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Impacto de asteroide pode ter aberto cratera de 10 km, remodelado uma lua de Marte e e espalhado material por quase toda a sua superfície, diz estudo

Impacto de asteroide pode ter aberto cratera de 10 km, remodelado uma lua de Marte e e espalhado material por quase toda a sua superfície, diz estudo

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Impacto de asteroide pode ter aberto cratera de 10 km, remodelado uma lua de Marte e e espalhado material por quase toda a sua superfície, diz estudo

Escrito por Andriely Medeiros de Araújo

Publicado em 24/08/2026 às 08:10

Atualizado em 24/08/2026 às 08:11

Ciência e Tecnologia

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Uma das luas de Marte, Deimos pode ter sido remodelada por um único grande impacto que abriu uma bacia de 10 km e espalhou detritos pela superfície. Fonte: NASA.

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Uma das luas de Marte, Deimos pode ter sido remodelada por um único grande impacto que abriu uma bacia de 10 km e espalhou detritos pela superfície.

Uma colisão suficientemente violenta para modificar grande parte de uma pequena lua pode estar por trás de duas características que intrigam cientistas em Marte. Um novo estudo propõe que Deimos tenha sido atingida por um grande asteroide, evento capaz de abrir uma depressão de aproximadamente 10 quilômetros em seu polo sul e, ao mesmo tempo, espalhar poeira e fragmentos por extensas áreas de sua superfície.

A hipótese ganhou força após pesquisadores compararem simulações de impactos com observações recentes obtidas durante a passagem da sonda Hera, da Agência Espacial Europeia (ESA). O trabalho, publicado na revista científica Nature Astronomy em agosto de 2026, oferece uma explicação que relaciona em um único evento tanto a grande bacia polar quanto a aparência relativamente lisa apresentada atualmente pelo pequeno satélite marciano.

Colisão pode explicar duas características de Deimos ao mesmo tempo

Uma das principais questões estava justamente na combinação entre a enorme depressão e a cobertura superficial da lua. Deimos apresenta uma camada formada por poeira e pequenos fragmentos, conhecida como regolito, que suaviza parte das feições do terreno e diferencia seu aspecto daquele observado em Fobos.

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Segundo a hipótese apresentada no estudo, o material não precisaria ter se acumulado por inúmeros processos independentes. Um grande impacto poderia ter lançado detritos sobre Deimos e redistribuído parte desse material pela superfície, produzindo ao mesmo tempo a bacia existente no polo sul.

A escala da formação é especialmente significativa diante das dimensões reduzidas da lua. Com cerca de 10 quilômetros de largura, a depressão representa uma estrutura expressiva em um corpo pequeno e irregular, cuja aparência é frequentemente comparada à de uma batata.

Assim, o impacto teria deixado mais do que uma cratera localizada. Ele poderia ter alterado a paisagem de maneira suficientemente intensa para contribuir para o aspecto que os orbitadores observam hoje ao redor de Marte.

Hera passou pela lua enquanto seguia para outra missão

As imagens utilizadas na investigação não foram obtidas por uma espaçonave enviada especificamente para estudar Deimos. A Hera passou pelas proximidades do satélite em março de 2025, aproveitando sua trajetória antes de seguir para o destino principal da missão.

A espaçonave da ESA foi desenvolvida para investigar os efeitos da missão DART, da NASA. Nesse experimento anterior, uma nave foi deliberadamente lançada contra uma pequena lua que orbita um asteroide maior, permitindo estudar como uma colisão artificial poderia modificar seu movimento.

Uma das luas de Marte, Deimos pode ter sido remodelada por um único grande impacto que abriu uma bacia de 10 km e espalhou detritos pela superfície. Fonte: NASA.

Durante o percurso, entretanto, a passagem por Deimos forneceu novas observações para pesquisadores interessados nas luas marcianas. Essas imagens puderam ser confrontadas com modelos numéricos capazes de simular como diferentes impactos alterariam um pequeno corpo celeste.

Foi dessa comparação que surgiu a possibilidade de um evento único ter desempenhado papel decisivo na evolução superficial da lua de Marte.

Deimos tem aparência diferente da outra lua de Marte

O planeta vermelho possui apenas dois satélites naturais conhecidos: Fobos e Deimos. Embora sejam pequenos, irregulares e estejam ligados ao mesmo planeta, os dois apresentam diferenças visíveis quando suas superfícies são observadas de perto.

Fobos exibe terreno marcado por numerosas crateras, enquanto Deimos possui uma aparência consideravelmente mais suave. A presença de regolito ajuda a esconder ou suavizar determinadas formações, criando uma paisagem menos acidentada em comparação com sua companheira.

Deimos também é a mais externa das duas. Sua órbita fica a aproximadamente 24 mil quilômetros da superfície marciana, posição que permitiu que diferentes orbitadores a registrassem desde a década de 1970.

Seu nome vem da mitologia grega. Deimos era um dos filhos de Ares, equivalente grego do deus romano Marte, e seu nome está associado à ideia de “pavor”.

Bacia de 10 quilômetros virou peça central da investigação

Entre as formações mais intrigantes está justamente a grande bacia localizada na região polar sul. Segundo informações citadas pelo g1, a depressão possui aproximadamente 10 quilômetros de largura e há anos desperta perguntas sobre sua origem.

A nova pesquisa procura explicar como uma formação tão grande poderia estar relacionada não apenas ao momento da colisão, mas também ao estado atual do terreno ao redor. O material expelido durante o impacto poderia ter retornado à lua e ajudado a formar parte da cobertura de fragmentos.

Esse mecanismo criaria uma ligação direta entre a cicatriz visível no polo e o regolito que cobre outras regiões. Em vez de tratar esses elementos como acontecimentos separados, a hipótese sugere que ambos podem representar consequências de uma mesma colisão antiga.

O modelo ainda precisa ser confrontado com observações adicionais, mas oferece uma explicação testável para uma parte da história geológica do sistema de Marte.

Missão japonesa poderá testar hipótese nos próximos anos

A próxima oportunidade para aprofundar a investigação deverá vir da missão Martian Moons eXploration (MMX), desenvolvida pela Agência Espacial Japonesa (JAXA). O projeto foi concebido para observar detalhadamente Fobos e Deimos e ampliar o conhecimento sobre a formação e a evolução dos dois satélites.

As futuras medições poderão verificar características da superfície de Deimos que seriam esperadas caso um único impacto realmente tivesse redistribuído grande quantidade de material. Dessa forma, a hipótese publicada agora produz previsões que poderão ser comparadas com novos dados.

A missão também tem outro objetivo importante: coletar amostras de Fobos e enviá-las posteriormente para a Terra. A análise direta desse material poderá fornecer informações que imagens orbitais sozinhas não conseguem revelar sobre a história das luas marcianas.

Ao estudar os dois pequenos corpos em conjunto, os cientistas esperam ainda avançar em uma questão mais ampla: como os satélites de Marte se formaram e quais processos determinaram suas órbitas e características atuais.

Origem das luas marcianas continua cercada de perguntas

Mesmo décadas depois das primeiras observações detalhadas, a história de Fobos e Deimos permanece incompleta. O pequeno tamanho, a forma irregular e determinadas propriedades das luas alimentam diferentes discussões científicas sobre como esses corpos passaram a acompanhar Marte.

O novo estudo não pretende resolver sozinho a origem dos satélites. Seu foco é mais específico: reconstruir um acontecimento capaz de explicar por que Deimos apresenta uma grande depressão polar e uma superfície coberta por material relativamente fino e homogêneo.

Fonte

Aventuras na História


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

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