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Homem que acordava de madrugada para trabalhar na lavoura e comia marmita fria no meio do mato conheceu o sócio num grupo de WhatsApp, fundou uma startup e a vendeu depois de movimentar R$ 10 bilhões
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 08/08/2026 às 11:46
Atualizado em 08/08/2026 às 11:54
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Claudio Dias trabalhou como boia-fria antes de cofundar a Magis5, plataforma de integração para marketplaces criada em 2019. A empresa faturou R$ 158 mil no primeiro ano, chegou a mais de R$ 10 bilhões transacionados e foi adquirida pela Sankhya em abril de 2026, com valor não revelado.
Uma conversa em um grupo de WhatsApp voltado para empreendedores colocou frente a frente um ex boia bria e um desenvolvedor. Dessa aproximação nasceu a Magis5, plataforma de integração para marketplaces fundada em 2019 por Claudio Dias e Vitor Lima, hoje com cerca de 110 funcionários e mais de mil empresas atendidas, conforme reportagem assinada por Pedro Silvini e publicada pelo Diário do Comércio em 7 de agosto de 2026.
Aos 56 anos, Dias resume a própria trajetória em uma frase curta: “Eu sou um empresário que já foi boia-fria”. A empresa foi adquirida pela Sankhya, companhia de software de gestão, em negócio anunciado em 16 de abril de 2026. O valor da transação não foi divulgado por nenhuma das partes, conforme registrou o portal Startups, e os dois fundadores permaneceram à frente da operação.
O encontro que virou empresa
O ponto de partida não tem nada de sofisticado. Dias conheceu o desenvolvedor Vitor Lima em um grupo de WhatsApp de empreendedores, ambiente que reunia gente trocando experiência sobre negócios. Na época, Lima ajudava a própria mãe, que vendia produtos pelo Mercado Livre, automatizando tarefas como cadastro de pedidos, organização de endereços e envio de mercadorias.
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O que era solução caseira para um problema doméstico virou produto. A ideia evoluiu para uma plataforma capaz de integrar diferentes marketplaces em um único sistema, e a Magis5 nasceu em 2019. O primeiro ano fechou com R$ 158 mil de faturamento, número que dimensiona o tamanho do começo e serve de contraste com tudo o que veio depois. Com a aceleração do comércio eletrônico durante a pandemia, o crescimento ganhou tração e continuou mesmo após a estabilização do setor.
O que a plataforma faz na prática
A Magis5 funciona como hub de gestão para o comércio eletrônico, concentrando em um só painel operações que rodam em Amazon, Mercado Livre, Magazine Luiza e Shopee. O sistema automatiza controle de estoque, gestão de produtos e pedidos, emissão de notas fiscais, precificação, expedição e logística.
São mais de 60 integrações disponíveis para empresas de diferentes segmentos. O público principal é o lojista de pequeno e médio porte que vende em vários marketplaces ao mesmo tempo, perfil descrito pelo portal SpaceMoney. Segundo a companhia, alguns clientes chegam a processar mais de um milhão de pedidos em um único dia, volume que explica por que a automação vira necessidade e não conveniência nesse tipo de operação.
Os números que sustentaram a venda
O dado mais citado é o volume transacionado. A plataforma superou R$ 10 bilhões em transações, marca que aparece nos comunicados da própria Sankhya referida a 2025. Vale registrar que o portal Novarejo apresenta o mesmo número como acumulado até 2025, e não como resultado de um único ano.
Há ainda o volume de pedidos: mais de 100 milhões gerados pelos clientes da plataforma ao longo da operação. O quadro de pessoal é de cerca de 110 funcionários, e a base passa de mil empresas atendidas. Importante separar os números: quem movimentou R$ 10 bilhões foram os lojistas que usam o sistema, não a Magis5, cujo faturamento próprio não foi divulgado.
Sobre desempenho, existem duas afirmações diferentes e é preciso não confundi las. Dias diz que empresas que adotam a solução costumam crescer entre 30% e 40% sem ampliar o quadro de funcionários. Em declaração ao portal Startups, ele afirma que a própria Magis5 vinha crescendo entre 30% e 50% ao ano antes da aquisição.
O que a aquisição significa e o que ela não significa
A compra é a 11ª realizada pela Sankhya dentro de uma estratégia de expansão por fusões e aquisições, com previsão declarada de investir mais de R$ 200 milhões em novas compras até o fim do ano. Segundo o CEO Felipe Calixto, a empresa analisou mais de 800 plataformas antes de escolher a Magis5, considerando compatibilidade de produtos, qualidade da equipe, perfil dos fundadores e alinhamento cultural.
Um esclarecimento necessário sobre o desenho do negócio. A Magis5 segue operando com marca própria e continua atendendo clientes fora da base da Sankhya, e Claudio Dias e Vitor Lima permaneceram à frente da empresa. O portal Startups registra que a Sankhya costuma comprar participação superior a 50% mantendo os fundadores como sócios relevantes, prática que a companhia descreve como forma de manter os empreendedores engajados. Vender a empresa, nesse formato, não significou sair dela. Do lado do comprador, as empresas adquiridas já respondem por cerca de 35% do faturamento, e a estratégia alimenta a meta de alcançar R$ 1 bilhão em receita recorrente anual, patamar que aproximaria a Sankhya de uma abertura de capital.
A parte da trajetória que a manchete não conta
O arco de boia-fria a CEO é real, mas tem etapas no meio que a versão curta suprime. Antes de fundar a Magis5, Claudio Dias acumulou 14 anos na Syntax como diretor comercial e outros 10 anos na LI Tecnologia no mesmo cargo, segundo levantamento do portal Novarejo. Ou seja, chegou à startup com quase 25 anos de experiência em posição de direção comercial no setor de tecnologia.
O sócio também não partiu do zero. Vitor Mateus Lima, que assumiu como CTO, trabalhou na Ericsson como analista de desenvolvimento e passou por Thomson Reuters e Luxfacta antes de cofundar a empresa. E houve capital externo pelo caminho: em 2022, a Magis5 recebeu R$ 10 milhões em rodada seed liderada pelo fundo norte americano Parceiro Ventures, com participação da Urca Angels, além de aportes anteriores da Bossa Invest em valores não revelados. Nada disso apaga o ponto de partida na lavoura, mas explica por que a empresa cresceu no ritmo em que cresceu.
O que é ser boia-fria
O termo descreve o trabalhador que faz atividades braçais temporárias no campo, principalmente em períodos de safra. A rotina começa antes do amanhecer, com deslocamento das cidades para as lavouras, e a contratação é por diária, sem vínculo permanente.
A origem da expressão está na refeição. Como não há estrutura para aquecer comida no local de trabalho, o trabalhador leva a marmita preparada em casa e a consome fria durante a jornada. É desse detalhe da rotina que nasceu o nome que a categoria carrega até hoje.
A trajetória de Claudio Dias circula como história de superação, e o ponto de partida na lavoura é fato. O que a versão resumida costuma deixar de fora são as duas décadas e meia de carreira corporativa entre um extremo e outro, além do aporte de R$ 10 milhões que veio antes da venda.
Conta nos comentários: você acha que histórias assim inspiram ou criam expectativa irreal sobre o que basta para empreender no Brasil? E quem já começou de baixo, o que pesou mais na virada, oportunidade que apareceu, rede de contatos ou acesso a capital?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

