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Henrique Sloper assumiu uma fazenda em Pedra Azul, manteve a recuperação do solo e das nascentes, plantou mais de 1,5 mil mudas nativas em 12 meses e mantém 70 hectares de cafezal agroflorestal sem agrotóxicos, onde produz cafés especiais orgânicos e biodinâmicos e venceu prêmio nacional de sustentabilidade

Henrique Sloper assumiu uma fazenda em Pedra Azul, manteve a recuperação do solo e das nascentes, plantou mais de 1,5 mil mudas nativas em 12 meses e mantém 70 hectares de cafezal agroflorestal sem agrotóxicos, onde produz cafés especiais orgânicos e biodinâmicos e venceu prêmio nacional de sustentabilidade

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Henrique Sloper assumiu uma fazenda em Pedra Azul, manteve a recuperação do solo e das nascentes, plantou mais de 1,5 mil mudas nativas em 12 meses e mantém 70 hectares de cafezal agroflorestal sem agrotóxicos, onde produz cafés especiais orgânicos e biodinâmicos e venceu prêmio nacional de sustentabilidade

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 24/08/2026 às 14:31

Atualizado em 24/08/2026 às 14:32

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Entre montanhas capixabas, uma propriedade rural reúne cafeicultura, conservação ambiental e práticas agrícolas desenvolvidas ao longo de décadas.

Sucessão familiar, manejo agroflorestal, proteção dos recursos hídricos e diferentes certificações ajudam a explicar como a Fazenda Camocim ganhou reconhecimento nacional.

À frente da Fazenda Camocim, em Pedra Azul, no município de Domingos Martins, Espírito Santo, Henrique Sloper mantém uma trajetória que combina produção de cafés especiais, recuperação ambiental e proteção dos recursos hídricos em uma propriedade cercada pela Mata Atlântica.

O reconhecimento desse modelo ganhou projeção em setembro de 2025, quando a propriedade conquistou o primeiro lugar entre as médias propriedades no Prêmio Fazenda Sustentável, promovido pela revista Globo Rural, por práticas relacionadas à cafeicultura, biodiversidade e conservação da água.

Cafezal agroflorestal ocupa 70 hectares da Fazenda Camocim

Dos terrenos administrados pela Camocim, 70 hectares são destinados à produção de café, enquanto outros 230 hectares permanecem preservados, conforme dados da Associação Brasileira de Cafés Especiais, que identifica Henrique Sloper como responsável pela condução da propriedade nas montanhas capixabas.

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Em vez de manter a lavoura separada da vegetação, a fazenda integra os cafeeiros a um sistema agroflorestal, no qual árvores nativas proporcionam sombra e participam do manejo do solo, aproximando a atividade comercial das áreas destinadas à conservação ambiental.

Outro componente importante desse modelo está nos recursos hídricos mantidos na propriedade, já que o Relatório de Impacto 2025/2026 registra cinco nascentes e sete represas, dentro de uma área situada em Pedra Azul, a aproximadamente 1.200 metros de altitude.

Para preservar esse conjunto, o plantio e a conservação da vegetação integram a estratégia de proteção da água, enquanto áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente contribuem para manter biodiversidade, solo, paisagem e estabilidade ambiental dentro da propriedade.

Mais de 1,5 mil mudas nativas foram plantadas no cafezal

Dentro da própria área produtiva, mais de 1,5 mil mudas de árvores nativas foram inseridas no cafezal durante os 12 meses considerados pelo relatório de impacto, ampliando a presença de vegetação no espaço onde ocorre a produção comercial dos grãos.

Com essa incorporação, o caráter agroflorestal do cultivo se torna mais presente na lavoura, pois as espécies nativas deixam de ficar concentradas apenas em trechos preservados e passam a participar diretamente do ambiente em que os cafeeiros se desenvolvem.

Desde 2023, outra frente de manejo adotada pela propriedade é o Projeto Micorriza, dedicado à multiplicação de fungos simbióticos encontrados no solo e associados às raízes, organismos que atuam na disponibilização de água e nutrientes, especialmente o fósforo.

Já em 2025, a Camocim informou ter ampliado a colaboração com profissionais e pesquisadores de universidades, buscando aprofundar o conhecimento sobre essa prática e estudar formas de aplicá-la tanto na fazenda quanto em propriedades vizinhas localizadas na mesma região.

Produção orgânica e práticas biodinâmicas avançaram ao longo das décadas

Foi em 1996 que a produção orgânica de cafés começou na Camocim, com a adoção de um modelo voltado aos cafés especiais e sem utilização de agrotóxicos, trajetória que resultou na obtenção da certificação do IBD três anos depois, em 1999.

Com o amadurecimento desse sistema, práticas biodinâmicas também foram incorporadas ao manejo e, em 2008, a propriedade recebeu a certificação Demeter, relacionada a critérios específicos de condução do solo, das plantas e das demais atividades desenvolvidas no ambiente rural.

Anos depois, a fazenda avançou para a certificação Regenerative Organic Certified, em processo iniciado em 2023, e afirma ter se tornado a primeira fazenda e empresa brasileira de cafés especiais a conquistar esse reconhecimento ligado à agricultura orgânica regenerativa.

Ao mesmo tempo, a produção comercial continuou estruturada em torno dos cafés especiais, com trabalho descrito pela própria fazenda como artesanal desde o plantio até o pós-colheita, além de uma rede de comercialização voltada a consumidores brasileiros e compradores internacionais.

Prêmio Fazenda Sustentável reconheceu a propriedade em 2025

Em 25 de setembro de 2025, a Camocim foi eleita a média propriedade rural mais sustentável do Brasil na nona edição do Prêmio Fazenda Sustentável, reconhecimento registrado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais e promovido pela revista Globo Rural.

Entre os aspectos associados à premiação aparecem os 70 hectares destinados à produção, os 230 hectares preservados e práticas relacionadas ao comércio justo, cultivo biodinâmico, cuidado com a fauna e preservação da água na propriedade localizada em Domingos Martins.

Muito antes desse reconhecimento, porém, a transformação ambiental da área já havia começado, pois Olivar Araújo, avô de Henrique Sloper, comprou as terras e dedicou parte de sua trajetória ao plantio de árvores e à construção de uma relação mais próxima com a natureza.

Quando passou a conduzir o empreendimento, Sloper deu continuidade a esse legado ao integrar a produção de cafés orgânicos, biodinâmicos e especiais a novas ações de regeneração do solo, ampliação da vegetação nativa e proteção permanente das nascentes existentes na fazenda.

Hoje, a Camocim reúne 70 hectares produtivos, 230 hectares preservados, cinco nascentes, sete represas e mais de 1,5 mil novas mudas inseridas no cafezal em 12 meses, mantendo produção agrícola e conservação ambiental dentro do mesmo modelo de ocupação rural.

Até que ponto uma estrutura que mantém a lavoura comercial integrada à floresta, protege a água e amplia a vegetação nativa pode servir de referência para outras propriedades de café que buscam conciliar produção agrícola e conservação ambiental?


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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