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Homem entra no sistema do banco e desvia R$ 3,6 milhões de clientes ricos para conta da sogra

Homem entra no sistema do banco e desvia R$ 3,6 milhões de clientes ricos para conta da sogra

4 min de leitura

Homem entra no sistema do banco e desvia R$ 3,6 milhões de clientes ricos para conta da sogra

Escrito por Alisson Ficher

Publicado em 26/08/2026 às 19:37

Atualizado em 26/08/2026 às 19:38

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Ex-funcionário do Deutsche Bank reconheceu 21 transferências sem autorização e disse ter usado o dinheiro em operações com derivativos; a instituição afirma ter ressarcido os clientes afetados, enquanto o processo em Frankfurt ainda pode resultar em pena de prisão.

Um ex-funcionário do Deutsche Bank admitiu perante a Justiça alemã ter desviado mais de 600 mil euros, cerca de R$ 3,6 milhões, de clientes de alta renda enquanto comandava uma equipe de private banking na principal agência do banco em Frankfurt.

O réu, de 39 anos e identificado na imprensa alemã apenas como Sven R., reconheceu a responsabilidade por 21 transferências feitas sem autorização ao longo de aproximadamente um ano e meio, até o esquema ser descoberto em 2025.

A Reuters informou que o caso foi identificado pelo próprio Deutsche Bank e que o ex-funcionário, contratado pela instituição em 2008, direcionou grande parte do dinheiro para uma conta de corretora e perdeu a maior parte em investimentos especulativos.

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Segundo a acusação, os recursos saíram de contas de clientes ricos e passaram por uma conta aberta em nome da sogra do bancário, controlada por ele, antes de serem destinados a outras operações financeiras.

Entre os clientes atingidos estavam um executivo de private equity, o ex-presidente de uma companhia de bens de consumo e um sócio de um escritório internacional de advocacia, conforme as informações apresentadas sobre o processo.

Os promotores sustentam que o ex-bancário escolhia clientes com patrimônio elevado porque acreditava que retiradas relativamente pequenas diante dos saldos mantidos nas contas demorariam mais para ser percebidas.

Algumas movimentações chegaram a 81,5 mil euros, cerca de R$ 489,6 mil, enquanto o prejuízo financeiro final atribuído ao esquema foi calculado em 493 mil euros, equivalente a aproximadamente R$ 2,96 milhões.

Quando clientes questionavam lançamentos que não reconheciam, o funcionário devolvia os valores e atribuía a movimentação a um erro interno do banco, permitindo que determinadas contas fossem recompostas enquanto outras retiradas eram realizadas.

Como essas devoluções eram cobertas com recursos retirados de outras contas, o esquema passou a depender de novos desvios para compensar valores que já haviam despertado a atenção dos clientes afetados.

Como as transferências conseguiam aprovação

Relato da Bloomberg acrescenta que o réu manipulava e-mails de clientes e os encaminhava a colegas para conseguir a segunda aprovação exigida em determinadas transferências.

Ele disse aos juízes que esses funcionários o conheciam havia anos e confiavam tanto em sua relação com os clientes quanto na legitimidade das solicitações apresentadas, circunstância que teria facilitado a aprovação das ordens.

Pelas regras internas descritas no processo, transferências a partir de 2,5 mil euros exigiam autorização de dois funcionários e não deveriam depender apenas de e-mails, embora o acusado tenha afirmado que verificações adicionais nem sempre eram realizadas na prática.

O ex-funcionário afirmou que começou a retirar dinheiro depois de enfrentar dificuldades financeiras pessoais e perder cerca de 50 mil euros das economias da família em operações de risco.

A versão apresentada por ele é que pretendia usar temporariamente os recursos, obter ganhos rápidos com derivativos e devolver o dinheiro antes que os clientes percebessem as retiradas, mas as operações acabaram ampliando suas perdas financeiras.

Ao falar sobre a conduta no tribunal, o réu reconheceu o abuso da relação de confiança construída durante anos no banco e declarou: “Eu traí essa confiança”.

A confissão foi apresentada no primeiro dia do julgamento, e uma declaração mais ampla do acusado, lida pelo advogado Constantin Schmid, incluiu o reconhecimento de responsabilidade pelas 21 transações atribuídas a ele.

Deutsche Bank diz ter ressarcido clientes

O Deutsche Bank informou que os clientes afetados foram integralmente ressarcidos e que o funcionário envolvido foi demitido imediatamente depois de a instituição identificar as irregularidades.

Em comunicado sobre o episódio, o banco declarou ainda que reforçou mecanismos de controle já existentes e ampliou medidas destinadas a aumentar a atenção a esquemas de fraude em sua rede comercial e de agências.

A acusação apresentada contra o ex-bancário é de abuso de confiança agravado, enquadramento que, nas circunstâncias descritas no processo, pode resultar em pena de até dez anos de prisão na Alemanha caso ele seja condenado.

Apesar da pena máxima prevista, a sentença ainda não foi definida, e o tribunal deverá considerar elementos apresentados durante o julgamento, entre eles a confissão, a situação pessoal do réu e sua disposição de reparar os danos.

O ex-funcionário também fechou um acordo para devolver valores em parcelas mensais de 250 euros, enquanto a juíza responsável pelo caso indicou durante a audiência que uma pena suspensa poderia ser considerada.

O julgamento deve continuar em setembro, quando o tribunal pretende ouvir funcionários do Deutsche Bank que trabalharam com o acusado e poderão detalhar os procedimentos internos relacionados às transferências.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

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