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Homem compra cidade fantasma por R$ 7,1 milhões, muda-se para o alto das montanhas da Califórnia e tenta recuperar doze prédios abandonados sobre 48 quilômetros de túneis, enquanto transforma minas de prata em um projeto turístico que pode durar décadas

Homem compra cidade fantasma por R$ 7,1 milhões, muda-se para o alto das montanhas da Califórnia e tenta recuperar doze prédios abandonados sobre 48 quilômetros de túneis, enquanto transforma minas de prata em um projeto turístico que pode durar décadas

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Homem compra cidade fantasma por R$ 7,1 milhões, muda-se para o alto das montanhas da Califórnia e tenta recuperar doze prédios abandonados sobre 48 quilômetros de túneis, enquanto transforma minas de prata em um projeto turístico que pode durar décadas

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 15/08/2026 às 13:54

Construção

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Cidade fantasma de Cerro Gordo foi comprada por US$ 1,4 milhão e agora tem prédios históricos e antigo hotel em processo de restauração.

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Brent Underwood liderou em 2018 um grupo de investidores que pagou US$ 1,4 milhão por Cerro Gordo, cidade fantasma fundada no século 19. Morando no local desde 2020, ele documenta a restauração, reconstrói o hotel destruído por incêndio e pretende abrir parte da propriedade à visitação quando as obras permitirem.

A cidade fantasma de Cerro Gordo, nas montanhas de Inyo, na Califórnia, tornou-se o endereço permanente do empreendedor Brent Underwood e o centro de um projeto sem conclusão próxima. A propriedade reúne cerca de 146 hectares, prédios históricos e aproximadamente 48 quilômetros de túneis deixados por décadas de extração mineral.

Comprada em 2018 por US$ 1,4 milhão, valor convertido pela fonte brasileira em aproximadamente R$ 7,1 milhões, a antiga vila mineradora passou a ser restaurada para receber visitantes no futuro. Underwood mudou-se para o local em 2020 e começou a registrar obras, descobertas e contratempos. O plano não é reconstruir uma cidade moderna, mas impedir que o que restou desapareça.

Compra da cidade fantasma envolveu sócios e outros investidores

Cidade fantasma de Cerro Gordo foi comprada por US$ 1,4 milhão e agora tem prédios históricos e antigo hotel em processo de restauração.

A negociação costuma ser resumida como a história de um homem que comprou uma cidade inteira. Os registros da venda, entretanto, mostram uma estrutura coletiva. Brent Underwood e o empresário Jon Bier lideraram um grupo de investidores de Los Angeles que adquiriu Cerro Gordo em julho de 2018.

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Segundo o Los Angeles Times, a propriedade foi anunciada inicialmente por US$ 925 mil, recebeu diversas propostas e terminou vendida por US$ 1,4 milhão. Os antigos proprietários teriam escolhido uma oferta inferior a outras possibilidades porque o grupo pretendia preservar o acesso e a história do lugar.

O valor de R$ 7,1 milhões corresponde à conversão apresentada pela reportagem brasileira de 2026. A transação original foi realizada em dólares oito anos antes, e a fonte não detalha qual cotação utilizou para chegar ao equivalente em reais. Underwood tornou-se o rosto da cidade fantasma, mas a compra não foi uma operação exclusivamente individual.

Terreno reúne 146 hectares e dezenas de estruturas históricas

O antigo depósito de dinamite foi reinventado como uma biblioteca secreta.
Tiktok/@brentwunderwood

A área divulgada atualmente é de aproximadamente 360 acres, equivalentes a cerca de 146 hectares. Reportagens publicadas no momento da venda mencionavam 22 estruturas, entre casas, alojamento, capela, museu, saloon e o antigo American Hotel.

O relato mais recente apresentado pela revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios descreve uma dúzia de prédios dentro do foco atual de recuperação. Os números não precisam ser tratados como contraditórios: “estruturas existentes” e “edificações que estão sendo restauradas” podem representar conjuntos diferentes dentro do mesmo terreno.

Além das construções visíveis, a montanha conserva uma rede subterrânea estimada em 30 milhas, ou aproximadamente 48 quilômetros. Parte desses túneis está deteriorada e não funciona como atração aberta ao público. A dimensão subterrânea ajuda a explicar a história, mas também torna a conservação mais complexa do que reformar fachadas.

Mineração transformou Cerro Gordo numa vila de milhares de moradores

Originalmente construído em 1871, o American Hotel em breve abrigará um bar, restaurante, pátio externo e oito quartos com vistas deslumbrantes para o vale.
imagem: @brentwunderwood

Cerro Gordo surgiu em 1865, depois da descoberta de prata, chumbo e outros minerais nas montanhas da região. O nome, de origem espanhola, pode ser traduzido como “colina gorda” e fazia referência à expectativa de riqueza encontrada nos veios minerais.

No período mais movimentado, cerca de 4 mil trabalhadores e moradores passaram pela vila. A página oficial de história de Cerro Gordo afirma que a rede de minas produziu o equivalente moderno a mais de US$ 500 milhões em minerais, embora outras entrevistas de Underwood apresentem estimativas próximas de US$ 1 bilhão.

Como os critérios de atualização monetária não são explicados, os dois valores não devem ser tratados como uma contabilidade exata. O fato histórico mais seguro é a relevância da produção de prata, chumbo e, posteriormente, zinco. A atividade sustentou uma comunidade isolada e movimentou rotas comerciais que ligavam as minas ao sul da Califórnia.

Cargas de prata ajudaram a movimentar a Los Angeles do século 19

O minério processado nas montanhas precisava percorrer uma rota longa antes de chegar aos mercados. Barras eram transportadas por animais, carroças e embarcações que cruzavam a região de Owens Lake, seguindo depois em direção a Los Angeles.

Registros do sistema de parques da Califórnia mostram que fornos da região processavam grandes volumes de prata e chumbo durante os anos 1870. A própria manutenção da mineração exigia carvão, madeira, transporte e trabalhadores espalhados por diferentes pontos do vale.

Underwood usa essa ligação econômica para defender que Cerro Gordo teve participação na expansão inicial de Los Angeles. A frase de que as minas “construíram” a cidade é uma síntese promocional, não uma afirmação de que foram sua única base econômica. Ainda assim, preservar Cerro Gordo ajuda a manter visível uma cadeia produtiva apagada pela transformação posterior da Califórnia.

Declínio deixou prédios vazios e quilômetros de galerias

Underwood garante que o bordel de Lola um dia será um museu que preservará a garra das mulheres que ali trabalharam.
Tiktok/@brentwunderwood

A prosperidade não se manteve indefinidamente. Incêndios, variações no preço dos metais, esgotamento de áreas mais rentáveis e mudanças na atividade econômica reduziram a população. A exploração de zinco trouxe um novo ciclo no começo do século 20, mas não recuperou a intensidade original.

Na década de 1940, Cerro Gordo já era descrita como praticamente abandonada, embora atividades e cuidadores tenham permanecido em períodos posteriores. A antiga vila não desapareceu por completo porque parte das construções continuou de pé e proprietários anteriores preservaram o terreno.

Quando o grupo de Underwood chegou, encontrou um lugar que carregava diferentes fases de adaptação, não uma fotografia intacta de 1865. Restaurar uma cidade fantasma significa decidir quais elementos devem ser conservados, quais precisam ser refeitos e até onde uma intervenção moderna pode avançar.

Mudança que duraria poucos dias virou residência permanente

Underwood pretendia acompanhar a propriedade sem abandonar completamente sua rotina anterior. Em março de 2020, foi a Cerro Gordo para uma estadia curta, mas a pandemia e uma nevasca dificultaram a saída e alteraram seus planos.

O empreendedor permaneceu no local e passou a morar ali em tempo integral. A rotina incluía manutenção de prédios, reparos, organização de objetos, pesquisa histórica e acompanhamento das obras. O isolamento também transformou a cidade no cenário de vídeos publicados no canal Ghost Town Living e em outras redes.

Os conteúdos aproximaram o público de um projeto que, de outra forma, ficaria restrito a uma montanha remota. Eles também funcionaram como divulgação para a futura atividade turística. A restauração e a produção digital passaram a alimentar a mesma narrativa: mostrar o trabalho necessário para manter o lugar existente.

Incêndio destruiu o hotel e obrigou o projeto a recomeçar

O maior revés ocorreu em 15 de junho de 2020, quando um incêndio destruiu o American Hotel, uma antiga casa de gelo e outra construção próxima. O hotel havia sido inaugurado exatamente 149 anos antes, em 15 de junho de 1871.

O Los Angeles Times informou na época que a causa ainda estava sob investigação. Relatos posteriores mencionaram a possibilidade de falha elétrica, mas não há base suficiente para apresentar essa hipótese como conclusão oficial.

A perda atingiu o edifício que deveria funcionar como centro do futuro projeto de hospedagem. Em vez de abandonar Cerro Gordo, Underwood decidiu reconstruí-lo no mesmo espaço, incorporando exigências atuais de segurança. A cidade fantasma deixou de exigir apenas conservação e passou a incluir a recriação de sua principal estrutura.

Novo hotel terá quartos, restaurante e áreas de convivência

O projeto do novo American Hotel prevê hospedagem, bar, restaurante e espaço de convivência. A reportagem brasileira menciona oito quartos e um pátio externo, enquanto uma apresentação local feita em fevereiro de 2026 citou sete quartos. A diferença indica que o desenho continuava sujeito a ajustes.

Underwood chegou a trabalhar com a expectativa de concluir a reforma em aproximadamente um ano. Essa previsão, porém, não deve ser lida como garantia. Aprovações, logística e fornecimento de materiais numa área montanhosa podem alterar o cronograma.

A própria loja oficial de Cerro Gordo informa que não existe uma data assegurada para a abertura do hotel. Certificados vendidos com direito futuro a uma diária somente poderão ser usados quando a hospedagem estiver pronta. O prédio voltou a ganhar forma, mas a operação turística ainda depende de etapas que não foram concluídas.

Antigo bordel deve virar espaço dedicado à história das mulheres

Outro imóvel incluído no plano é o antigo Lola’s Palace of Pleasure. Underwood pretende transformá-lo em museu para apresentar a atuação de mulheres que administraram negócios e serviços numa comunidade mineradora formada majoritariamente por homens.

A história local não se limita a mineiros e proprietários. O Serviço Nacional de Parques dos Estados Unidos registra mulheres como Petra Romero, conhecida como Maggie Moore, e Lola Travis entre as empreendedoras que encontraram oportunidades econômicas nas comunidades mineradoras da região.

Recuperar esse espaço amplia a narrativa para além do minério extraído. Também exige contextualização cuidadosa, porque as condições sociais e econômicas enfrentadas por essas mulheres não podem ser reduzidas a uma atração pitoresca. Preservar o edifício só ganha sentido histórico quando as pessoas ligadas a ele também aparecem.

Cinema, casas e objetos completam uma restauração sem fim definido

O plano inclui ainda o antigo cinema, residências, alojamentos e estruturas de apoio. Alguns edifícios podem voltar a ter uso, enquanto outros deverão permanecer como registros preservados, sem adaptação completa para hospedagem ou comércio.

Objetos encontrados nas construções e nas áreas de mineração também passaram a compor a documentação do lugar. Ferramentas, utensílios, garrafas e fragmentos arquitetônicos ajudam a reconstruir hábitos cotidianos, mas seu significado depende de pesquisa e procedência, não apenas de exposição.

Underwood reconhece que centenas de construções existiram durante o auge da vila e que uma recuperação total seria inalcançável. O objetivo realista não é devolver Cerro Gordo ao tamanho do século 19, mas estabilizar o que sobreviveu e criar usos capazes de financiar a manutenção.

Turismo precisa conviver com isolamento e preservação histórica

Cerro Gordo fica a aproximadamente 2.590 metros de altitude e é alcançada por uma estrada de terra com cerca de 13 quilômetros. Clima, relevo e distância de serviços tornam o transporte de materiais mais difícil e encarecem obras comuns.

A propriedade não funciona como uma cidade pública convencional nem oferece acesso irrestrito às minas. Estruturas antigas e galerias subterrâneas podem apresentar riscos, e qualquer visita depende das condições e regras definidas pelos responsáveis. O projeto turístico exige circulação controlada, infraestrutura e segurança.

Também existe um equilíbrio entre receber pessoas e preservar o caráter do lugar. Transformar tudo em cenário comercial poderia apagar justamente a autenticidade que atrai interesse. O desafio é permitir que visitantes compreendam a cidade fantasma sem converter seus vestígios numa reprodução artificial do Velho Oeste.

Vídeos transformaram a obra num projeto acompanhado à distância

As redes sociais deram à restauração uma audiência que ultrapassa o público interessado em mineração. Conteúdos mostram construções, tempestades, reparos, objetos encontrados e etapas do hotel, criando uma narrativa contínua sobre um trabalho que avançará durante anos.

Um vídeo publicado no fim de julho de 2026 ultrapassou 3 milhões de visualizações, segundo a fonte principal. O alcance ajuda a divulgar Cerro Gordo, mas não revela faturamento, lucro ou a parcela das obras financiada pelas plataformas digitais.

A visibilidade também pode simplificar uma história coletiva ao concentrá-la em Underwood. Sócios, trabalhadores, especialistas, voluntários e pesquisadores participam de diferentes etapas. O empreendedor conduz e documenta o projeto, mas uma cidade histórica não é reconstruída por uma única pessoa.

Cidade fantasma permanece entre ruína preservada e destino turístico

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Oito anos depois da compra, Cerro Gordo continua em transição. Parte das construções recebe reparos, o hotel avança sem data garantida para abrir e o acervo histórico começa a ser organizado para visitantes que ainda dependem de acesso controlado.

O investimento inicial de US$ 1,4 milhão foi apenas a entrada num projeto que exige manutenção permanente. Não há informação pública suficiente para calcular o custo total das obras, a receita atual ou quando a operação poderá se sustentar com hospedagem e turismo.

A cidade fantasma não voltou a ser uma cidade habitada por milhares, mas deixou de permanecer parada enquanto seus prédios desapareciam. Na sua opinião, Cerro Gordo deveria priorizar hospedagem, museus, preservação sem turismo ou visitas educativas limitadas? Conte nos comentários qual caminho protegeria melhor essa história.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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