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Homem que achava não ter uma vida digna de livro começou no Porto de Santos em 1969, acumulou cerca de 30 mil manobras, viu navios saltarem de 120 para mais de 300 metros e, 57 anos depois, transforma suas memórias em registro da modernização do maior porto brasileiro

Homem que achava não ter uma vida digna de livro começou no Porto de Santos em 1969, acumulou cerca de 30 mil manobras, viu navios saltarem de 120 para mais de 300 metros e, 57 anos depois, transforma suas memórias em registro da modernização do maior porto brasileiro

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Homem que achava não ter uma vida digna de livro começou no Porto de Santos em 1969, acumulou cerca de 30 mil manobras, viu navios saltarem de 120 para mais de 300 metros e, 57 anos depois, transforma suas memórias em registro da modernização do maior porto brasileiro

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 24/08/2026 às 20:49

Curiosidades

Canal

Fábio Mello Fontes começou na Praticagem de São Paulo em 1969, acumulou cerca de 30 mil manobras e transformou 57 anos de memórias em registro da modernização do Porto de Santos.

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Fábio Mello Fontes começou na Praticagem de São Paulo em 1969, acumulou cerca de 30 mil manobras e acompanhou navios crescerem de 120 a 140 metros para mais de 300. Após 57 anos ligados ao Porto de Santos, suas memórias viraram biografia e registro da modernização portuária em cinco décadas.

Fábio Mello Fontes passou grande parte da vida profissional conduzindo embarcações pelo Porto de Santos e, durante muito tempo, acreditou que sua trajetória não renderia um livro. A reunião de episódios pessoais e profissionais mostrou o contrário: cerca de 30 mil manobras, três viagens à Antártica e mais de cinco décadas acompanhando as transformações do maior porto brasileiro passaram a compor sua biografia.

As informações foram publicadas pelo Diário do Litoral em 19 de agosto de 2026, em reportagem de Ana Clara Durazzo. Fábio entrou na Praticagem de São Paulo em janeiro de 1969 e continuava ligado à atividade 57 anos depois, preservando em suas lembranças diferentes fases da evolução dos navios, dos equipamentos e da própria operação portuária santista.

Paixão pelos navios começou ainda na infância em Santos

A praticagem consiste em assessorar o comandante durante a navegação em águas restritas, principalmente na entrada e saída dos portos

Fábio já observava embarcações muito antes de trabalhar dentro delas.

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Ainda menino, saía da região da Rua Euclides da Cunha para acompanhar os navios entrando e saindo pela Ponta da Praia. Enquanto outras crianças brincavam, ele preferia olhar o movimento do canal e imaginar como seria estar a bordo.

Escola de Marinha Mercante abriu caminho para a carreira no mar

O interesse acabou direcionando sua formação profissional.

Fábio ingressou ainda jovem na Escola de Marinha Mercante do Rio de Janeiro e passou anos navegando antes de decidir tentar a seleção para a praticagem.

A mudança tinha também uma razão familiar: trabalhar como prático permitiria permanecer mais próximo de casa.

Fábio ficou em primeiro lugar na seleção para a praticagem

A tentativa de mudar de função terminou com aprovação.

Fábio passou em primeiro lugar no processo seletivo e começou a trabalhar como prático no Porto de Santos em janeiro de 1969.

A função colocaria o santista diretamente dentro das operações de entrada e saída das embarcações por décadas.

Aos cerca de 30 anos, aparência jovem gerava desconfiança de comandantes

O começo da carreira trouxe um obstáculo inesperado.

Fábio tinha aproximadamente 30 anos, mas aparentava ser ainda mais jovem. Diante de comandantes de grandes navios, precisou demonstrar rapidamente que dominava as manobras e possuía experiência suficiente para assumir a orientação da navegação.

A preocupação com precisão passou a acompanhar sua atuação ao longo dos anos.

Navios tinham entre 120 e 140 metros quando ele começou

O Porto de Santos encontrado por Fábio em 1969 era bastante diferente do atual.

Naquela época, os navios costumavam ter entre 120 e 140 metros de comprimento, enquanto os rebocadores disponíveis tinham estrutura mais simples.

Décadas depois, ele passou a trabalhar em um cenário no qual embarcações ultrapassam 300 metros.

Comunicação durante manobras chegou a ser feita por apitos

Os recursos tecnológicos também eram muito mais limitados no início da trajetória.

Os práticos não contavam com rádio individual durante as manobras e parte da comunicação era realizada por códigos sonoros feitos com um apito semelhante ao utilizado por árbitros de futebol.

A modernização trouxe posteriormente sistemas avançados de comunicação e navegação para o mesmo canal.

Praticagem exige domínio de correntes, ventos, marés e profundidade

O trabalho do prático consiste em assessorar o comandante durante a navegação por águas restritas, especialmente nas entradas e saídas dos portos.

O profissional precisa conhecer particularidades locais como correntes, ventos, marés, profundidade e condições do canal.

Fábio acumulou esse conhecimento desde uma fase em que tanto os navios quanto a infraestrutura portuária apresentavam dimensões e tecnologias muito diferentes.

Em 2012, carreira já acumulava cerca de 27,5 mil manobras

Fábio ingressou na Escola de Marinha Mercante do Rio de Janeiro ainda jovem e, depois de anos navegando, decidiu tentar a seleção para a praticagem para permanecer mais próximo da família/ Divulgação

O volume de operações cresceu continuamente durante as décadas.

Em 2012, Fábio já contabilizava aproximadamente 27,5 mil manobras realizadas no Porto de Santos.

Quatro anos depois, os registros indicavam um novo avanço na contagem.

Marca chegou a cerca de 29 mil operações em 2016

Em 2016, o total atribuído à trajetória de Fábio estava próximo de 29 mil manobras.

Mais recentemente, o próprio prático passou a mencionar uma marca aproximada de 30 mil operações, número que resume a extensão da carreira construída desde 1969.

Três viagens levaram Fábio até a Antártica

A relação de Fábio com o mar também ultrapassou o Porto de Santos.

Ele participou de três viagens à Antártica a bordo do navio oceanográfico Professor W. Besnard, ligado à Universidade de São Paulo.

As expedições acrescentaram experiências diferentes à trajetória normalmente associada ao canal santista.

Biografia também recupera casamento e formação da família

O livro não ficou limitado às histórias profissionais.

A obra aborda o encontro de Fábio com a esposa, Ed d’El-Rei Berbert Fontes, a construção da vida familiar e a chegada dos três filhos.

Os relatos pessoais dividem espaço com episódios ligados aos navios e à evolução do Porto de Santos.

Morte de um filho e da esposa aparecem entre as maiores perdas

A biografia também registra períodos difíceis.

A morte de um dos três filhos e, posteriormente, a perda da esposa estão entre os acontecimentos pessoais mais marcantes da vida de Fábio.

Esses episódios integram a narrativa ao lado dos momentos de crescimento profissional e das transformações observadas no porto.

Coleção reúne mais de 120 maquetes de navios

A ligação com embarcações continuou também fora do trabalho.

Fábio formou uma coleção com mais de 120 maquetes de navios provenientes de diferentes partes do mundo.

Fotografia e drones também se tornaram interesses mantidos paralelamente à atividade marítima.

Ponte dos Práticos recebeu seu nome em janeiro de 2025

A relação entre a infância na Ponta da Praia e a carreira ganhou um símbolo concreto em janeiro de 2025.

A Ponte dos Práticos recebeu oficialmente o nome de Fábio Mello Fontes.

Naquele momento, ele completava 56 anos de atuação e exercia pela oitava vez a presidência da Praticagem de São Paulo.

Homenagem ocorreu no mesmo local onde observava navios quando criança

A localização tornou a homenagem particularmente ligada à própria história de Fábio.

Foi justamente na região da Ponta da Praia que ele costumava observar as embarcações quando ainda era menino, décadas antes de ingressar profissionalmente na atividade marítima.

O espaço passou, assim, a reunir a memória da infância e o reconhecimento por sua trajetória profissional.

Biografia foi construída com entrevistas de familiares, amigos e práticos

O livro surgiu da combinação de diferentes depoimentos.

Além das entrevistas com o próprio Fábio, foram ouvidos familiares, amigos e outros práticos, permitindo recuperar histórias de diferentes momentos da vida e da atividade portuária.

A memória do biografado serviu como fio para reconstruir episódios que atravessam também a história recente do Porto de Santos.

Livro registra porto de navios menores e comunicação por códigos sonoros

O valor histórico da obra está diretamente ligado ao período atravessado pela carreira de Fábio.

As lembranças recuperam um Porto de Santos de navios entre 120 e 140 metros, rebocadores mais simples e comunicação por apitos, contrastando com embarcações acima de 300 metros e sistemas modernos de navegação utilizados atualmente.

Fábio não fala em parar depois de 57 anos ligados ao porto

Fábio continua projetando atividades para os próximos anos.

Entre seus planos estão permanecer ativo, cuidar da saúde e reservar mais tempo para a família, a fotografia e os drones.

Aos mais jovens, recomenda não escolher uma profissão apenas pelo dinheiro e destaca conhecimento, atualização, dedicação, humildade e prazer no trabalho como elementos importantes de uma trajetória profissional.

Memórias de 30 mil manobras viram registro da modernização do Porto de Santos

Depois de inicialmente acreditar que sua vida não teria material suficiente para uma biografia, Fábio Mello Fontes reuniu uma trajetória iniciada em 1969, marcada por aproximadamente 30 mil manobras e pela transformação completa do ambiente portuário em que trabalhou.

Ao colocar essas lembranças no papel, o prático também preservou o contraste entre o Porto de Santos de décadas atrás e o complexo altamente tecnológico atual, criando um registro de mais de meio século de história marítima e portuária.

Na sua opinião, o que mais chama atenção na trajetória de Fábio: as cerca de 30 mil manobras realizadas ou ter acompanhado por 57 anos a transformação dos navios e do Porto de Santos? Deixe sua opinião nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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