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Inventor japones usa vinho, terra e até pão francês para gerar eletricidade e surpreende ao manter 800 LEDs acesos com 1.500 caixas de solo
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 06/08/2026 às 09:12
Atualizado em 06/08/2026 às 09:13
Geração de Energia
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Satoshi Nakagawa desenvolveu uma tecnologia de microenergia baseada em zinco, cobre, umidade e íons, capaz de obter eletricidade de solo, composto, vinho e até baguetes francesas.
Em uma encosta da cidade japonesa de Hitachi-ota, uma estrutura envidraçada semelhante a uma estufa permanece iluminada durante a noite graças a uma fonte incomum de eletricidade. O laboratório experimental, chamado KU-AN, utiliza 1.500 caixas de madeira preenchidas com terra e composto para produzir energia suficiente para manter 800 LEDs acesos.
O projeto foi desenvolvido pelo designer e engenheiro de produto japonês Satoshi Nakagawa, diretor executivo da Tripod Design. Aos 72 anos, ele defende uma tecnologia voltada à coleta de pequenas correntes elétricas a partir de materiais disponíveis no cotidiano, incluindo solo, vinho e até pão francês.
A proposta não foi criada para substituir grandes usinas ou sistemas convencionais de geração. Nakagawa aposta no uso da chamada microenergia em aplicações específicas, como sensores, aparelhos autônomos e equipamentos instalados em locais onde poucos watts podem fazer diferença.
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Tecnologia de Satoshi Nakagawa usa terra, composto, vinho e pão para gerar pequenas correntes elétricas
O sistema desenvolvido por Nakagawa recebeu o nome de Micropower Collection, ou MPC, e funciona a partir da coleta de pequenas correntes elétricas produzidas em materiais que contenham umidade ou íons. A lógica utilizada pelo inventor tem relação direta com um princípio conhecido há mais de dois séculos.
Em 1799, Alessandro Volta desenvolveu a pilha voltaica, considerada a primeira bateria capaz de fornecer corrente elétrica contínua. O sistema de Nakagawa segue uma lógica semelhante ao inserir eletrodos feitos de materiais como zinco e cobre em substâncias capazes de permitir a movimentação de cargas elétricas.
A partir dessa interação, pequenas correntes podem ser obtidas de maneira estável. Foi esse princípio que permitiu ao inventor testar materiais muito diferentes entre si, como terra, composto orgânico, vinho e baguetes francesas.
O objetivo dos experimentos não está em produzir grandes volumes de eletricidade. A proposta é demonstrar que materiais aparentemente comuns podem participar de sistemas capazes de sustentar dispositivos de consumo extremamente baixo.
KU-AN reúne 1.500 caixas de madeira e mantém 800 LEDs acesos em encosta japonesa
O exemplo mais conhecido da tecnologia está no KU-AN, instalado na cidade de Hitachi-ota. A estrutura foi concebida como um laboratório experimental e utiliza 1.500 caixas de madeira preenchidas com solo e composto como unidades de geração de microenergia.
A eletricidade coletada por essas unidades é utilizada para alimentar 800 LEDs distribuídos pela instalação. Durante a noite, o resultado transforma a construção envidraçada em uma estrutura iluminada no meio da encosta.
Para Nakagawa, o efeito visual também ajuda a aproximar o público de uma discussão mais ampla sobre energia. O inventor afirma que, conforme a população mundial se aproxima de 10 bilhões de pessoas, os desafios energéticos poderão se tornar tão importantes quanto os relacionados à alimentação.
A intenção é fazer com que as pessoas considerem a possibilidade de produzir ao menos pequenas quantidades de eletricidade utilizando recursos disponíveis ao redor. Mesmo que a contribuição seja limitada, Nakagawa acredita que a ideia pode estimular novas formas de pensar a geração descentralizada.
Mais de 2 mil cilindros com solo conseguem produzir cerca de 100 watts
Próximo ao KU-AN, Nakagawa também instalou uma segunda estrutura chamada LU-AN. O projeto utiliza mais de 2.000 cilindros plásticos preenchidos com solo e composto para ampliar a quantidade de energia produzida pelo mesmo princípio.
Segundo o inventor, o conjunto consegue chegar a aproximadamente 100 watts de potência. Essa quantidade seria suficiente para alimentar uma panela elétrica de arroz e outros pequenos aparelhos.
O resultado mostra a escala em que a tecnologia opera atualmente. A microenergia não foi apresentada como substituta de fontes convencionais, mas como alternativa para situações em que a demanda elétrica permanece baixa e constante.
Essa característica direciona o sistema para usos muito específicos. Em vez de grandes eletrodomésticos ou redes urbanas, a proposta mira equipamentos que precisam de pouca energia para executar funções simples durante longos períodos.
Sensores para pragas, cheias e deslizamentos aparecem entre os possíveis usos da microenergia
Nakagawa considera que a tecnologia pode ser especialmente útil em locais sem acesso à rede elétrica. Situações posteriores a catástrofes naturais também aparecem entre os cenários citados pelo inventor, principalmente quando a infraestrutura convencional deixa de funcionar.
No meio rural, pequenas correntes poderiam alimentar sensores destinados a detectar pragas em plantações. Equipamentos semelhantes também poderiam acompanhar o nível de rios, identificar riscos de cheias ou ajudar no monitoramento de deslizamentos de terra.
Sistemas de alarme contra invasões entram na mesma lógica de consumo reduzido. A tecnologia também foi empregada em um protótipo chamado “stand-alone node”, semelhante a um pequeno poste alimentado pelo solo e capaz de auxiliar na transmissão de dados por satélite.
Esse tipo de aplicação representa exatamente o campo defendido por Nakagawa. Em vez de tentar ampliar indefinidamente a potência, o inventor propõe criar equipamentos pensados para funcionar com a pequena quantidade de energia disponível.
Tecnologia não depende diretamente de sol ou vento para continuar funcionando
Uma das características destacadas por Nakagawa é a independência direta das condições meteorológicas. Painéis solares dependem da disponibilidade de luz, enquanto turbinas eólicas precisam do movimento do ar para produzir eletricidade.
A MPC utiliza os materiais presentes ao redor dos eletrodos. Segundo o inventor, depois de instalada, a tecnologia também não produz emissões diretas de dióxido de carbono durante o funcionamento.
Essa combinação pode favorecer aplicações em dispositivos autônomos de baixo consumo. A proposta ganha importância justamente quando o equipamento precisa funcionar continuamente, mas não necessita de grande potência.
Nakagawa também levou o conceito para instalações artísticas. Hastes flexíveis são inseridas no solo e recebem pequenas luzes nas extremidades, criando durante a noite um efeito semelhante ao de vaga-lumes espalhados sobre a vegetação.
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Caio Aviz
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Professor da Universidade de Tóquio afirma que potência ainda é muito inferior à de baterias comuns
A tecnologia, porém, enfrenta limitações claras. Masayuki Nakao, professor emérito de engenharia da Universidade de Tóquio, conhece Nakagawa há muitos anos e considera que a quantidade de energia produzida ainda é pequena para aplicações convencionais.
Segundo Nakao, a potência obtida pelo sistema fica significativamente abaixo daquela fornecida por baterias comuns ou baterias automotivas. A diferença ajuda a explicar por que a MPC ainda precisa ser direcionada a equipamentos de consumo muito baixo.
O professor também reconhece um aspecto particular do trabalho. Para ele, as instalações criadas por Nakagawa conseguem provocar uma reação emocional justamente pela forma como transformam pequenas correntes elétricas em pontos de luz visíveis.
Esse componente estético se tornou parte importante dos experimentos. A eletricidade produzida pelo solo deixa de ser apenas uma medição técnica e passa a aparecer diante do público em forma de iluminação.
Nakagawa defende que microenergia deve ser aplicada onde pequenas quantidades já são suficientes
Satoshi Nakagawa não nega que sua tecnologia produza pouca eletricidade. A própria definição de microenergia parte dessa limitação e tenta transformar a baixa potência em ponto de partida para o desenvolvimento de novos equipamentos.
Para o inventor, engenheiros devem pensar em produtos capazes de utilizar exatamente esse tipo de corrente. A proposta não exige que a MPC substitua baterias, painéis solares ou turbinas eólicas para encontrar alguma utilidade prática.
Nakagawa defende uma estratégia baseada na combinação de diferentes tecnologias de captação de energia. Cada uma poderia atuar de acordo com suas características e com a quantidade de eletricidade necessária em determinada aplicação.
O KU-AN resume essa ideia de forma visual. Enquanto 1.500 caixas cheias de terra e composto mantêm 800 LEDs acesos em uma encosta japonesa, o projeto mostra como pequenas correntes podem ganhar utilidade quando são direcionadas para tarefas compatíveis com sua escala.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

