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Homem não deixou separar cinco irmãos e virou pai solo de todos, o enfermeiro de Ribeirão Preto adotou três em 2019 e, anos depois, acolheu mais dois irmãos biológicos deles, guiado por uma regra que os próprios filhos cobraram, ‘irmão não separa’

Homem não deixou separar cinco irmãos e virou pai solo de todos, o enfermeiro de Ribeirão Preto adotou três em 2019 e, anos depois, acolheu mais dois irmãos biológicos deles, guiado por uma regra que os próprios filhos cobraram, ‘irmão não separa’

7 min de leitura

Homem não deixou separar cinco irmãos e virou pai solo de todos, o enfermeiro de Ribeirão Preto adotou três em 2019 e, anos depois, acolheu mais dois irmãos biológicos deles, guiado por uma regra que os próprios filhos cobraram, ‘irmão não separa’

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 10/08/2026 às 11:36

Atualizado em 10/08/2026 às 11:37

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Enfermeiro de Ribeirão Preto virou pai solo de cinco irmãos: adotou três em 2019 e acolheu mais dois em 2025 pela regra de não separar irmãos.

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Antonio Carlos Nicolucci é pai de seis. Cinco deles são irmãos entre si e chegaram em dois momentos diferentes, com seis anos de distância. A regra que ele deu aos primeiros três em 2019 voltou como cobrança quando a Justiça ligou de novo, em 2025.

O enfermeiro Antonio Carlos Nicolucci, de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, é pai solo de cinco irmãos que chegaram à família por adoção e por guarda provisória, segundo reportagem publicada pelo g1 Ribeirão Preto e Franca em 9 de agosto de 2026, assinada por Isabella Capuzzo. Três deles foram adotados em 2019, e os dois mais novos vivem com ele desde agosto de 2025, enquanto o processo de destituição do poder familiar segue na Justiça.

A definição que ele dá de paternidade não depende do caminho pelo qual os filhos chegaram. Antonio afirma que não existe amor que nasça do dia para a noite e que o vínculo verdadeiro é construído na convivência. Segundo ele, o que existe no primeiro momento é a consciência de que há ali um ser humano que depende inteiramente de você, e a função de direcioná-lo para uma vida.

Seis filhos e cinco na mesma casa

A família de Antonio tem seis crianças e jovens. Vitor tem 24 anos, Guilherme tem 15, Micaela tem 13, Chiara tem 8, Isabela tem 5 e Emerson tem 3.

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Os cinco mais novos moram com ele e são irmãos entre si. Todos estudam em período integral durante a semana e dividem uma rotina que inclui brincadeiras, discussões entre irmãos e disputas domésticas comuns a qualquer casa cheia. A história dessa configuração começou anos depois do nascimento do primeiro filho, quando Antonio decidiu aumentar a família por meio da adoção.

A habilitação e a ligação que veio em 2019

Antonio Carlos Nicolucci, de Ribeirão Preto (SP), é pai solo de 5 irmãos que chegaram por adoção e guarda provisória — Foto: Arquivo pessoal

Na época em que decidiu adotar, Antonio era casado, e o casal procurou o Crescendo em Família, grupo de apoio e incentivo à adoção que atua em Ribeirão Preto. Os dois se habilitaram para receber até três crianças com idades entre zero e 8 anos.

A ligação veio pouco depois da habilitação. Em 2019, o casal foi informado sobre três irmãos que estavam em um serviço de acolhimento: Guilherme, com 8 anos, Micaela, com 6, e Chiara, com 2. A idade dos três encaixava exatamente no perfil pelo qual eles haviam se habilitado.

Antonio Carlos Nicolucci, de Ribeirão Preto (SP), é pai solo de 5 irmãos que chegaram por adoção e guarda provisória — Foto: Arquivo pessoal

Antonio conta que teve receio de conhecê-los, porque o processo de destituição do poder familiar ainda estava em andamento e não havia garantia de desfecho. Depois de conversar com a equipe responsável pelo caso, decidiu fazer a visita.

O primeiro encontro e a palavra que Guilherme usou

Antonio Carlos Nicolucci, de Ribeirão Preto (SP), é pai solo de 5 irmãos que chegaram por adoção e guarda provisória — Foto: Arquivo pessoal

O que aconteceu na visita desfez o receio em segundos. Antonio relata que Guilherme saiu correndo da frente da casa de acolhimento, pulou no colo dele e o chamou de pai. Em seguida, pegou a mão dele.

A descrição que ele faz do momento é curta e sem elaboração. Diz que aquilo acabou com ele, que o pegou demais. Um menino de 8 anos escolheu a palavra antes de existir qualquer documento. Poucas semanas depois desse encontro, os três passaram o Dia dos Pais com Antonio e o então marido, e em agosto daquele ano o casal recebeu a guarda provisória das crianças.

“Filho é filho, ponto”

A chegada dos irmãos mudou a rotina da casa e trouxe um período de adaptação, mais pesado no caso de Guilherme. Segundo Antonio, o menino teve problemas de comportamento nos primeiros anos, e ele passou a ser chamado com frequência pela escola.

Em uma dessas conversas, Antonio decidiu tratar o assunto de frente com o filho. Disse que, se o comportamento tinha a ver com a expectativa de ser devolvido, ele estava muito enganado, porque devolução não estava em cogitação. E completou com a frase que virou marco na relação dos dois: filho é filho, ponto final. Segundo o pai, depois dessa conversa nunca mais houve chamado da escola por causa de Guilherme.

O casamento que terminou e a devolução que ele não autorizou

O relacionamento não sobreviveu à mudança. O casamento terminou depois da chegada das crianças, e Antonio afirma que o então marido chegou a cogitar desistir da adoção de Guilherme especificamente.

A resposta dele foi definitiva. Antonio diz que não autorizou a devolução e que deixou claro qual era a ordem de prioridade: o casamento poderia acabar, mas com as crianças não havia chance. Foi nesse ponto que ele se tornou pai solo dos cinco. O ex-marido vive atualmente em Brasília e, segundo Antonio, mantém contato com os filhos por telefone.

A segunda ligação, seis anos depois

Em março de 2025, Antonio decidiu entrar novamente no processo de habilitação para adoção. No mês seguinte, recebeu contato da Justiça com uma informação inesperada: outros dois irmãos biológicos de Guilherme, Micaela e Chiara estavam sendo encaminhados para adoção.

Ele conta que ficou receoso sobre como os filhos que já estavam em casa receberiam a notícia, e decidiu conhecer as crianças antes de promover qualquer aproximação. A visita resolveu a dúvida dele. Antonio afirma que saiu de lá com a certeza de que não podia deixar aquelas duas irem para outra família, e pediu a guarda dos dois na sequência.

A frase que os filhos devolveram para ele

Antes da chegada de Isabela e Emerson, Antonio conversou com os três irmãos mais velhos para explicar a situação. A reação deles trouxe de volta algo que ele mesmo havia dito anos antes.

Quando os três perguntaram, na época da própria adoção, por que ele não tinha adotado apenas um deles, Antonio respondeu que irmão não se separa. Ao ouvir sobre os dois mais novos, os filhos usaram a resposta contra ele. Disseram que agora ele não poderia falar diferente, porque irmão não pode separar. A regra que ele criou para justificar a adoção conjunta em 2019 virou argumento na boca das crianças em 2025.

Isabela e Emerson vivem com Antonio desde agosto de 2025. O processo de destituição do poder familiar ainda não foi concluído, e por isso a guarda dos dois permanece provisória até uma definição da Justiça. No primeiro encontro entre os cinco irmãos, segundo Antonio, Emerson ficou no colo de Guilherme e não queria sair dali.

O rodízio da cadeira ao lado do pai

Com cinco filhos morando em casa, Antonio organiza os dias entre o trabalho e os compromissos das crianças. Durante a semana, elas estudam em período integral. Nos fins de semana, os passeios costumam ser em parques, praças e outros espaços próximos de casa.

A convivência entre os irmãos tem momentos de parceria e momentos de briga, e ele descreve a situação com humor. Diz que uma hora um defende o outro, na hora seguinte estão discutindo, e que aquilo é um filme sem fim. A disputa mais concreta é pela cadeira ao lado dele na hora das refeições, que precisou virar rodízio para evitar conflito.

Do grupo de apoio à presidência da entidade

A experiência como pai levou Antonio a se aproximar do Crescendo em Família. Ele começou a participar dos encontros depois da chegada dos primeiros filhos e, anos mais tarde, assumiu a presidência da entidade.

O grupo orienta pretendentes à adoção e acompanha famílias que já receberam crianças, promovendo encontros, palestras e rodas de conversa sobre o tema, com voluntários que incluem psicólogos. É um trabalho que ele concilia com a profissão de enfermeiro e com a rotina dos cinco filhos em casa.

O recado que Antonio dá a quem pensa em adotar é menos sobre sentimento e mais sobre disponibilidade. Ele afirma que ser pai significa saber que será preciso tirar do próprio tempo para dar a crianças que vão exigir muito, e que a pergunta a se fazer é se a pessoa está disposta a isso. Se estiver, na avaliação dele, está no caminho certo.

E você, acha que a regra de não separar irmãos deveria ser obrigatória nos processos de adoção, mesmo quando isso reduz as chances de as crianças encontrarem uma família? Conta nos comentários o que você pensa sobre esse ponto.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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