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Imigrante brasileiro chegou a Boston aos 14 anos, enfrentou dificuldades com o inglês, repetiu um ano e deixou a escola, mas retomou os estudos, conquistou bolsa na Universidade Tufts, passou pelo MIT Endowment e criou uma empresa de seguros com a meta de proteger 5 milhões de latinos até 2030
Escrito por Carla Teles
Publicado em 07/08/2026 às 22:09
Atualizado em 07/08/2026 às 22:10
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O imigrante brasileiro Tiago Prado chegou a Boston aos 14 anos, enfrentou dificuldades com o inglês, abandonou a escola, retomou os estudos no Bunker Hill, conquistou bolsa na Universidade Tufts, trabalhou no MIT Endowment e depois criou a BRZ, voltada à comunidade latina e com meta ambiciosa definida para 2030.
O imigrante brasileiro Tiago Prado chegou do Brasil a Boston, nos Estados Unidos, aos 14 anos e precisou se adaptar simultaneamente ao frio, ao novo país e a um idioma que ainda não dominava. As dificuldades com o inglês afetaram diretamente sua trajetória escolar: ele repetiu um ano e acabou deixando a escola, antes de decidir retomar a formação por outro caminho.
A trajetória foi publicada pela IA Magazine em 1º de agosto de 2022, quando Prado já havia passado pelo Bunker Hill Community College, conquistado uma bolsa para estudar na Universidade Tufts, trabalhado com gestão de ativos e atuado como analista de investimentos no MIT Endowment. Depois, entrou no setor de seguros e passou a desenvolver a BRZ com foco na comunidade latina.
Mudança para Boston aconteceu aos 14 anos
Tiago Prado ainda era adolescente quando deixou o Brasil e chegou a Boston. A adaptação foi marcada não apenas pelo choque climático, mas principalmente pela dificuldade de compreender e utilizar o inglês em uma fase na qual a escola exigia acompanhar aulas, realizar provas e interagir em um ambiente completamente novo.
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O idioma tornou-se um dos principais obstáculos enfrentados pelo imigrante brasileiro nos primeiros anos nos Estados Unidos. A dificuldade teve consequências acadêmicas concretas, levando Prado a repetir um ano e, posteriormente, a abandonar a escola antes de concluir a educação básica pelo caminho tradicional.
Abandono da escola não encerrou os estudos
Deixar a escola poderia ter interrompido definitivamente a formação acadêmica, mas Prado decidiu voltar a estudar. Ele se matriculou no Bunker Hill Community College, onde também buscou melhorar o inglês e se preparar para obter o GED, certificação equivalente à conclusão do ensino médio nos Estados Unidos.
A retomada representou uma mudança importante porque criou uma segunda oportunidade acadêmica. Em vez de considerar a reprovação e o abandono como ponto final, Prado reconstruiu o caminho educacional por uma rota alternativa, utilizando o community college como porta de entrada para etapas que antes pareciam distantes.
Mentor decidiu investir em sua educação
Durante esse período, Prado contou com o apoio de uma pessoa próxima à família que se tornou seu mentor e figura paterna. A mãe trabalhava para um gestor de fundos de investimento, e esse profissional passou a acompanhar o desenvolvimento acadêmico do jovem brasileiro.
Prado chegou a considerar concluir o ensino médio e ingressar nos fuzileiros navais, mas o mentor propôs outro caminho e se ofereceu para apoiar seus estudos. O incentivo veio em um momento no qual o próprio jovem ainda não demonstrava confiança plena em sua capacidade acadêmica, tornando-se decisivo para a continuidade da formação.
Bolsa abriu caminho para a Universidade Tufts
Depois do período no Bunker Hill Community College, Prado conseguiu se transferir para a Universidade Tufts com uma bolsa de estudos. A conquista representou uma mudança expressiva para alguém que poucos anos antes havia abandonado a escola por dificuldades com o idioma.
A experiência universitária ampliou as possibilidades profissionais do imigrante brasileiro e o aproximou do setor financeiro. O inglês que inicialmente funcionava como barreira passou gradualmente a dividir espaço com outras habilidades, inclusive a capacidade de circular entre culturas e compreender diferentes comunidades.
Experiência transformou idioma em vantagem
Ao avançar profissionalmente, Prado passou a interpretar sua origem latina de maneira diferente. O que antes parecia uma vulnerabilidade no ambiente escolar tornou-se um elemento capaz de diferenciá-lo em mercados nos quais compreender idiomas, hábitos e experiências de imigrantes tinha valor comercial.
Essa percepção seria importante posteriormente na criação de uma empresa voltada à comunidade latina. A experiência pessoal de chegar aos Estados Unidos sem domínio do inglês forneceu uma referência concreta sobre as dificuldades enfrentadas por clientes que precisam compreender produtos financeiros e burocracias em outro idioma.
Trabalho em Massachusetts envolveu saúde estudantil
Enquanto estudava no Bunker Hill, Prado também participou de um trabalho relacionado ao seguro de saúde estudantil em Massachusetts. Ele atuou com o então governador Deval Patrick na reorganização de benefícios destinados a estudantes de instituições estaduais e comunitárias.
A iniciativa ampliou o acesso a um plano de saúde de qualidade para mais de 100 mil estudantes, de acordo com o relato apresentado. O trabalho também buscou melhorar o atendimento preventivo destinado às mulheres, dando a Prado experiência prática com seguros antes mesmo de sua entrada definitiva no setor.
Carreira seguiu para gestão de ativos
Depois da formação universitária, Prado trabalhou com gestão de ativos, área ligada à administração e análise de investimentos. Essa etapa o colocou em contato com mercados financeiros e com profissionais responsáveis por administrar grandes volumes de capital.
A carreira acabou levando o imigrante brasileiro ao MIT Endowment, estrutura relacionada à gestão dos recursos patrimoniais do Massachusetts Institute of Technology. Ali, Prado trabalhou como analista de investimentos na área de desenvolvimento de negócios, ampliando seu contato com gestores e diferentes segmentos do mercado financeiro.
Jantar em Omaha despertou interesse por seguros
O interesse mais direto pelo setor de seguros surgiu durante uma viagem a Omaha, no estado de Nebraska. Prado participou de um jantar realizado antes da assembleia anual de acionistas da Berkshire Hathaway e teve contato com importantes gestores de fundos de investimento.
Ao conversar com esses profissionais, percebeu que vários possuíam algum tipo de exposição ao setor de seguros em suas estratégias. A constatação chamou sua atenção para a importância desse mercado dentro do universo financeiro e ajudou a direcionar os passos profissionais que viriam depois.
BRZ nasceu voltada à comunidade latina
Prado passou então a desenvolver a BRZ, empresa ligada ao mercado de seguros e orientada especialmente ao atendimento de consumidores latinos. A proposta nasceu da percepção de que idioma e compreensão cultural poderiam ser tratados como elementos centrais da experiência do cliente, e não apenas como recursos complementares.
A atuação procura aproximar produtos financeiros de pessoas que podem enfrentar dificuldades com burocracia, terminologia e funcionamento do mercado americano. A própria experiência do fundador como imigrante brasileiro ajudou a definir esse posicionamento, especialmente em relação à necessidade de integração em vez de simples assimilação cultural.
Atendimento bilíngue não seria suficiente
Para Prado, atender consumidores latinos exige mais do que contratar um funcionário que fale espanhol. O desafio envolve compreender a experiência do cliente, utilizar ferramentas adequadas e adaptar processos a uma comunidade formada tanto por pessoas nascidas nos Estados Unidos quanto por imigrantes.
Em 2022, ele citava uma população de 62 milhões de hispânicos no país, dos quais 65% haviam nascido nos Estados Unidos e 35% eram estrangeiros. Também destacava a preferência de grande parte desse público pelo bilinguismo, elemento que reforçava a necessidade de estruturas de atendimento mais amplas.
Tecnologia entrou na estratégia de expansão
A empresa também planejava utilizar tecnologia para ampliar o alcance do atendimento. Prado descreveu uma plataforma de back-end construída com inteligência artificial e preparada para operar em português, espanhol e inglês.
A ideia era utilizar essa infraestrutura inicialmente nos Estados Unidos e, posteriormente, levá-la ao mercado latino-americano depois do cumprimento da principal meta de crescimento. A tecnologia aparece, portanto, como instrumento para escalar um atendimento criado a partir de necessidades linguísticas e culturais específicas.
Meta é proteger 5 milhões de latinos até 2030
A principal meta apresentada por Prado era ajudar 5 milhões de latinos a protegerem seu sonho americano até 2030. O objetivo estabelece uma escala muito superior ao atendimento de uma agência local e coloca a expansão tecnológica como parte necessária da estratégia.
O número também revela como a empresa pretende transformar uma experiência individual de imigração em um negócio de alcance maior. O jovem que teve dificuldades para compreender inglês na escola passou a construir uma operação cuja proposta depende justamente da capacidade de comunicar produtos complexos em diferentes idiomas.
Setor de seguros também virou espaço para diversidade
Prado defende maior diversidade dentro das posições de liderança do mercado de seguros. Na avaliação apresentada em 2022, ampliar a presença de profissionais de diferentes origens na alta administração seria uma forma de tornar o setor mais representativo e preparado para atender públicos diversos.
Ele também direcionou a mensagem a profissionais latinos que alcançaram cargos executivos, defendendo que utilizem sua influência para apoiar outras pessoas. A proposta conecta crescimento empresarial, formação profissional e desenvolvimento comunitário, repetindo de alguma forma o apoio que o próprio Prado recebeu quando ainda estudava.
Apoio recebido virou compromisso de retribuição
Quando Prado perguntou ao mentor como poderia devolver o investimento feito em sua educação, recebeu como resposta a ideia de fazer o mesmo por outra pessoa no futuro. Esse princípio passou a aparecer em sua visão sobre a relação com a comunidade latina.
Para o empreendedor, conhecimento e formação ganham outra dimensão quando são compartilhados. A trajetória do imigrante brasileiro não termina na conquista de uma bolsa ou de uma carreira financeira, mas se conecta à tentativa de ampliar o acesso de outras pessoas a informações e oportunidades que podem ser difíceis de compreender em um novo país.
Da dificuldade com inglês ao MIT Endowment
Entre a chegada a Boston aos 14 anos e a atuação no MIT Endowment, Prado atravessou etapas que dificilmente pareciam conectadas no começo da adolescência. Repetiu um ano, deixou a escola, buscou o GED, ingressou em um community college e depois alcançou uma universidade com bolsa.
A sequência mostra que sua trajetória acadêmica não ocorreu de maneira linear. A retomada dos estudos funcionou como ponto de ligação entre a experiência inicial de imigração e as oportunidades no mercado financeiro, permitindo que uma dificuldade educacional fosse gradualmente substituída por formação e experiência profissional.
Imigrante brasileiro transformou experiência em negócio
O imigrante brasileiro que chegou aos Estados Unidos aos 14 anos sem dominar inglês passou por Bunker Hill, Universidade Tufts, gestão de ativos e MIT Endowment antes de direcionar sua experiência para o mercado de seguros. Na BRZ, a meta anunciada em 2022 era alcançar 5 milhões de latinos até 2030 e ampliar uma estrutura tecnológica trilíngue.
A história reúne imigração, educação, mentoria e empreendedorismo em uma trajetória construída por etapas, sem apagar os obstáculos enfrentados no início. Qual momento mais chamou sua atenção: a volta aos estudos depois de abandonar a escola, a bolsa na Tufts, a passagem pelo MIT Endowment ou a decisão de criar um negócio voltado à comunidade latina? Deixe seu comentário.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

