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Idaf busca exemplos paulistas para melhorar selo D’Colônia no Acre

Idaf busca exemplos paulistas para melhorar selo D’Colônia no Acre

Médicos veterinários do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) participaram, de 3 a 7 de agosto, de uma missão técnica no estado de São Paulo para conhecer experiências relacionadas à inspeção, regularização e valorização de produtos artesanais de origem animal. A iniciativa buscou identificar práticas que possam ser adaptadas à realidade do Acre e contribuir para o fortalecimento do Selo D’Colônia.

Durante a missão, a equipe visitou três queijarias e três unidades de beneficiamento de carnes e produtos cárneos, acompanhando diferentes realidades da produção artesanal, como a fabricação de queijos, linguiças e produtos de charcutaria.

As visitas permitiram conhecer instalações, processos produtivos, controles sanitários, documentação, rotinas de fiscalização e soluções adotadas para conciliar a produção em pequena escala com a segurança e a qualidade dos alimentos.

Para a médica veterinária Soraia Aguiar, a experiência possibilitou ampliar a compreensão sobre os desafios enfrentados pela produção artesanal e refletir sobre caminhos que podem ser adotados no Acre.

“Foi uma experiência muito positiva, principalmente porque tivemos a oportunidade de conhecer uma realidade diferente da nossa e perceber que não se trata simplesmente de copiar o que São Paulo faz. Precisamos entender o que funciona e adaptar à realidade do Acre. Para avançarmos, também precisamos quebrar algumas culturas e barreiras que ainda existem, sempre por meio da orientação e da educação sanitária”, destacou.

Segundo Soraia, um dos desafios está relacionado à necessidade de ampliar a conscientização sobre a importância da segurança dos alimentos, sem desconsiderar a tradição e a identidade dos produtos locais.

“Um exemplo é o consumo de leite cru, que ainda faz parte dos hábitos de muitas famílias. Precisamos trabalhar para que o produtor e o consumidor entendam que valorizar um produto artesanal não significa abrir mão da segurança sanitária. É possível preservar nossa tradição, nossa identidade e nossos produtos, mas oferecendo um alimento seguro para quem consome”, acrescentou.

Inspeção como oportunidade de crescimento

Um dos principais aspectos observados durante a missão foi a forma como São Paulo utiliza a inspeção de produtos artesanais não apenas como instrumento de fiscalização, mas também como ferramenta de formalização, desenvolvimento dos pequenos empreendimentos e acesso a novos mercados.

Para o médico veterinário Marcelo Serrate, a experiência demonstrou que a regularização junto ao serviço oficial de inspeção pode representar uma oportunidade de crescimento e valorização para o produtor.

“Um ponto que nos chamou muito a atenção foi como o registro no serviço de inspeção artesanal se torna, na prática, um diferencial de mercado. Em São Paulo, vimos produtores que investem continuamente em qualidade e inovação, chegando a conquistar prêmios internacionais, justamente por estarem regularizados”, explicou.

Marcelo destacou ainda que a experiência deverá contribuir para as discussões sobre o aprimoramento do Selo D’Colônia.

“Essa cultura de valorização, que inclusive passa pelo entendimento da importância de se registrar e ser inspecionado, foi o que consolidou o Estado como referência em produção artesanal. Essa vivência nos trouxe clareza sobre os caminhos para robustecer a legislação do Selo D’Colônia, adequando-a à nossa realidade e desenhando um modelo de inspeção mais completo para os estabelecimentos do Acre”, ressaltou.

Produção artesanal e acesso ao mercado

A programação também contou com a participação dos representantes do Idaf no Mesa São Paulo – Edição Campinas, evento que reuniu produtores e apresentou uma variedade de produtos devidamente registrados.

A participação permitiu observar como gastronomia, turismo, produção artesanal e inspeção sanitária podem atuar de forma integrada, criando novas oportunidades para os pequenos produtores.

A experiência mostrou ainda que a regularização sanitária pode estar associada à promoção comercial dos produtos artesanais. Com o registro, os produtores podem ampliar a participação em feiras, eventos e outros espaços de comercialização, aumentando a visibilidade e o reconhecimento dos produtos junto aos consumidores.

Selo D’Colônia

No Acre, o Selo D’Colônia foi criado para possibilitar a regularização sanitária da produção de pequena escala, valorizando os produtos locais e contribuindo para a oferta de alimentos seguros à população.
A experiência adquirida durante a missão técnica deverá subsidiar discussões sobre o aprimoramento da legislação e dos procedimentos adotados pelo Estado.

Entre os pontos que poderão ser avaliados estão a simplificação dos processos de registro, a adequação das exigências à realidade dos pequenos estabelecimentos, a elaboração de normas específicas por cadeia produtiva, o fortalecimento dos procedimentos de fiscalização e acompanhamento, a capacitação de produtores e responsáveis técnicos e a criação de estratégias para ampliar a presença dos produtos regularizados em feiras e eventos.

A proposta é fortalecer o Selo D’Colônia como uma porta de entrada para a formalização, permitindo que o pequeno produtor produza de forma segura, conquiste novos mercados e desenvolva seu empreendimento, podendo posteriormente avançar para o Serviço de Inspeção Estadual (SIE), conforme o crescimento da atividade.

Próximos passos

Como resultado da missão, o Idaf deverá elaborar um relatório reunindo as experiências observadas em São Paulo e propostas que possam ser adaptadas à realidade do Acre.

O documento deverá contribuir para as discussões sobre o fortalecimento das agroindústrias de pequeno porte, o aprimoramento da inspeção sanitária, a segurança dos alimentos e a valorização dos produtos de origem animal produzidos no Estado.

Fonte:ac24Agro


Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por Redação Ecos da Notícia.

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