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Itália libera até 150 mil pequenos polvos no Adriático para enfrentar caranguejo-azul invasor que devora moluscos, derruba produção e causa prejuízos milionários

Itália libera até 150 mil pequenos polvos no Adriático para enfrentar caranguejo-azul invasor que devora moluscos, derruba produção e causa prejuízos milionários

4 min de leitura

Itália libera até 150 mil pequenos polvos no Adriático para enfrentar caranguejo-azul invasor que devora moluscos, derruba produção e causa prejuízos milionários

Escrito por Viviane Alves

Publicado em 26/08/2026 às 22:19

Curiosidades

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Polvo-comum, predador natural de crustáceos, é a espécie utilizada em experimento italiano que busca reduzir a pressão do caranguejo-azul invasor no Mar Adriático.

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Projeto Octo-Blu aposta no polvo-comum, predador natural de crustáceos, para testar uma nova forma de conter a expansão da espécie invasora no Mar Adriático.

Uma estratégia incomum começou a ganhar espaço no Mar Adriático, na Itália.

Milhares de pequenos polvos estão deixando instalações de laboratório para serem liberados no mar, onde enfrentarão um dos maiores problemas recentes da aquicultura regional.

O alvo é o caranguejo-azul (Callinectes sapidus), crustáceo invasor que se alimenta de moluscos e provocou grandes perdas para produtores.

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A experiência faz parte do projeto Octo-Blu, promovido pela Região da Emília-Romanha com a Universidade de Bolonha.

A expectativa dos pesquisadores é liberar entre 100 mil e 150 mil paralarvas de polvo até o fim de agosto de 2026.

Caranguejo-azul se espalhou e atingiu produção de moluscos

O caranguejo-azul é originário da costa atlântica ocidental das Américas.

Sua distribuição natural se estende do nordeste dos Estados Unidos até áreas da América do Sul.

Uma das hipóteses indica que a espécie alcançou águas europeias transportada pela água de lastro de navios.

O aumento da temperatura das águas mediterrâneas também aparece entre os fatores associados à sua expansão.

Pinças fortes permitem ao crustáceo quebrar conchas e consumir diversos organismos, incluindo moluscos cultivados.

O problema tornou-se especialmente grave no norte do Adriático.

Áreas da Emília-Romanha e do Vêneto concentram importantes cultivos de moluscos e passaram a registrar ataques aos viveiros.

Polvo-comum em ambiente marinho rochoso, espécie utilizada pelo projeto Octo-Blu para estudar o controle do caranguejo-azul invasor no Mar Adriático.

Prejuízos levaram governo a buscar novas alternativas

Desde 2023, milhões de euros foram destinados ao apoio de empresas da pesca e da aquicultura atingidas pelo avanço do caranguejo.

Parte dos recursos também foi aplicada na captura, retirada, descarte e comercialização dos crustáceos.

A retirada dos animais, entretanto, não se mostrou suficiente para resolver o avanço da espécie.

Pesquisadores passaram então a analisar um predador já presente naturalmente no ecossistema local: o polvo-comum (Octopus vulgaris).

A espécie se alimenta de crustáceos e desempenha papel importante nas cadeias alimentares marinhas.

Projeto Octo-Blu começou em 2024

O Octo-Blu nasceu em 2024, após um acordo entre a Região da Emília-Romanha e a Universidade de Bolonha.

Durante quase dois anos, cientistas estudaram o comportamento, a reprodução e os hábitos alimentares do caranguejo-azul.

Técnicas de reprodução e criação de polvos em ambientes controlados também foram desenvolvidas.

As primeiras eclosões permitiram finalmente levar o projeto para fora dos laboratórios.

A proposta passou a testar se reforçar uma população de predadores nativos pode ajudar a limitar o crustáceo invasor.

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Viviane Alves

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Pequenos polvos começaram a chegar ao Adriático em junho

As primeiras solturas aconteceram em 11 e 17 de junho de 2026.

Os pesquisadores escolheram áreas próximas a barreiras artificiais submersas, que podem oferecer abrigo aos animais.

Novas operações foram realizadas durante agosto.

Em 24 de agosto, pequenos polvos com poucos dias de vida e uma fêmea mantida nas instalações universitárias foram levados ao mar.

A operação aconteceu próxima a Cesenatico, com participação da Universidade de Bolonha e apoio da autoridade portuária local.

Até 150 mil paralarvas podem ser liberadas

A meta informada pelos pesquisadores é alcançar entre 100 mil e 150 mil paralarvas liberadas até o final de agosto.

Esses animais são polvos recém-nascidos, possuem apenas alguns milímetros e são extremamente difíceis de observar.

O desafio começa justamente depois da soltura.

Os cientistas precisarão descobrir quantos sobreviverão, onde se estabelecerão e qual será sua influência sobre os caranguejos-azuis.

Alimento, temperatura, predadores e características ambientais poderão interferir diretamente nesses resultados.

Polvos não são tratados como solução milagrosa

Os próprios pesquisadores destacam as limitações da experiência.

O polvo-comum é um predador generalista. Portanto, o caranguejo-azul não será sua única fonte de alimento.

A espécie invasora também ocupa uma região extensa, incluindo ambientes que podem não ser favoráveis aos polvos.

O projeto continua, por isso, sendo tratado oficialmente como experimental.

Os cientistas ressaltam ainda que o polvo-comum já pertence naturalmente ao ecossistema do Adriático.

Monitoramento vai decidir futuro da estratégia

Depois de quase dois anos de estudos, o Octo-Blu entrou em uma etapa decisiva.

Os pesquisadores agora acompanharão a sobrevivência, o crescimento e a distribuição dos pequenos polvos.

O monitoramento também mostrará se sua presença provocará alguma redução perceptível na população do caranguejo-azul invasor.

Os resultados definirão se o método poderá ser ampliado ou permanecerá entre as alternativas experimentais estudadas para enfrentar o problema.

Fontes: Região da Emília-Romanha, Universidade de Bolonha e Corriere di Bologna.

A utilização de um predador natural pode ajudar a recuperar o equilíbrio do Adriático ou o avanço do caranguejo-azul exigirá outras estratégias? Deixe sua opinião!


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

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