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ICE planeja gastar até US$ 20 milhões em luvas que aplicam choques pelo contato direto com a pele durante abordagens de imigrantes, enquanto a entrega prevista para 2027 amplia debate sobre força, treinamento e fiscalização da agência nos Estados Unidos

ICE planeja gastar até US$ 20 milhões em luvas que aplicam choques pelo contato direto com a pele durante abordagens de imigrantes, enquanto a entrega prevista para 2027 amplia debate sobre força, treinamento e fiscalização da agência nos Estados Unidos

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ICE planeja gastar até US$ 20 milhões em luvas que aplicam choques pelo contato direto com a pele durante abordagens de imigrantes, enquanto a entrega prevista para 2027 amplia debate sobre força, treinamento e fiscalização da agência nos Estados Unidos

Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges

Publicado em 15/08/2026 às 11:42

Atualizado em 15/08/2026 às 11:43

Ciência e Tecnologia

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ICE planeja investir até US$ 20 milhões em luvas elétricas para abordagens de imigrantes, com entrega prevista até março de 2027.
imagem: Compliant Technologies

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O plano do ICE prevê investimento entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões nos dispositivos elétricos CTG 5 G.L.O.V.E. As luvas dependem de contato com pele descoberta, seriam distribuídas a duas divisões da agência e, segundo o aviso de contratação, deveriam ser entregues até 31 de março de 2027.

As luvas elétricas que o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, o ICE, pretende adquirir podem aplicar estímulos pelo contato direto com a pele durante abordagens. Um aviso do Departamento de Segurança Interna, o DHS, estimou o negócio entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões, mas não revelou quantos equipamentos seriam comprados.

O planejamento prevê fornecimento até 31 de março de 2027. A tecnologia é apresentada pelo fabricante como uma alternativa para interromper resistência e reduzir confrontos, enquanto organizações de direitos civis questionam a necessidade, a supervisão e o risco de uso inadequado. O debate não envolve apenas o funcionamento do equipamento, mas as regras que determinarão quando um agente poderá acioná-lo.

Aviso apresenta intenção de compra, não contrato concluído

A reportagem da CNN Brasil informa que o planejamento foi divulgado pelo DHS em agosto de 2026. O documento descreveu os dispositivos como equipamentos de distração condutiva e desescalada destinados a agentes e oficiais de duas áreas do ICE.

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O intervalo de US$ 10 milhões a US$ 20 milhões é uma estimativa de contratação. Ele não comprova que o governo já transferiu recursos ao fabricante, que o valor máximo será utilizado ou que todas as unidades previstas serão entregues. Etapas administrativas, treinamento e elaboração de políticas ainda podem alterar prazos e implantação.

Também permanecem desconhecidos o preço por unidade, a quantidade pretendida e o momento em que as luvas começariam a aparecer em operações. Dizer que o ICE “gastará US$ 20 milhões” sem ressalva transforma o teto estimado em despesa confirmada, algo que os dados divulgados não sustentam.

Equipamentos seriam destinados às divisões HSI e ERO

O aviso aponta distribuição para a Homeland Security Investigations, conhecida como HSI, e para a Enforcement and Removal Operations, ou ERO. Embora façam parte do ICE, as duas divisões exercem funções diferentes dentro da estrutura de fiscalização americana.

A HSI conduz investigações relacionadas a crimes transnacionais e violações de leis federais. A ERO atua diretamente em identificação, prisão, detenção e remoção de estrangeiros sujeitos a medidas migratórias. Assim, a aquisição poderia alcançar tanto equipes investigativas quanto agentes envolvidos em abordagens e deportações.

A amplitude do público interno torna relevantes perguntas sobre protocolos específicos. Uma operação planejada, uma transferência de custódia e uma abordagem inesperada apresentam condições distintas. Uma regra genérica de uso pode não responder adequadamente a todos os ambientes em que o equipamento poderá ser levado.

Luvas dependem de contato direto com a pele

O modelo citado é o CTG 5 G.L.O.V.E., sigla em inglês para emissor de baixa tensão gerada. Segundo as especificações divulgadas pela Compliant Technologies, o dispositivo opera na faixa declarada de 324 a 362 volts e não ultrapassaria 380 volts.

O manual informa que o recurso elétrico precisa tocar a pele e perde eficácia sobre roupas ou cabelo. Quando acionado durante o contato, o estímulo é destinado a provocar distração e dificultar temporariamente movimentos coordenados, permitindo que o agente tente assumir controle da situação.

O número da tensão, isoladamente, não determina o efeito completo sobre uma pessoa. Corrente, duração dos pulsos, tempo total, área atingida, condições ambientais e estado de saúde também influenciam o risco. A informação de “até 380 volts” chama atenção, mas não substitui uma avaliação médica e operacional independente.

Manual estabelece restrições para utilização

As orientações do fabricante afirmam que não mais de dois dispositivos devem ser aplicados simultaneamente em uma pessoa. Em muitas situações, o uso não deveria ultrapassar 15 segundos, embora o manual admita continuidade quando policiais ou integrantes do público estiverem em perigo e o controle ainda não tiver sido obtido.

O documento também diz que o equipamento não deve ser utilizado como punição ou como resposta a mera contestação verbal. Há advertências específicas envolvendo gestantes, idosos, crianças pequenas e pessoas com deficiências graves ou outras condições de alto risco.

Usuários precisariam receber certificação e passar por recertificação a cada dois anos. Essas orientações partem da fabricante; o ICE ainda precisa definir sua própria política, treinamento, mecanismos de registro e consequências para violações. A existência de um manual não garante, por si só, que cada aplicação será necessária, proporcional e corretamente documentada.

Fabricante apresenta tecnologia como instrumento de desescalada

A Compliant Technologies denomina o produto como um dispositivo condutivo de distração e desescalada. Em sua comunicação comercial, afirma que a tecnologia complementa ferramentas já utilizadas por forças policiais, unidades penitenciárias, equipes de segurança, serviços de emergência e militares.

Representantes e distribuidores associados ao produto sustentam que o estímulo pode reduzir rapidamente a resistência sem provocar lesões permanentes. Essas afirmações ajudam a explicar o interesse de órgãos de segurança, mas são declarações de partes ligadas à produção e comercialização do equipamento.

As fontes divulgadas sobre a compra não apresentam um estudo clínico independente específico do CTG 5 em operações migratórias de grande escala. Sem dados públicos comparáveis sobre frequência de uso, circunstâncias, efeitos adversos e denúncias, a promessa de desescalada permanece uma hipótese que precisará ser medida no mundo real.

Tecnologia semelhante já apareceu em unidades penitenciárias

Dispositivos da mesma empresa já foram adotados ou avaliados em ambientes policiais e de custódia. Em 2024, a prisão do condado de Oklahoma anunciou planos para utilizar luvas elétricas como uma opção de controle durante intervenções com detentos.

Defensores da ferramenta afirmaram naquela ocasião que o efeito sensorial poderia abreviar confrontos e reduzir a necessidade de níveis superiores de força. A justificativa é que o equipamento funciona durante uma contenção próxima, sem o lançamento de projéteis ou a exibição de uma arma convencional.

O histórico também inclui denúncias de uso abusivo. Em 2022, dois agentes penitenciários da Carolina do Sul foram indiciados após incidentes que envolveram agressões e a aplicação de um dispositivo vestível da marca em um detento. A acusação não prova que todo uso será irregular, mas demonstra que treinamento e fiscalização não podem ser tratados como detalhes secundários.

Formato discreto aumenta preocupação com transparência

Diferentemente de equipamentos facilmente reconhecidos à distância, o dispositivo é incorporado à mão do agente. A aparência discreta pode permitir reação rápida, porém dificulta para testemunhas identificar se o modo elétrico foi acionado durante um contato físico.

O fabricante lista capacidade de registro de eventos entre os recursos do CTG 5. Ainda não foi explicado publicamente quais dados seriam armazenados, quem teria acesso, por quanto tempo seriam preservados e se seriam associados a relatórios de uso da força ou imagens de câmeras corporais.

Para defensores de direitos civis, essa baixa visibilidade eleva o risco de aplicações sem documentação suficiente. Já apoiadores entendem que uma ferramenta próxima e menos ostensiva pode evitar escaladas. As duas leituras dependem de evidências que somente políticas transparentes e registros auditáveis poderiam oferecer.

Críticos questionam emprego em fiscalização migratória civil

Representantes da American Civil Liberties Union e do National Immigration Law Center criticaram o plano. Eles argumentam que o ICE já enfrenta questionamentos sobre uso da força e que adicionar um equipamento acionado durante contato direto pode ampliar a possibilidade de abuso.

As críticas também destacam a natureza civil de grande parte da fiscalização migratória. Estar sem situação migratória regular não equivale automaticamente a representar ameaça física, por isso opositores cobram critérios claros que impeçam o uso como forma de intimidação ou punição.

As preocupações não significam que cada abordagem terminará com aplicação elétrica. O ponto central é quem autorizará o uso, qual resistência justificará a medida, como pessoas vulneráveis serão identificadas e de que maneira reclamações serão investigadas. Sem respostas públicas, o equipamento chega ao debate antes das salvaguardas.

Governo afirma buscar alternativa a níveis maiores de força

Após a divulgação do plano, o responsável pela política de fronteiras da Casa Branca, Tom Homan, defendeu as luvas como uma opção não letal destinada a evitar respostas mais graves. Segundo relato da Associated Press, ele afirmou que a implantação dependeria de treinamento e elaboração de políticas.

O argumento está alinhado à apresentação do fabricante: oferecer uma etapa adicional entre comandos verbais, contenção física e recursos de maior impacto. Para avaliar se essa função será cumprida, será necessário comparar ocorrências semelhantes e observar se o novo dispositivo realmente reduz outras formas de força.

O DHS mantém uma política geral que prevê treinamento em desescalada, dever de intervenção e coleta de dados sobre uso da força. A aplicação concreta dessas exigências ao CTG 5 ainda deverá aparecer em normas internas. Classificar uma ferramenta como “desescalada” não elimina a obrigação de justificar cada utilização.

Entrega prevista para 2027 ainda deixa perguntas abertas

O cronograma divulgado aponta 31 de março de 2027 como data de conclusão do fornecimento. Antes de uma implantação ampla, agentes precisarão ser treinados, políticas terão de definir situações autorizadas e sistemas de controle precisarão registrar quando e por que o modo elétrico foi ativado.

Também será necessário esclarecer se a contratação abrangerá apenas equipamentos ou incluirá acessórios, manutenção, certificação e suporte. Sem essas informações, não é possível dividir o teto de US$ 20 milhões por um preço de varejo e calcular corretamente quantas unidades seriam adquiridas.

O plano coloca uma tecnologia discreta de controle físico no centro de uma discussão maior sobre imigração, proporcionalidade e prestação de contas. Na sua opinião, o ICE deveria suspender a compra, testar poucas unidades sob fiscalização independente ou avançar apenas depois de divulgar regras e dados completos? Conte nos comentários.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

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