncias vegetais altamente concentradas em taninos.
Quando os taninos — compostos naturais presentes em diversas plantas — entram em contato com elementos de ferro, ocorrem reações químicas capazes de gerar uma pigmentação escura e de grande durabilidade.
Esse princípio científico explica com precisão o estado em que os dentes negros foram preservados ao longo dos séculos.
A descoberta arqueológica no norte do Vietnã
A investigação sobre o escurecimento milenar teve início no sítio arqueológico de Dong Xa, situado no norte do Vietnã e datado da Idade do Ferro.
Nesse local, restos humanos com cerca de 2.000 anos de antiguidade chamaram a atenção da equipe de pesquisa por exibirem uma coloração escura incomum.
Para determinar se a pigmentação era decorrente de fatores naturais ou de um costume intencional, os especialistas adotaram uma abordagem não destrutiva, analisando amostras sem causar danos ao material histórico.
As técnicas combinadas identificaram a presença marcante de ferro e enxofre directamente no esmalte dos achados, fornecendo os primeiros indícios sólidos sobre o uso deliberado de compostos metálicos na antiguidade.
Fonte
Revista Oeste
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

