Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Há quase 40 anos, homem encontrou filhotes órfãos de um dos maiores mamíferos do mundo em um frigorífico de Santa Catarina, resolveu levá-los para casa e não imaginava que aquela adoção daria origem a um rebanho de até 40 búfalos, viraria paixão de família e seria passada de pai para filhas

Há quase 40 anos, homem encontrou filhotes órfãos de um dos maiores mamíferos do mundo em um frigorífico de Santa Catarina, resolveu levá-los para casa e não imaginava que aquela adoção daria origem a um rebanho de até 40 búfalos, viraria paixão de família e seria passada de pai para filhas

SC

8 min de leitura

Há quase 40 anos, homem encontrou filhotes órfãos de um dos maiores mamíferos do mundo em um frigorífico de Santa Catarina, resolveu levá-los para casa e não imaginava que aquela adoção daria origem a um rebanho de até 40 búfalos, viraria paixão de família e seria passada de pai para filhas

Escrito por Ana Alice

Publicado em 20/08/2026 às 22:31

Atualizado em 20/08/2026 às 22:37

Curiosidades

Canal

Assista o vídeo
Família de Pomerode cria búfalos há quase 40 anos após adotar filhotes órfãos e mantém tradição que atravessa gerações em Santa Catarina. – Crédito: Reprodução/ND Mais

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

Uma decisão tomada há quase quatro décadas em Pomerode transformou búfalos órfãos em parte da rotina de uma família, que passou a criar, reproduzir e levar esses animais a exposições e eventos em Santa Catarina.

Há quase quatro décadas, uma ida a um frigorífico em Santa Catarina mudou a rotina de Klaus Dieter Volkmann.

Em meio aos animais, o morador de Pomerode, no Vale do Itajaí, encontrou filhotes de búfalo órfãos e tomou uma decisão que acabaria atravessando gerações: levou os animais para casa e começou seu próprio plantel.

O episódio aconteceu há cerca de 38 anos, segundo relato recente da família reproduzido pela Rádio Itatiaia a partir de informações do portal local Testo Notícias.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

O que começou com a adoção daqueles filhotes cresceu, chegou a reunir dezenas de animais e passou a envolver também as filhas de Klaus.

Hoje, a família Volkmann continua criando búfalos em Pomerode.

A atualização mais recente localizada informa 12 animais no rebanho atual, todos nascidos na propriedade, depois de uma fase em que a criação chegou a reunir mais de 35 fêmeas reprodutoras e dois machos.

Mais do que uma atividade pecuária, os búfalos acabaram se tornando parte da história familiar.

Criação de búfalos começou com filhotes órfãos

Klaus não planejava construir uma tradição de quase quatro décadas em torno dos animais.

Segundo seu relato, ele havia ido até um frigorífico quando encontrou um grupo de búfalos pequenos que havia ficado órfão.

A cena despertou sua atenção.

Eu adotei esses búfalos pequenos e comecei o meu plantel”, recordou Klaus ao contar como surgiu a criação.

A partir daqueles primeiros animais, o número começou a crescer.

O interesse também aumentou à medida que Klaus conhecia melhor o comportamento dos búfalos e descobria características diferentes da imagem de animal agressivo que muitas pessoas associavam ao seu porte.

Com o passar dos anos, a criação também ganhou função comercial e presença em exposições.

O rebanho chegou a superar três dezenas de fêmeas reprodutoras, além dos machos mantidos para reprodução, segundo informações divulgadas pela família em 2026.

Klaus Dieter Volkmann mantém uma criação de búfalos em Pomerode há quase quatro décadas, iniciada após a adoção de filhotes órfãos. Crédito: Reprodução/ND Mais

Porte dos búfalos impressiona, mas família destaca comportamento dócil

Búfalos domésticos pertencem à espécie Bubalus bubalis e incluem diferentes grupos e raças criados para produção de carne, leite e também para trabalho.

A Embrapa classifica os búfalos domésticos entre animais de médio a grande porte.

Em um dos grupos estudados pela instituição, machos adultos podem atingir aproximadamente 650 quilos, enquanto fêmeas ficam em torno de 500 quilos.

Outras raças, como a Jafarabadi, podem atingir pesos ainda maiores.

Visualmente, os animais chamam atenção pelo corpo pesado, pelos chifres e pela força.

Na propriedade dos Volkmann, entretanto, Klaus afirma que o comportamento observado ao longo de décadas é muito menos intimidador do que a aparência sugere.

Segundo ele, a maneira como o animal é tratado interfere diretamente nessa convivência.

Klaus atribui parte da reputação de agressividade dos búfalos ao manejo inadequado e defende que respeito e conhecimento dos limites do animal são essenciais.

Ao falar sobre sua experiência, ele chegou a afirmar que, quando bem tratados, os búfalos podem ser mais dóceis do que muitas pessoas imaginam.

Cada búfalo da propriedade acabou ganhando um nome

O vínculo foi ficando mais evidente conforme os animais passaram a participar também de feiras e exposições.

A família adotou o hábito de dar nomes aos búfalos, prática associada inicialmente à necessidade de identificar os exemplares levados aos eventos.

Com o tempo, chamar cada animal pelo nome deixou de ser apenas uma questão de registro.

Virou parte da relação cotidiana da família com o rebanho.

Essa proximidade também ajuda a explicar por que a criação permaneceu mesmo depois de mudanças no tamanho do plantel.

A atividade já teve dimensão maior e função comercial mais intensa, mas os animais continuaram fazendo parte da rotina de Klaus e de suas filhas.

Assista o vídeo

Rebanho já teve mais de 35 fêmeas reprodutoras

A quantidade de búfalos mudou bastante ao longo da história.

O relato inicial apresentado na matéria citava 14 animais atualmente, mas uma atualização publicada em 14 de agosto de 2026 informa que a propriedade mantém 12 búfalos, todos nascidos no local.

No auge, segundo a mesma fonte, foram mais de 35 fêmeas reprodutoras e dois machos.

Parte dos animais foi comercializada ao longo do tempo.

Outros participaram de exposições e eventos, onde visitantes puderam se aproximar de uma espécie que ainda é menos comum em propriedades rurais de Santa Catarina do que bovinos ou cavalos.

Esses encontros também acabaram se tornando uma maneira de apresentar ao público outro lado dos búfalos.

A filha Julia Volkmann Siewerdt conta que algumas pessoas chegam esperando encontrar animais selvagens ou agressivos e mudam de impressão depois da aproximação.

Quando descobrem que eles são tranquilos e retribuem o carinho, acabam se encantando”, relatou.

Água faz parte da rotina dos búfalos na propriedade

Uma das características associadas ao búfalo doméstico é sua relação com ambientes úmidos.

A própria denominação internacional “water buffalo”, ou búfalo-d’água, está relacionada ao hábito desses animais de permanecer em rios, áreas alagadas e charcos.

A Embrapa descreve essa relação ao abordar as variedades de Bubalus bubalis criadas no Brasil.

Na propriedade da família Volkmann, os animais contam com um espaço próprio para entrar na água.

Segundo o relato familiar, uma grande área alagada abastecida pelas chuvas acabou funcionando como uma espécie de piscina para o rebanho.

Os próprios búfalos ajudaram a moldar o espaço ao longo do tempo.

Klaus também relaciona a rotina da criação à oferta de pastagem e ao acesso a esse ambiente com água.

Depois de décadas de convivência, ele descreve o manejo muito mais em termos de rotina e prazer do que como um peso dentro da propriedade.

Búfalos também participaram da Festa Pomerana

A história dos animais ultrapassou os limites da propriedade.

Julia lembra que, quando criança, chegou a participar de desfiles da Festa Pomerana montada nos búfalos, enquanto outra pessoa conduzia o animal por uma corda.

A experiência colocou os búfalos dentro de uma das celebrações mais tradicionais de Pomerode e aumentou ainda mais a proximidade das filhas com a criação iniciada pelo pai.

Para Julia, o vínculo não surgiu de uma decisão profissional tomada na vida adulta.

Ela cresceu ao lado dos animais.

A convivência diária fez com que aquilo que começou como projeto de Klaus acabasse passando naturalmente para a geração seguinte.

Paixão pelos búfalos passou de Klaus para as filhas

Julia e Antonella acompanharam desde pequenas a rotina do pai com os búfalos.

O aprendizado aconteceu mais pela convivência do que por qualquer planejamento formal de sucessão.

“É um amor que é hereditário”, afirmou Julia ao explicar como ela e a irmã passaram a compartilhar o envolvimento de Klaus com os animais.

Ela associa essa ligação diretamente ao exemplo observado dentro de casa e ao tempo passado ao lado do pai na propriedade.

Com os anos, as filhas também passaram a acompanhar exposições e outras atividades relacionadas ao rebanho.

Julia participa hoje da divulgação da criação e ajuda a contar uma história que começou antes mesmo de ela crescer ao lado daqueles animais.

Manejo genético também entrou na rotina da criação

Por trás do vínculo afetivo, existe igualmente uma preocupação de manejo.

A família afirma ter dedicado atenção ao controle dos cruzamentos ao longo dos anos, evitando reprodução entre animais aparentados.

Essa preocupação é importante em plantéis relativamente pequenos, nos quais manter diversidade genética exige acompanhar a origem dos animais utilizados na reprodução.

Segundo a família, algumas características observadas no rebanho foram sendo preservadas justamente a partir desse acompanhamento.

A história, portanto, não ficou restrita à adoção dos primeiros filhotes.

Transformar aquele grupo inicial em uma criação duradoura exigiu reprodução, seleção dos animais, alimentação, participação em exposições e redução do plantel quando necessário.

Problema de saúde mudou temporariamente a relação com o rebanho

Nos últimos anos, a ligação construída por Klaus com os animais ganhou um significado ainda mais pessoal.

Segundo o relato fornecido pela família, ele enfrentou um problema de saúde e precisou se afastar temporariamente de parte da rotina da criação.

Durante esse período, alguns animais tiveram de deixar a propriedade.

Para as filhas, a ausência pesou justamente porque os búfalos ocupavam um espaço que ultrapassava a atividade econômica.

Julia resumiu essa percepção ao dizer que o amor do pai pelos animais é algo que “cura ele e cura quem está perto dele também”.

A frase ajuda a explicar por que, depois de tantas mudanças no tamanho do rebanho, a família não abandonou a criação.

Recomendado para você

Curiosidades

Aos 45 anos, depois de conquistar o Brasil e o mundo com a música, Michel Teló troca parte da rotina dos palcos por uma fazenda de 14 mil hectares no Mato Grosso do Sul, onde cria gado, planta soja e milho ao lado do pai e do irmão e transforma o campo em refúgio para a esposa e os filhos

A fazenda de Michel Teló em Corumbá reúne produção rural, memória familiar e momentos de descanso, enquanto o cantor divide com o pai e o irmão uma rotina que combina…

Ana Alice

4

Descendentes dos primeiros búfalos continuam na propriedade

Os búfalos que vivem hoje com os Volkmann não são aqueles filhotes encontrados no frigorífico décadas atrás.

Ainda assim, existe uma linha direta entre aquela decisão de Klaus e o plantel mantido em Pomerode em 2026.

A atualização mais recente informa que todos os 12 animais atuais nasceram na própria propriedade.

São descendentes de uma história que começou sem planejamento comercial estruturado, a partir da adoção de animais órfãos.

Depois vieram reprodução, vendas, exposições, desfiles, nomes próprios e a participação das filhas.

Para Klaus, o retorno que permaneceu depois de quase 40 anos não pode ser medido apenas pelo comércio.

O maior retorno é o carinho que eles dão para a gente”, afirmou.

Em uma região onde cavalos e bovinos poderiam parecer escolhas mais previsíveis, uma decisão tomada diante de filhotes órfãos criou uma tradição familiar que já atravessa gerações.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

Sair da versão mobile