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Homem começou fazendo pães e biscoitos numa pequena padaria de Fortaleza, contou com a ajuda do filho Ivens e transformou o negócio na M. Dias Branco, gigante brasileira com 22 complexos industriais, marcas presentes em todo o país e receita de R$ 10,4 bilhões em 2025
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 06/08/2026 às 11:13
Atualizado em 06/08/2026 às 11:14
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Imigrante português começou em 1951 produzindo pães e biscoitos com técnicas artesanais em uma padaria de Fortaleza, abriu dois anos depois uma pequena fábrica e criou o negócio que virou a M. Dias Branco, líder brasileira em massas e biscoitos e dona de marcas como Adria, Piraquê, Vitarella e Fortaleza
O que começou com pães e biscoitos produzidos em uma padaria de Fortaleza tornou-se uma das maiores empresas de alimentos do Brasil. A história foi iniciada pelo imigrante português Manuel Dias Branco e ganhou força quando seu filho Ivens, ainda adolescente, entrou no negócio e defendeu a fabricação própria de biscoitos.
A companhia terminou 2025 com receita líquida de R$ 10,4 bilhões e vendas de 1,81 milhão de toneladas de alimentos. Atualmente, mantém marcas como Fortaleza, Adria, Vitarella, Piraquê, Richester, Isabela, Jasmine, Finna, Pilar e Treloso, além de fábricas, moinhos e centros de distribuição espalhados pelo Brasil.
Padaria Imperial deu origem à história da M. Dias Branco
A origem do grupo está ligada à Padaria Imperial, fundada em Fortaleza por Manuel Dias Branco. O português havia chegado ao Brasil e construído sua vida no comércio de alimentos, trabalhando com uma atividade que dependia de produção diária e contato direto com os consumidores.
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O estabelecimento funcionava inicialmente no Centro de Fortaleza, na Rua Visconde do Rio Branco. Mais tarde, a padaria foi transferida para a Rua João Cordeiro, no bairro Aldeota, região que crescia rapidamente junto com a capital cearense.
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A mudança permitiu ampliar o trabalho e instalar uma pequena área de fabricação de biscoitos no segundo andar. O negócio ainda estava distante da estrutura industrial atual, mas aquele espaço representou o começo da transformação de uma padaria familiar em fabricante de alimentos.
Produção de pães e biscoitos ganhou força em 1951
A linha do tempo oficial da M. Dias Branco utiliza 1951 como o marco da panificação e da fabricação de biscoitos na Padaria Fortaleza. Os produtos ainda eram preparados em uma escala pequena, muito diferente das linhas automatizadas usadas atualmente.
O pão era um produto tradicional da padaria, enquanto os biscoitos abriram uma nova oportunidade. Eles podiam permanecer conservados por mais tempo, ser embalados e vendidos em pontos comerciais localizados além da vizinhança do estabelecimento.
Essa diferença permitia aumentar a área atendida pelo negócio. Em vez de depender somente das pessoas que entravam na padaria, a família poderia produzir mercadorias capazes de chegar a outros bairros e, posteriormente, a outras cidades.
Ivens Dias Branco entrou no negócio com apenas 17 anos
Ivens Dias Branco tinha 17 anos quando decidiu trabalhar ao lado do pai. Segundo a história divulgada pela própria empresa, foi ele quem convenceu Manuel Dias Branco a investir na fabricação de biscoitos junto à padaria.
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O jovem passou a acompanhar a produção, observar as preferências dos clientes e participar das decisões sobre os produtos. A entrada de Ivens acrescentou ao negócio uma visão voltada à fabricação em maior quantidade e à expansão comercial.
Manuel possuía a experiência da padaria e do contato com os consumidores. Ivens ajudou a direcionar essa experiência para uma atividade industrial, na qual máquinas, fornos, embalagens e distribuição teriam importância crescente.
Biscoito Pepita foi o primeiro grande sucesso da marca
O primeiro sucesso comercial da marca Fortaleza foi um biscoito do tipo Maria. Ivens escolheu o nome Pepita, em referência a uma pepita de ouro e à expectativa de que o produto se tornasse valioso para o negócio.
O biscoito ajudou a tornar o nome Fortaleza conhecido pelos consumidores. O produto possuía uma receita simples, preço acessível e podia ser consumido no café da manhã, no lanche ou acompanhado de bebidas.
O aumento das vendas mostrou que a fabricação de biscoitos poderia crescer além da estrutura da padaria. Para atender à procura, a família precisaria investir em equipamentos e criar uma operação mais organizada.
Fábrica Fortaleza iniciou a produção em maior escala em 1953
O ano de 1953 é considerado oficialmente o início das atividades da Fábrica Fortaleza. A nova estrutura passou a produzir biscoitos e massas em maior escala na capital cearense.
A pequena fabricação junto à padaria já existia, mas 1953 marcou a transformação dessa atividade em uma operação industrial. A empresa passou a separar melhor a produção, o armazenamento e a preparação dos alimentos para distribuição.
O nome Fortaleza foi escolhido como homenagem à cidade que havia recebido a família Dias Branco. A marca permaneceu ligada ao Ceará e se tornou uma das mais tradicionais do portfólio da companhia.
Máquinas, fornos e moldes ampliaram a produção
Entre 1954 e 1960, Manuel e Ivens investiram na compra de máquinas, fornos e moldes. Os equipamentos permitiram aumentar a quantidade de biscoitos produzidos e manter maior regularidade no tamanho, no formato e no tempo de preparo.
A mecanização não aconteceu de uma única vez. A estrutura foi crescendo conforme as vendas aumentavam, enquanto os proprietários reinvestiam parte dos resultados na ampliação da fábrica.
O processo transformou tarefas manuais em etapas industriais. A produção passou a depender de equipamentos capazes de misturar ingredientes, moldar a massa, assar os biscoitos e preparar os produtos para a embalagem.
Produção de macarrão abriu um novo mercado
Depois dos biscoitos, a empresa começou a produzir macarrão. A escolha fazia sentido porque massas e biscoitos utilizam a farinha de trigo como um de seus principais ingredientes.
A entrada nesse mercado permitiu aproveitar parte do conhecimento, dos fornecedores e da estrutura já usada na fábrica. A companhia passou a oferecer alimentos destinados tanto aos lanches quanto às principais refeições das famílias.
Os produtos da marca Fortaleza avançaram inicialmente pelo Ceará e por outros estados das regiões Norte e Nordeste. O crescimento regional criou a base financeira e comercial necessária para futuras expansões.
Nova fábrica foi construída em Eusébio em 1980
Com o avanço das vendas, as ampliações realizadas na antiga estrutura deixaram de ser suficientes. Em 1980, a empresa inaugurou uma nova sede da Fábrica Fortaleza no município de Eusébio, localizado na Região Metropolitana de Fortaleza.
O novo endereço permitiu instalar linhas maiores e organizar melhor a entrada de matérias-primas e a saída dos produtos. A unidade evoluiu até se tornar um complexo que reúne fabricação de massas, biscoitos, bolinhos e torradas, além de moagem de trigo.
A mudança representou uma transformação de escala. A empresa deixou para trás as limitações da antiga padaria e passou a operar em um terreno preparado para receber instalações industriais, armazéns e equipamentos de grande porte.
Moinho próprio reduziu a dependência de fornecedores
Em 1992, começou a funcionar o Moinho Dias Branco, em Fortaleza. A unidade passou a produzir farinha e farelo de trigo, destinando parte da produção às fábricas da empresa e vendendo o restante no mercado.
O investimento colocou sob o controle da companhia uma etapa essencial da fabricação. Como massas e biscoitos dependem da farinha, possuir moinhos próprios facilita o acompanhamento da qualidade e do abastecimento.
Esse modelo é conhecido como verticalização. Em vez de comprar todos os ingredientes já processados por outras empresas, a M. Dias Branco passou a fabricar internamente parte dos insumos usados em seus produtos.
Expansão industrial avançou pelo Nordeste
Em 2000, a empresa iniciou as atividades de um moinho de trigo e de uma fábrica de massas em Natal, no Rio Grande do Norte. O investimento ampliou a produção fora do Ceará e aproximou as fábricas de outros mercados consumidores.
Dois anos depois, foi inaugurada em Fortaleza uma unidade de gorduras e margarinas especiais. Esses ingredientes passaram a abastecer a produção de biscoitos e também deram origem a produtos vendidos diretamente ao consumidor.
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A empresa passou, assim, a controlar farinha, massas, biscoitos e parte das gorduras utilizadas nas receitas. A integração ajudou a reduzir riscos de abastecimento e permitiu acompanhar diferentes etapas da produção.
Compra da Adria transformou a empresa em um grupo nacional
Em 2003, a M. Dias Branco adquiriu as marcas Adria, Basilar, Isabela e Zabet. A operação incluiu fábricas instaladas em São Paulo e no Rio Grande do Sul e ampliou fortemente a presença nas regiões Sul e Sudeste.
Até aquele momento, o grupo mantinha sua atuação mais concentrada no Norte e no Nordeste. A compra da Adria permitiu chegar rapidamente a supermercados e consumidores de outras partes do país.
A aquisição também levou marcas já conhecidas regionalmente para dentro da mesma companhia. A M. Dias Branco passou a combinar o crescimento de produtos próprios com a compra de empresas que possuíam fábricas, equipes e redes de distribuição estabelecidas.
Abertura de capital financiou uma nova fase de crescimento
Em 2006, a M. Dias Branco abriu seu capital e passou a negociar ações no Novo Mercado da bolsa brasileira, sob o código MDIA3. A operação aumentou as exigências de transparência, divulgação de resultados e governança corporativa.
Dois anos depois, o grupo comprou a empresa responsável pela marca Vitarella, sediada em Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco. A aquisição fortaleceu a posição da companhia nos mercados de biscoitos e massas.
Nos anos seguintes, também foram incorporadas marcas como Pilar, Estrela, Pelaggio, Salsito, Predilleto e Bonsabor. Cada operação acrescentou produtos, fábricas ou presença comercial em diferentes regiões brasileiras.
Piraquê foi comprada por R$ 1,55 bilhão
Em 2018, a companhia anunciou a compra da Piraquê por R$ 1,55 bilhão. A operação acrescentou ao grupo uma marca tradicional do Rio de Janeiro, conhecida por produtos como Goiabinha, Leite Maltado e salgadinhos.
A aquisição incluiu duas unidades industriais e reforçou a presença da M. Dias Branco no Sudeste. A Piraquê continuou utilizando sua identidade própria, apesar de passar a fazer parte do mesmo grupo empresarial.
Esse modelo permitiu preservar marcas reconhecidas em determinadas regiões. Em vez de substituir todos os nomes por uma única marca, a empresa manteve produtos com histórias, receitas e públicos diferentes.
Jasmine e Fit Food levaram o grupo aos alimentos saudáveis
Em 2021, a M. Dias Branco comprou as marcas Fit Food, Frontera e Smart, junto com uma indústria localizada em São José dos Pinhais, no Paraná. O movimento ampliou a presença em alimentos associados à nutrição e à alimentação equilibrada.
Em 2022, a companhia adquiriu a Jasmine Alimentos. A marca possui produtos integrais, orgânicos, sem glúten, sem lactose e sem adição de açúcar, além de atuar nos mercados de granolas, cookies e pães especiais.
A estratégia reduziu a dependência exclusiva de massas e biscoitos tradicionais. O grupo passou a disputar categorias procuradas por consumidores que buscam produtos com diferentes características nutricionais.
Compra no Uruguai transformou a empresa em multinacional
Também em 2022, a M. Dias Branco realizou sua primeira aquisição internacional ao comprar a Alimentos Las Acacias, do Uruguai. A empresa atua principalmente com massas e também possui molhos, misturas para bolos e outros produtos.
A operação deu ao grupo uma fábrica fora do Brasil e criou uma base para crescer em outros mercados sul-americanos. A companhia passou a se apresentar como a primeira multinacional brasileira de massas e biscoitos.
Além da unidade uruguaia, os produtos são exportados para mais de 40 países. As vendas internacionais são apoiadas por fábricas, moinhos e centros de distribuição instalados em diferentes regiões.
M. Dias Branco possui 22 complexos industriais
A estrutura atual reúne 22 indústrias ou complexos industriais. Desse total, 13 são fábricas de massas, biscoitos e outros alimentos, sete são moinhos de trigo e duas produzem cremes e gorduras vegetais.
As unidades estão instaladas em estados como Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. A companhia também mantém a fábrica da Las Acacias em Montevidéu, no Uruguai.
A distribuição é apoiada por mais de 25 centros instalados em diferentes estados. Essa estrutura permite levar marcas regionais para outras áreas e abastecer supermercados, atacadistas e pequenos comércios em todo o país.
Receita líquida chegou a R$ 10,4 bilhões em 2025
A M. Dias Branco encerrou 2025 com receita líquida de R$ 10,4 bilhões. No mesmo período, o volume comercializado alcançou 1,81 milhão de toneladas de alimentos.
O EBITDA, indicador usado para acompanhar o resultado operacional, chegou a R$ 1,103 bilhão. O lucro líquido ficou em R$ 660 milhões, enquanto a geração de caixa alcançou R$ 1,408 bilhão.
Esses números mostram a distância entre a antiga padaria e a empresa atual. O negócio passou de uma produção artesanal em Fortaleza para uma operação que movimenta milhões de toneladas e bilhões de reais por ano.
Marcas regionais passaram a ocupar mercados nacionais
Fortaleza permanece ligada ao começo da empresa e possui forte presença no Ceará e em outros estados do Norte e Nordeste. Adria consolidou a expansão pelo Sudeste, enquanto Isabela ampliou a ligação com consumidores da Região Sul.
Vitarella e Treloso possuem uma forte presença no Nordeste. Piraquê mantém produtos tradicionais associados ao mercado do Rio de Janeiro, enquanto Jasmine e Fit Food representam a expansão para categorias de saudabilidade.
A estratégia permite atender diferentes hábitos de consumo sem apagar a história de cada marca. Produtos semelhantes podem ser vendidos com nomes distintos, respeitando o reconhecimento construído em cada região.
Pequena padaria criou uma das maiores empresas de alimentos do país
A trajetória da M. Dias Branco não começou com uma grande fábrica nem com uma rede nacional de distribuição. Ela começou com Manuel Dias Branco preparando pães em uma padaria e com Ivens, aos 17 anos, defendendo a ideia de produzir biscoitos.
A fabricação cresceu com o biscoito Pepita, avançou para o macarrão e recebeu investimentos em máquinas, moinhos, gorduras e grandes complexos industriais. Posteriormente, as aquisições transformaram uma empresa nordestina em um grupo presente em todo o Brasil.
Mais de sete décadas depois da abertura da Fábrica Fortaleza, a companhia mantém marcas consumidas por milhões de famílias, vende para mais de 40 países e possui uma estrutura industrial que seria difícil imaginar dentro da pequena padaria onde tudo começou.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

