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Homem transforma 150 mil garrafas PET descartadas em uma ilha artificial de 1.000 metros quadrados, constrói sozinho o próprio pedaço de terra sobre a água e passa anos vivendo em um santuário sustentável único no mundo
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 08/08/2026 às 12:30
Atualizado em 08/08/2026 às 12:31
Construção
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Richart Sowa ficou conhecido por criar a Joysxee Island, uma ilha flutuante em Isla Mujeres feita com garrafas PET, redes reutilizadas, vegetação, casa, energia solar e estrutura baseada em reciclagem.
O artista britânico Richart Sowa, também conhecido como Rishi, ficou conhecido no Caribe mexicano por criar uma ilha flutuante feita com garrafas PET reaproveitadas, redes reutilizadas, madeira, areia e vegetação. A estrutura, chamada Joysxee Island, foi construída perto de Isla Mujeres, em Quintana Roo, no México. O número de garrafas varia conforme a fonte consultada. A Riviera Maya News informa que a ilha chegou a reunir mais de 150 mil garrafas plásticas.
Joysxee Island nasceu como uma ilha flutuante feita com garrafas PET recicladas
A ideia de Sowa era transformar resíduos plásticos em uma base flutuante capaz de sustentar uma pequena ilha habitável.
No site da Bottland Foundation, ligado ao próprio projeto, ele afirma que construiu a Spiral Island e a Joysxee Island no México sobre uma base de garrafas plásticas presas em sacos reutilizados de frutas e verduras.
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A primeira experiência, conhecida como Spiral Island, começou no fim dos anos 1990. Depois, Sowa passou a desenvolver novas versões da proposta, até chegar à Joysxee Island, associada a Lagoon Makash e à região de Isla Mujeres, no Caribe mexicano.
A estrutura chamava atenção porque não era apenas uma plataforma improvisada sobre o mar. Ela combinava materiais descartados, plantas, raízes, solo em formação e sistemas simples de energia, criando um exemplo incomum de reciclagem aplicada à moradia alternativa.
Estrutura da ilha usava garrafas PET, redes, madeira, areia e vegetação
O princípio técnico da ilha estava na flutuação. As garrafas plásticas eram agrupadas em redes e sacos, formando uma base capaz de manter a estrutura sobre a água. Sobre essa camada, Sowa adicionava madeira, areia e vegetação para criar uma superfície mais estável.
Segundo a Bottland Foundation, as ilhas construídas por Sowa tinham uma base de 1 a 5 metros de espessura feita com garrafas plásticas reutilizadas. O próprio projeto afirma que raízes de manguezais ajudavam a envolver e proteger as garrafas contra a exposição direta ao sol.
A Riviera Maya News também descreveu um fragmento da ilha encontrado em 2020 como uma estrutura com piso de madeira compensada e flutuação sustentada por garrafas plásticas. O material foi associado à Joysxee Island, o que reforça o uso desse tipo de base reciclada no projeto.
Casa flutuante tinha energia solar, jardim e proposta de autonomia
O projeto ganhou repercussão porque foi além da ideia de uma jangada feita com lixo plástico. A ilha abrigava uma casa, áreas verdes e sistemas simples de aproveitamento de recursos naturais, dentro de uma proposta de vida com menor dependência da infraestrutura convencional.
O CicloVivo relatou que a Joysxee Island tinha painéis solares e elementos de aproveitamento de energia das ondas. A publicação também citou a presença de hortas, árvores frutíferas, lagoas, cachoeiras e uma residência construída sobre a estrutura flutuante.
A proposta de Sowa não pode ser tratada como solução urbana de larga escala sem estudos técnicos específicos. Ainda assim, a ilha se tornou um exemplo visual poderoso de reaproveitamento de resíduos plásticos, especialmente por mostrar garrafas PET sendo usadas como componente estrutural de uma moradia flutuante.
Projeto virou atração em Isla Mujeres e símbolo de reciclagem criativa
A Joysxee Island atraiu visitantes, curiosos e veículos de imprensa por unir improviso, engenharia artesanal e mensagem ambiental.
Em Isla Mujeres, a construção passou a ser vista como uma atração incomum, ligada ao turismo alternativo e à discussão sobre lixo plástico nos oceanos.
O apelo público vinha justamente do contraste entre o material usado e o resultado final. Garrafas descartadas, que poderiam permanecer por anos no ambiente, foram reunidas para formar uma base flutuante com casa, plantas e áreas de convivência.
A história também ganhou força porque dependia da perseverança de uma pessoa. Sowa não criou apenas uma instalação artística temporária, mas um espaço onde viveu, recebeu visitantes e tentou demonstrar que resíduos plásticos podem ser convertidos em recurso construtivo.
Furacões, tempestades e manutenção mostraram os limites da ilha
A trajetória da ilha também foi marcada por danos climáticos. O CicloVivo afirma que uma versão anterior foi arrasada em 2005 com a passagem do furacão Emily. Depois disso, Sowa continuou desenvolvendo novas versões de sua proposta no litoral mexicano.
A Riviera Maya News informou, em 2020, que um pedaço de terra flutuante com árvores foi encontrado na região de Isla Blanca e identificado como parte da Joysxee bottle island. A publicação também registrou que a ilha constava como fechada e que suas redes sociais já não eram atualizadas.
Esses episódios mostram que a construção era engenhosa, mas também vulnerável a tempestades, manutenção constante e às condições do mar.
O caso permanece relevante justamente por essa combinação de criatividade ambiental, fragilidade física e debate sobre o destino do plástico descartado.
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Valdemar Medeiros
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Ilha de Richart Sowa permanece como caso raro de sustentabilidade artesanal
A Joysxee Island não deve ser apresentada como solução definitiva para a crise global do plástico, mas como um caso raro de sustentabilidade artesanal em escala individual.
O valor do projeto está menos na promessa de reprodução imediata e mais na força simbólica de transformar descarte em moradia.
A experiência de Sowa dialoga com temas atuais como reciclagem de plásticos, bioconstrução, arquitetura experimental, moradia alternativa e reaproveitamento de resíduos.
Ao construir uma ilha sobre garrafas PET, ele tornou visível uma pergunta simples e incômoda: quanto do lixo descartado ainda poderia ter algum uso?
No fim, a ilha de Richart Sowa se tornou uma história de engenhosidade radical no Caribe mexicano. Em vez de tratar garrafas plásticas apenas como poluição, ele as transformou em base flutuante, jardim e abrigo, criando uma das experiências mais curiosas de reciclagem aplicada à vida cotidiana.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

