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Iraniana chegou sozinha a Santa Catarina sem saber português e planejando ficar apenas dois anos, enfrentou choque cultural, dificuldades financeiras, pandemia, xenofobia e anos longe da família, aprendeu o idioma no Brasil e transformou a oportunidade de estudar na UFSC em uma trajetória que a tornou a primeira iraniana formada em Medicina pela universidade
Escrito por Carla Teles
Publicado em 12/08/2026 às 12:27
Atualizado em 12/08/2026 às 12:28
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A iraniana Sedigheh Anzani chegou a Santa Catarina em 2016 sem falar português, pretendendo permanecer apenas dois anos, enfrentou choque cultural, dificuldades financeiras, xenofobia e a pandemia, aprendeu o idioma no Brasil, entrou em Medicina na UFSC em 2020 e tornou-se a primeira iraniana formada pela universidade catarinense em 2025.
A iraniana Sedigheh Anzani chegou sozinha a Santa Catarina em 2016 sem dominar o português e imaginando que permaneceria no Brasil por apenas dois anos, mas a decisão de estudar fora acabou mudando completamente sua trajetória. Depois de enfrentar choque cultural, adaptação a um novo idioma, dificuldades financeiras, distância da família, pandemia e episódios de xenofobia, ela ingressou em Medicina na Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis, e concluiu o curso em dezembro de 2025.
As informações foram publicadas pela NSC Total em 11 de agosto de 2026. Sedigheh recebeu o diploma em julho de 2026, no gabinete da Reitoria da UFSC, em uma situação especial que permitiu a entrega da documentação no Brasil. Com a conclusão da graduação, ela se tornou a primeira iraniana a terminar o curso de Medicina na universidade catarinense, depois de quase uma década ligada a instituições de ensino superior brasileiras.
Iraniana chegou a Santa Catarina em 2016 sem saber português
Quando desembarcou no Brasil, Sedigheh ainda conhecia pouco sobre o país e não dominava o idioma. A iraniana havia decidido estudar no exterior e aceitou a sugestão de um amigo que já conhecia o Brasil, enquanto a escolha pela UFSC surgiu após recomendação recebida na embaixada brasileira no Irã.
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Florianópolis foi apresentada a ela como uma cidade tranquila, enquanto a universidade catarinense chamava atenção pela posição em rankings acadêmicos. A intenção inicial, porém, era permanecer somente dois anos, período suficiente para realizar a etapa de formação que havia motivado sua viagem.
Plano inicial era ficar apenas dois anos no Brasil
Sedigheh chegou à UFSC para cursar mestrado no Programa de Pós-Graduação em Farmácia. Naquele momento, não imaginava construir uma vida de quase uma década no país nem iniciar posteriormente uma nova graduação.
A própria médica relatou que começou a aprender português mais por curiosidade do que por necessidade de permanecer definitivamente no Brasil. O projeto temporário acabou sendo substituído por uma trajetória acadêmica muito mais longa, marcada por novas escolhas profissionais e pessoais.
Idioma foi uma das primeiras grandes barreiras
A adaptação começou pelo português. Sedigheh chegou ao país sem compreender a língua e precisou aprender enquanto lidava simultaneamente com costumes, sons, alimentação e formas de convivência diferentes daquelas às quais estava acostumada.
O sotaque e a musicalidade do português brasileiro chamaram sua atenção logo no começo. A iraniana aprendeu o idioma já vivendo no ambiente universitário brasileiro, transformando uma das principais dificuldades iniciais em ferramenta indispensável para continuar estudando.
Choque cultural foi além da língua
A experiência de viver em Santa Catarina também trouxe um choque cultural amplo. Sedigheh descreveu que tudo parecia diferente quando chegou sozinha ao país, incluindo a alimentação, a forma de comunicação e o comportamento cotidiano das pessoas.
Nos primeiros meses, a adaptação exigiu observação e esforço para compreender aquele novo ambiente. Em vez de se isolar, ela decidiu se aproximar da cultura brasileira e construir relações sociais, processo que se tornaria importante para sua permanência no país.
Nova decisão acadêmica surgiu em 2018
Depois de algum tempo no Brasil, Sedigheh decidiu mudar a direção de sua formação. Em 2018, passou a planejar uma nova graduação e escolheu Medicina como próximo objetivo acadêmico.
Essa mudança significava recomeçar parte da trajetória universitária e cumprir novas exigências de ingresso. A escolha ampliava consideravelmente o tempo que ela precisaria permanecer no Brasil, contrariando diretamente o plano original de voltar ao Irã após apenas dois anos.
Passagem por Chapecó ajudou na preparação para Medicina
Como parte do processo de ingresso, Sedigheh iniciou atividades na Universidade Federal da Fronteira Sul, em Chapecó, em 2019. A etapa também serviu para aprofundar o domínio do português antes do início da graduação médica.
Ela precisava demonstrar oficialmente proficiência na língua portuguesa para seguir na formação. Depois de ser aprovada no exame brasileiro de certificação para estrangeiros, a iraniana conseguiu avançar para o curso de Medicina na UFSC, em Florianópolis.
Medicina na UFSC começou em 2020
Sedigheh iniciou a graduação em Medicina na Universidade Federal de Santa Catarina em 2020. O ingresso ocorreu quatro anos depois de sua chegada ao país, quando ela já havia acumulado experiência acadêmica e aprendido o idioma.
O novo curso, contudo, começou em um período particularmente difícil. A pandemia afetou diretamente a rotina universitária e tornou ainda mais complexa a experiência de uma estudante estrangeira vivendo longe de sua família, adicionando um desafio inesperado à formação.
Pandemia aumentou a distância da família
Passar pelo período de restrições sanitárias em outro país foi uma das dificuldades relatadas por Sedigheh. A distância física da família ganhou peso ainda maior em um momento de incerteza global e mudanças bruscas na vida acadêmica.
Para quem já enfrentava adaptação cultural e financeira, o isolamento provocado pela pandemia representou mais uma camada de pressão. Mesmo assim, ela permaneceu no curso e continuou buscando condições para concluir a graduação, apesar das dificuldades acumuladas.
Dificuldades financeiras acompanharam a graduação
A permanência em Florianópolis também trouxe obstáculos econômicos. Segundo a reportagem, os auxílios oferecidos pela universidade não eram suficientes para cobrir integralmente o elevado custo de vida da cidade.
Sedigheh precisou administrar essa realidade enquanto seguia em um curso exigente e de longa duração. A dificuldade financeira fazia parte de um conjunto de desafios que ameaçavam a continuidade da formação, mas ela decidiu preservar a oportunidade recebida na universidade.
Xenofobia também marcou a experiência no Brasil
Além das questões acadêmicas e econômicas, Sedigheh relatou ter enfrentado episódios de xenofobia durante sua permanência no país. A discriminação se somava às diferenças culturais já presentes desde sua chegada.
Em vez de abandonar o projeto, a iraniana buscou ampliar suas relações com brasileiros e estrangeiros. Ela contou que passou a fazer amizades e a mergulhar mais profundamente na cultura local como uma forma de adaptação e pertencimento.
Amizades ajudaram a criar sensação de pertencimento
Ao longo dos anos, a rede de contatos construída no Brasil tornou-se parte importante da experiência de Sedigheh. A estudante passou a conviver com colegas brasileiros e também com outras pessoas de diferentes nacionalidades.
Esse processo alterou a percepção inicial de estar completamente distante de casa. Com o tempo, ela passou a se sentir integrada à vida brasileira, depois de ter chegado ao país sem idioma, sem experiência local e sem intenção de permanecer por muitos anos.
Formação foi concluída em dezembro de 2025
Depois de anos de graduação, Sedigheh concluiu oficialmente o curso de Medicina em dezembro de 2025. O momento marcou o encerramento de uma etapa iniciada cinco anos antes na UFSC.
A conclusão também produziu um marco institucional. Sedigheh tornou-se a primeira iraniana a finalizar o curso de Medicina na Universidade Federal de Santa Catarina, acrescentando um capítulo inédito à história da instituição.
Diploma só foi entregue meses depois
Embora a formatura tenha ocorrido em dezembro de 2025, o diploma foi recebido por Sedigheh apenas em julho de 2026. Pelas regras do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação, a documentação normalmente deveria ser retirada na embaixada brasileira no Irã.
A situação internacional, entretanto, levou à concessão de uma autorização especial para que a documentação fosse entregue no Brasil. O diploma acabou sendo recebido no gabinete da Reitoria da UFSC, fechando formalmente uma trajetória acadêmica que havia começado quase dez anos antes.
Programa internacional abriu caminho para a formação
A trajetória de Sedigheh também está ligada ao Programa de Estudantes-Convênio de Graduação, mecanismo que permite a estudantes estrangeiros realizarem formação superior em instituições brasileiras.
Foi por meio dessa estrutura que ela conseguiu continuar sua trajetória acadêmica no país. A oportunidade universitária tornou-se decisiva para que a iraniana transformasse uma permanência inicialmente temporária em uma formação médica completa no Brasil.
UFSC se tornou ponto central da vida acadêmica
A Universidade Federal de Santa Catarina aparece em diferentes momentos da trajetória. Foi onde Sedigheh iniciou estudos no país, aprendeu português, construiu vínculos acadêmicos e posteriormente concluiu Medicina.
A instituição também participou do momento final da entrega do diploma. Para Sedigheh, a UFSC deixou de ser apenas o local de uma experiência acadêmica temporária e passou a representar uma parte essencial de sua formação profissional e pessoal.
Após Medicina, iraniana continuou na pesquisa
A conclusão da graduação não encerrou sua ligação com a universidade. Depois de terminar Medicina, Sedigheh ingressou em um mestrado na área de Ciências Médicas.
Sua pesquisa passou a se concentrar em pacientes com epilepsia farmacorresistente, sob orientação da professora Katia Lin. A nova etapa mostra que a trajetória acadêmica continuou mesmo depois da conquista do diploma médico.
Relação com orientadora ganhou importância pessoal
Sedigheh também destacou o papel da professora Katia Lin em sua formação. Segundo o relato publicado pela NSC Total, a médica reconhece a orientadora como uma pessoa que teve influência importante em sua vida acadêmica e pessoal.
Esse apoio se soma às amizades e relações construídas ao longo da permanência no Brasil. A trajetória não foi formada apenas por provas, disciplinas e títulos, mas também por vínculos que ajudaram a sustentar anos de adaptação longe da família.
História começou com uma viagem temporária e mudou completamente
Quando chegou a Santa Catarina em 2016, Sedigheh não falava português e imaginava passar apenas dois anos no Brasil. Dez anos depois, havia aprendido o idioma, frequentado universidades em diferentes cidades catarinenses, concluído Medicina e iniciado uma nova etapa de pesquisa.
O contraste entre esses dois momentos resume a transformação da experiência. A iraniana que chegou sozinha ao país para uma estadia temporária terminou sua graduação como a primeira mulher do Irã a concluir Medicina na UFSC, depois de atravessar obstáculos culturais, financeiros e pessoais.
Primeira iraniana formada em Medicina pela UFSC transforma oportunidade em trajetória de superação
A história de Sedigheh Anzani reúne deslocamento internacional, adaptação cultural, estudo, dificuldade financeira, pandemia, xenofobia e persistência acadêmica. O que deveria durar apenas dois anos acabou se tornando quase uma década de formação no Brasil, com uma conquista inédita dentro da Universidade Federal de Santa Catarina.
Hoje, a médica segue ligada à pesquisa e às Ciências Médicas depois de ter transformado uma oportunidade universitária em uma nova trajetória de vida. Para você, o que mais chama atenção nessa história: aprender um novo idioma, enfrentar anos longe da família ou insistir na formação mesmo diante de tantas dificuldades? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

