Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Homem mais rico do mundo, Elon Musk busca investidores para avaliar em US$ 20 bilhões a empresa de túneis que tem autorização para 109 quilômetros sob Las Vegas e até agora escavou cerca de 18

Homem mais rico do mundo, Elon Musk busca investidores para avaliar em US$ 20 bilhões a empresa de túneis que tem autorização para 109 quilômetros sob Las Vegas e até agora escavou cerca de 18

7 min de leitura

Homem mais rico do mundo, Elon Musk busca investidores para avaliar em US$ 20 bilhões a empresa de túneis que tem autorização para 109 quilômetros sob Las Vegas e até agora escavou cerca de 18

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 04/08/2026 às 07:39

Construção

Assista o vídeo
Homem mais rico do mundo busca avaliação de US$ 20 bilhões para a empresa de túneis, mais que o dobro do último valor confirmado, sem rodada confirmada.

Seja o primeiro a reagir!

Prefira o CPG no Google

A cifra representa mais que o dobro da última avaliação conhecida, de US$ 9,6 bilhões em setembro de 2025, e mais de três vezes o valor estimado no mercado secundário. Nenhuma rodada foi confirmada até julho de 2026, e a informação parte de rumores.

A empresa de túneis controlada pelo homem mais rico do mundo estaria buscando novos investidores com avaliação de mercado de US$ 20 bilhões, conforme reportagem publicada pelo site Crypto Briefing. Trata-se da Boring Company, fundada por Elon Musk, e o número representaria salto de aproximadamente 108% sobre a última avaliação confirmada.

Esse patamar anterior era de cerca de US$ 9,6 bilhões, registrado em setembro de 2025. A informação sobre a nova cifra não vem de contrato assinado, e sim de rumores de mercado, e nenhuma rodada de financiamento nesse valor havia sido confirmada até julho de 2026, conforme a apuração.

O que separa buscar de ter captado

Homem mais rico do mundo busca avaliação de US$ 20 bilhões para a empresa de túneis, mais que o dobro do último valor confirmado, sem rodada confirmada.

A distinção mais importante dessa notícia é também a mais simples, e a própria reportagem faz questão de marcá la. Existe diferença enorme entre uma empresa buscar financiamento a determinada avaliação e efetivamente ter captado recursos naquele patamar.

ARTIGO CONTINUA ABAIXO

Veja também

A primeira situação é aspiração. A segunda é fato consumado. Enquanto a segunda não se materializa, o número anunciado permanece no campo da especulação.

Essa cautela se aplica com força ao caso, porque a informação não partiu de comunicado oficial nem de documento registrado. Ela circula como rumor de mercado, com base nas informações publicamente disponíveis.

A distância entre a avaliação pedida e o que o mercado paga

imagem: Divulgação/The Boring Company

O histórico de precificação da companhia é irregular e ajuda a dimensionar o salto pretendido. Em julho de 2023, ela foi avaliada em cerca de US$ 8,6 bilhões. Em setembro de 2025, o valor havia subido para aproximadamente US$ 9,6 bilhões.

O mercado secundário, porém, contou uma história diferente ao longo de 2025. Nesse ambiente, onde investidores negociam participações já existentes entre si, as estimativas chegaram a cair para cerca de US$ 5,7 bilhões.

A diferença é o ponto central da questão. A avaliação pretendida é quase 3,5 vezes maior do que a estimativa mínima registrada no mercado secundário, o que significa que seria necessário convencer investidores de que a empresa vale muito mais do que o mercado privado tem se mostrado disposto a pagar recentemente. As estimativas de preço por ação em meados de 2026 giravam em torno de US$ 24,63, com oscilações relatadas.

Quanto a empresa já captou até agora

O volume acumulado de investimento é bem inferior aos números discutidos agora. Ao todo, a companhia levantou cerca de US$ 908 milhões desde a fundação.

Entre os investidores estão a Vy Capital, a Sequoia Capital e o Valor Capital Group, fundos que participaram das rodadas anteriores.

Colocar esses valores lado a lado ajuda a entender a escala da pretensão. Uma empresa que captou pouco mais de US$ 900 milhões ao longo de toda a existência estaria pleiteando ser avaliada em US$ 20 bilhões, salto que depende inteiramente da confiança do investidor em entregas futuras, e não em receita já demonstrada.

O que a empresa efetivamente construiu

O projeto principal é o sistema de túneis que opera sob o centro de convenções de Las Vegas, que segue funcionando e serve como prova de conceito para a proposta de redes de transporte subterrâneas. A empresa também está envolvida em iniciativas de escavação em Nashville, ampliando a presença geográfica para fora de Nevada.

Os números de execução, porém, contrastam com o tamanho do projeto autorizado. As autoridades do condado de Clark e da cidade de Las Vegas aprovaram um sistema de 68 milhas de túneis, equivalente a cerca de 109 quilômetros, com mais de cem estações previstas.

O que existe de fato é bem menos. Levantamentos sobre o andamento da obra apontam construção total em torno de 11 milhas de túnel, algo próximo de 18 quilômetros, dos quais aproximadamente 3,5 milhas, ou cerca de 5,6 quilômetros, estavam em operação. O restante aguarda conclusão de estações e aprovações regulatórias, e o sistema original, aberto em abril de 2021, tinha 1,7 milha e três estações.

Por que a obra avança devagar

O ritmo de execução tem explicação apontada pela própria empresa em discussões públicas sobre o projeto. A obtenção de autorizações junto a órgãos reguladores segue calendário incerto, o que dificulta o compromisso com prazos fixos de entrega.

Houve inclusive proposta, em audiência regulatória, para que a companhia se comprometesse a concluir 20% do projeto por ano, com meta de escavar o restante da rede em cinco anos. A empresa considerou o compromisso inviável justamente pela imprevisibilidade das aprovações.

Existe ainda uma característica que diferencia esse projeto de obras de transporte comparáveis. Por ser financiado com capital privado, ele não passou pelo tipo de análise prévia exigida de sistemas públicos de transporte, como estudos governamentais de longa duração, ponto levantado em reportagem investigativa sobre o empreendimento.

Por que o assunto interessa ao mercado de criptomoedas

A reportagem que traz o rumor foi publicada em um site especializado em criptoativos, e o motivo desse enquadramento merece registro.

A conexão apontada é indireta. A empresa já aceitou uma criptomoeda específica como forma de pagamento em passeios pelo sistema de Las Vegas, e esse ativo é o mais diretamente associado à influência do empresário no setor.

Ainda assim, a própria apuração é explícita ao afastar a ligação com a captação atual. Não há indicação de que a arrecadação de fundos, caso esteja de fato acontecendo, envolva tokens, criptoativos ou instrumentos baseados em blockchain de qualquer tipo.

A comparação com a lógica dos tokens

O argumento que o texto apresenta para justificar o interesse do público de criptoativos é analítico, e não operacional.

A discrepância entre o valor pretendido de US$ 20 bilhões e o piso de US$ 5,7 bilhões observado no mercado secundário é descrita como um tipo de desconexão familiar a esse público. A comparação feita é com a diferença entre avaliação totalmente diluída de um token e sua capitalização de mercado em circulação.

O raciocínio complementar é sobre sinalização. Uma captação bem-sucedida nesse patamar indicaria que o capital institucional ainda enxerga as empresas do grupo como apostas agressivas que valem o risco. Uma tentativa fracassada, ou uma rodada com avaliação reduzida, produziria o efeito contrário, com impacto sobre a percepção geral em torno dos negócios do empresário.

O que a apuração não esclarece

Alguns pontos ficam em aberto e limitam a leitura do caso. Não há informação sobre quais investidores estariam sendo procurados, sobre o volume que a empresa pretende captar nem sobre o prazo dessa negociação.

Também não constam dados de receita, de despesa ou de resultado da companhia, informações que permitiriam avaliar se a cifra pretendida tem lastro operacional ou se depende exclusivamente de projeções.

A reportagem não traz posicionamento da empresa nem de qualquer investidor citado. A origem do número não é identificada além da referência genérica a rumores de mercado, e o texto encerra com aviso de que passou por edição da equipe editorial do site.

Um número que precisa ser lido com ressalva

O que essa história oferece não é um fato consumado, é uma pretensão em circulação. Nenhum contrato foi confirmado, nenhuma cifra foi oficializada e nenhuma das partes envolvidas se manifestou publicamente na apuração.

O que existe de concreto são os marcos anteriores: US$ 8,6 bilhões em 2023, US$ 9,6 bilhões em setembro de 2025, cerca de US$ 908 milhões captados ao longo de toda a existência e uma rede de túneis que soma uma fração do que foi autorizado.

Entre esses números verificáveis e a cifra de US$ 20 bilhões existe uma distância que só se resolve de uma forma. Ou aparece um investidor disposto a pagar esse preço, ou o número continua sendo apenas um número.

Assista o vídeo

E você, investiria em uma empresa avaliada em bilhões antes de ela entregar a maior parte do que prometeu? Acha que projetos de infraestrutura financiados com capital privado deveriam passar pela mesma análise exigida das obras públicas? Conta nos comentários o que você acha desse modelo de transporte subterrâneo.

Tags

Elon Muskhomem mais rico do mundo


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

Sair da versão mobile