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Ilha de quase 50 mil m² sumiu completamente no Pacífico, deixou apenas um tronco sobre o recife e, 12 anos depois, ganhou uma escultura que desaparece com a maré e mostra até onde o oceano pode chegar
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 12/08/2026 às 11:59
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Kale desapareceu nas Ilhas Salomão após perder 48.890 m², e escultura instalada em 2026 passou a acompanhar as marés no mesmo local.
Uma pequena ilha das Ilhas Salomão desapareceu completamente sob o oceano após perder toda a sua área, estimada em quase 50 mil metros quadrados.
Conhecida como Kale, a ilha abrigava areia branca, manguezais, floresta, aves, tartarugas e memórias de famílias que viveram na região.
Em 2014, porém, nenhuma parte da ilha permanecia acima da água.
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Doze anos depois, em 2026, uma escultura em tamanho real foi instalada exatamente no ponto onde Kale existiu.
Batizada de The Solomon Siren, a obra acompanha visualmente o movimento das marés e representa a ativista Gladys Habu Bartlett.
Família acompanhou desaparecimento gradual de Kale
Gladys tinha 14 anos quando retornou à ilha com familiares, em dezembro de 2009.
Segundo relato ao Instituto Internacional para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, a família percebeu que o oceano avançava rapidamente sobre Kale.
Os avós de Gladys haviam mantido uma casa e plantações no local.
A região também recebia tartarugas, aves e moradores de ilhas próximas que utilizavam suas águas para pescar.
Cinco anos depois, a paisagem havia mudado completamente.
O barco da família já conseguia navegar sobre o ponto anteriormente ocupado pela faixa de areia.
Apenas um tronco seco permaneceu por algum tempo acima da água e passou a servir de apoio para aves.
Kale perdeu 48.890 metros quadrados, correspondentes a 100% da área analisada.
Escultura surge no mesmo ponto onde ilha desapareceu
O artista britânico Jason deCaires Taylor criou a Solomon Siren utilizando a imagem de Gladys.
A escultura mostra a ativista em tamanho real com a cabeça apoiada em uma estrutura semelhante a uma árvore.
O corpo representa Gladys, enquanto os galhos fazem referência à vegetação e aos recursos naturais perdidos.
O Alto Comissariado Britânico em Honiara encomendou a instalação, colocada na zona entre-marés em 2026.
Durante a maré baixa, grande parte da figura permanece visível.
A subida da água volta a cobrir trechos da escultura, criando uma representação direta do avanço do oceano.
Cinco datas transformam obra em registro do avanço do mar
A própria estrutura possui datas relacionadas à história de Kale e à evolução do nível das águas.
2006 representa o período em que a subida do mar passou a causar preocupação.
2016 marca a publicação da confirmação científica sobre o desaparecimento da ilha.
2026 registra a instalação da Solomon Siren.
As marcações de 2036 e 2046 representam níveis futuros associados à progressão regional do oceano.
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Viviane Alves
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Pesquisa revelou outras ilhas desaparecidas
Pesquisadores analisaram fotografias aéreas e imagens de satélite de 33 ilhas produzidas entre 1947 e 2014.
O estudo, publicado em 2016, identificou cinco ilhas com vegetação que desapareceram completamente.
Outras seis apresentaram forte recuo da linha costeira.
Os pesquisadores observaram erosão mais intensa nas áreas expostas às ondas.
A combinação entre elevação do nível do mar, correntes e energia das ondas ajudou a deslocar a areia para fora das plataformas de recife.
Medições avaliadas no estudo indicaram aumento de aproximadamente 7 a 10 milímetros por ano desde 1994 nas Ilhas Salomão.
Escultura foi preparada para ganhar vida marinha
Jason deCaires Taylor utilizou cimento de pH neutro, biochar e aço inoxidável de uso marinho na obra.
A superfície porosa favorece a presença gradual de algas, corais e pequenos invertebrados.
A estrutura em formato de árvore também oferece um ponto de descanso para aves.
Dados da Terceira Avaliação Mundial dos Oceanos da ONU mostram que a elevação média global do mar também acelerou.
A taxa global chegou a cerca de 4,3 milímetros por ano em 2023.
A Solomon Siren, portanto, permanece exatamente onde Kale existiu e transforma o desaparecimento da ilha em um registro físico das mudanças do oceano.
Você considera que monumentos como esse ajudam a tornar os efeitos da elevação do nível do mar mais compreensíveis? Deixe sua opinião.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

