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Idaf reforça importância do vazio sanitário da soja e diz que foco é orientar, não punir produtores

Idaf reforça importância do vazio sanitário da soja e diz que foco é orientar, não punir produtores

Durante entrevista ao ac24horas, realizada na noite desta quarta-feira, 05, na quinta noite da Expoacre 2026, a coordenadora do Programa de Sanidade das Grandes Culturas do Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf), Ligiane Amorim, detalhou as ações do órgão para proteger as principais lavouras do estado, explicou o funcionamento do vazio sanitário da soja, falou sobre a expansão de culturas como o café e anunciou novas caravanas educativas para orientar produtores rurais.

Segundo a engenheira agrônoma, o trabalho desenvolvido pelo Idaf é baseado principalmente na prevenção, educação e diálogo com o setor produtivo, tendo como objetivo evitar prejuízos econômicos e preservar a sanidade vegetal no Acre. Ligiane iniciou a entrevista explicando que as chamadas “grandes culturas” são aquelas cultivadas em grandes extensões e que possuem relevância econômica para o estado.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas

“No Acre, nós trabalhamos principalmente com soja, milho e mandioca. A mandioca, inclusive, é considerada uma grande cultura porque, além da importância econômica, faz parte da cultura alimentar acreana. Onde existe pecuária, normalmente também existe plantio de mandioca, nem que seja para consumo da própria família. É uma cultura presente em praticamente todo o estado”, afirmou.

Ela destacou ainda que a farinha produzida no Vale do Juruá possui reconhecimento nacional por meio da Indicação Geográfica, demonstrando a importância da cadeia produtiva da mandioca para a economia acreana. “O café vem ganhando um destaque muito grande no Acre. O Idaf está começando ações específicas voltadas para essa cultura. Estamos estudando formas de nos aproximarmos ainda mais dos produtores para trabalhar a questão da sanidade”, explicou.

Um dos principais temas da entrevista foi o vazio sanitário da soja, estratégia obrigatória para combater a ferrugem asiática, considerada a principal doença da cultura. Ligiane explicou que o vazio sanitário consiste na eliminação total das plantas vivas de soja durante um período de 90 dias consecutivos. “O vazio sanitário é uma estratégia de combate à ferrugem asiática da soja. O produtor precisa eliminar todas as plantas vivas nesse período para reduzir a quantidade do fungo nas áreas de produção e proteger a próxima safra”, ponderou.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas

Ela ressaltou que o calendário é estabelecido nacionalmente pelo Ministério da Agricultura e que todos os estados produtores seguem datas específicas. “No Acre, o vazio sanitário começa cerca de 90 dias antes do período oficial de semeadura, que ocorre em setembro. A ideia é impedir que a ferrugem encontre plantas vivas para sobreviver entre uma safra e outra”, ressaltou.

Questionada sobre a necessidade de o Idaf promover entrevistas coletivas para tratar do tema, Ligiane negou que isso seja consequência de descumprimento generalizado das regras. Segundo ela, a divulgação faz parte da estratégia permanente de educação sanitária. “O Idaf trabalha de maneira educativa e preventiva. A soja ainda é uma cultura relativamente nova no Acre, assim como a nossa legislação estadual. Como tudo que é novo, é preciso um tempo para que os produtores se adequem”, afirmou.

Ela explicou que o instituto realiza visitas frequentes às propriedades para orientar os agricultores. “É comum encontrarmos a chamada tiguera, que são plantas de soja que germinam naturalmente após a colheita porque alguns grãos ficam no solo. Isso acontece de forma natural. Nosso papel é orientar o produtor para eliminar essas plantas”, pontuou.

Ligiane reforçou que o principal beneficiado pelo vazio sanitário é justamente quem produz soja. “O maior interessado em realizar corretamente o vazio sanitário é o próprio produtor. É ele quem ganha quando essa medida é feita da forma correta”, ressaltou.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas

Durante a entrevista, a coordenadora confirmou que a legislação prevê multas para quem insistir em manter plantas vivas de soja durante o vazio sanitário, mas ressaltou que essa não é a prioridade do órgão. Segundo ela, quando os fiscais encontram soja remanescente nas propriedades, o procedimento inicial é notificar o produtor e conceder prazo para a eliminação das plantas.

“Nós notificamos o produtor e estabelecemos um prazo adequado para que a tiguera seja eliminada. Só quando ele não atende essa determinação é que a legislação prevê a aplicação de infração e multa. O objetivo do Idaf é evitar prejuízos econômicos para a agricultura do Acre. Quando precisamos autuar um produtor, não estamos agindo contra ele. Estamos protegendo toda a cadeia produtiva”, explicou.

Ligiane afirmou que considera uma autuação um sinal de que houve falha em diferentes níveis da cadeia produtiva. “Quando um produtor é autuado, eu considero que houve uma falha do sistema. Pode ter sido do produtor, do responsável técnico, que é o engenheiro agrônomo que acompanha a área, e também do próprio serviço de defesa agropecuária”, pontuou.

A coordenadora também anunciou que o Idaf realizará novas ações itinerantes de capacitação. Segundo ela, estão previstas a 4ª Caravana Educativa da Monilíase e a 1ª Caravana Educativa da Vassoura-de-Bruxa da Mandioca. “São atividades que levam informação diretamente aos produtores e, ao mesmo tempo, qualificam nossos técnicos para uma atuação ainda mais eficiente”, afirmou.

Outro assunto abordado foi a preocupação com a monilíase, doença que afeta cacau e cupuaçu e que tem maior incidência na região do Juruá. Ligiane explicou que a proximidade com o Peru aumenta o risco de entrada de pragas agrícolas. Ela afirmou que os primeiros focos identificados no Acre surgiram em áreas urbanas de Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima, reforçando a hipótese de introdução da doença por meio do transporte de frutos contaminados.

“As doenças normalmente chegam ao país por meio do trânsito de frutos e plantas. O Juruá faz fronteira com regiões do Peru onde a monilíase já está presente. Além disso, existe uma grande circulação de pessoas naquela região”, explicou.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Ecos da Notícia por ac24horas.

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