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Impedida de estudar quando criança, mulher trabalha desde os 6 anos, cria 9 filhos, ajuda filha a se formar e aos 90 consegue assinar o próprio RG pela primeira vez

Impedida de estudar quando criança, mulher trabalha desde os 6 anos, cria 9 filhos, ajuda filha a se formar e aos 90 consegue assinar o próprio RG pela primeira vez

RJ

5 min de leitura

Impedida de estudar quando criança, mulher trabalha desde os 6 anos, cria 9 filhos, ajuda filha a se formar e aos 90 consegue assinar o próprio RG pela primeira vez

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 07/08/2026 às 00:07

Curiosidades

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Após décadas usando a impressão digital nos documentos, Eunice Oliveira Silva aprendeu a escrever o próprio nome na EJA e conseguiu assinar sua identidade pela primeira vez.

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Depois de décadas usando a impressão digital nos documentos, Eunice Oliveira Silva entrou na EJA em Araruama, aprendeu a escrever o próprio nome e agora sonha até com uma faculdade de Ciências Contábeis.

Uma conquista aparentemente simples marcou uma transformação histórica na vida de Eunice Oliveira Silva, de 90 anos, em Araruama, no Rio de Janeiro.

Depois de aproximadamente seis décadas usando a impressão digital no lugar da assinatura, ela conseguiu escrever o próprio nome em um documento oficial pela primeira vez.

O momento aconteceu após Eunice ingressar na Educação de Jovens e Adultos (EJA) e avançar no processo de alfabetização.

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Ao emitir sua nova Carteira de Identidade Nacional, ela não precisou recorrer apenas à digital: conseguiu colocar no documento algo que durante grande parte da vida lhe foi negado pela falta de acesso à escola — sua própria assinatura.

A conquista ganha ainda mais dimensão quando comparada à trajetória da mulher que começou a trabalhar aos seis anos, criou nove filhos e passou décadas ajudando a família antes de finalmente retornar aos estudos.

Trabalho começou quando Eunice tinha apenas 6 anos

Natural de Feira de Santana, na Bahia, Eunice cresceu em uma realidade na qual frequentar a escola não fazia parte de suas possibilidades.

Segundo seu relato, ela foi impedida de estudar durante a infância.

Enquanto outras crianças aprendiam a ler e escrever, Eunice começou a trabalhar aos seis anos.

A rotina envolvia atividades rurais, criação de animais, participação no plantio e tarefas realizadas em casa de farinha.

O trabalho permaneceu como parte central de sua vida durante décadas.

Eunice continuou no meio rural até aproximadamente os 30 anos e, posteriormente, passou a atuar como feirante para ajudar no sustento da família.

A escola, entretanto, continuava distante.

Ela não estudou, mas fez questão de colocar os nove filhos na escola

A falta de acesso à educação formal não fez Eunice repetir a mesma realidade com a geração seguinte.

Mãe de nove filhos, ela buscou garantir que todos tivessem uma oportunidade diferente daquela que recebeu quando criança.

A família cresceu ao longo das décadas.

Hoje, Eunice é matriarca de uma família formada também por cerca de 30 netos, 15 bisnetos e seis trinetos.

Uma das maiores conquistas ocorreu quando uma das filhas chegou ao ensino superior e conseguiu se formar como assistente social.

Eunice conta que ajudou financeiramente nos estudos da filha enquanto trabalhava na feira.

Durante anos, portanto, o dinheiro obtido com o próprio trabalho contribuiu para que os filhos alcançassem oportunidades educacionais que ela mesma nunca havia recebido.

Somente décadas depois seria a vez da própria Eunice voltar os olhos para sua formação.

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Viviane Alves

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Primeira tentativa de voltar à escola acabou interrompida

A entrada na EJA em Araruama não representou a primeira tentativa de Eunice de aprender a ler e escrever.

Cerca de dez anos antes, quando ainda vivia na Bahia, ela tentou retornar à escola.

A experiência, porém, não conseguiu avançar.

A distância entre sua residência e a unidade escolar, somada à rotina de trabalho, dificultou a frequência às aulas.

Eunice precisou abandonar aquela tentativa.

O desejo de aprender, contudo, permaneceu.

A oportunidade reapareceu anos depois, já no estado do Rio de Janeiro.

Mudança para Araruama abriu uma nova oportunidade aos 90 anos

Morando em Araruama, Eunice ingressou em 2025 na Escola Municipal Prefeito Afrânio Valladares.

Por meio da Educação de Jovens e Adultos, começou novamente um processo que havia sido interrompido décadas antes.

Desta vez, a experiência produziu um resultado concreto rapidamente.

Eunice aprendeu a escrever o próprio nome.

A habilidade permitiu que uma situação enfrentada durante praticamente toda a vida começasse a mudar.

Durante décadas, sempre que precisava assinar algum documento, Eunice utilizava a impressão digital do dedo.

Segundo ela, essa situação também provocava constrangimento.

A alfabetização transformou justamente esse momento.

Depois de cerca de seis décadas usando a digital, Eunice assinou o RG

A emissão da nova Carteira de Identidade Nacional tornou-se um marco na trajetória da estudante.

Em vez de depender exclusivamente da impressão digital, Eunice conseguiu escrever seu nome no documento.

Era a primeira vez que ela assinava a própria identidade.

A cena simbolizou muito mais do que a emissão de um novo RG.

A assinatura representou a conquista de uma habilidade que havia permanecido inacessível desde a infância.

Depois de começar a trabalhar aos seis anos e atravessar décadas sem educação formal, Eunice conseguiu colocar o próprio nome em um documento aos 90.

O resultado também mostra como a alfabetização de adultos pode produzir mudanças práticas mesmo após décadas longe da sala de aula.

Próxima meta agora é aprender a ler

A assinatura, entretanto, não encerrou os planos de Eunice.

Depois de aprender a escrever o próprio nome, ela quer avançar no processo de alfabetização e desenvolver a leitura.

O objetivo seguinte é conseguir ler com autonomia.

Eunice também já fala sobre um sonho muito maior.

Ela considera a possibilidade de, futuramente, cursar Ciências Contábeis.

A escolha possui relação direta com uma habilidade desenvolvida ao longo de décadas trabalhando como feirante.

Mesmo sem escolarização formal, Eunice afirma ter aprendido a realizar contas mentalmente durante o trabalho.

Agora, ela imagina transformar essa experiência prática em conhecimento acadêmico.

EJA cresce em Araruama e reúne mais de 1,5 mil estudantes

A trajetória de Eunice ocorre em um momento de crescimento da Educação de Jovens e Adultos em Araruama.

Em maio de 2026, o município registrava 1.594 estudantes matriculados na modalidade.

No mesmo período de 2025, eram 949 alunos.

Isso representa um aumento expressivo no número de pessoas que voltaram às salas de aula para concluir etapas da educação básica ou iniciar o processo de alfabetização.

A modalidade atende justamente estudantes que, por diferentes circunstâncias, não tiveram oportunidade de concluir os estudos na idade considerada regular.

Histórias como a de Eunice ajudam a mostrar o alcance desse modelo educacional para pessoas que permaneceram décadas afastadas da escola.

Uma assinatura encerrou décadas de dependência da impressão digital

Para Eunice, uma das mudanças mais visíveis cabe em poucas letras: seu próprio nome.

Durante grande parte da vida, documentos oficiais eram marcados pela impressão do dedo porque ela não conseguia assiná-los.

Aos 90 anos, a situação mudou.

A mulher que começou a trabalhar ainda criança, criou nove filhos, ajudou uma filha a concluir o ensino superior e atravessou décadas sem acesso à educação formal conseguiu finalmente assinar sua própria identidade.

Agora, a nova meta está além da assinatura.

Eunice pretende continuar estudando, aprender a ler e mantém vivo o sonho de um dia chegar à faculdade.

Você acredita que histórias como a de Eunice mostram a importância de ampliar o acesso à EJA para pessoas que passaram décadas longe das escolas? Deixe sua opinião!


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

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