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Jair da Silva encontrou uma área desmatada no interior do Amazonas, decidiu recuperar o terreno, plantou mais de 2,6 mil árvores e transformou o equivalente a cinco campos de futebol em um cafezal agroflorestal, onde quase 7 mil pés de café passaram a dividir espaço com a floresta
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 18/08/2026 às 20:24
Atualizado 18/08/2026 às 20:25
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Área desmatada no sul do Amazonas passou por uma transformação que uniu produção rural e recuperação ambiental, colocando milhares de cafeeiros lado a lado com novas árvores e mostrando como um modelo agrícola diferente pode modificar a paisagem e a dinâmica produtiva de uma propriedade.
Uma área desmatada equivalente a cinco campos de futebol, no município de Apuí, no sul do Amazonas, passou a abrigar quase 7 mil pés de café e mais de 2,6 mil mudas de árvores após Jair da Silva decidir recuperar o terreno.
Em vez de manter os cafeeiros isolados na paisagem, o produtor adotou um sistema agroflorestal no qual a atividade agrícola divide espaço com diferentes espécies arbóreas, reunindo produção e recuperação ambiental dentro da mesma área anteriormente degradada.
Segundo o Idesam, Jair decidiu recuperar toda a área desmatada de sua propriedade para cultivar café em sistema agroflorestal, técnica que combina os cafeeiros com árvores e permite reorganizar o uso produtivo de terrenos que já perderam parte da cobertura vegetal.
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Ao integrar diferentes espécies no mesmo espaço, o modelo modifica a estrutura tradicional da lavoura e faz com que a vegetação incorporada ao cultivo participe da recomposição da área, enquanto o café continua exercendo sua função econômica dentro da propriedade rural.
Essa transformação ganhou escala suficiente para alterar a configuração do terreno, onde quase 7 mil pés de café passaram a dividir espaço com mais de 2,6 mil mudas de árvores em uma área que antes apresentava sinais de degradação.
Produzir e restaurar deixaram, assim, de ocorrer em espaços separados, pois os cafeeiros e as árvores passaram a compor um único sistema produtivo, planejado para manter a atividade agrícola enquanto amplia a presença de vegetação na propriedade.
Café agroflorestal em Apuí transforma área degradada
Localizado no sul do Amazonas, Apuí se tornou um dos pontos de atuação do Café Apuí Agroflorestal, iniciativa voltada ao cultivo de café em áreas degradadas por meio de sistemas que incorporam árvores e outras espécies à produção rural.
Para Jair, a adoção desse modelo ocorreu depois do contato com uma técnica que até então não fazia parte de sua experiência como produtor, conforme relato reunido pelo Idesam sobre agricultores que passaram a utilizar sistemas agroflorestais no município.
A principal diferença aparece na própria organização da lavoura, já que um cultivo convencional a pleno sol pode concentrar os cafeeiros no terreno com pouca presença de outras espécies arbóreas ou de diferentes níveis de vegetação ao redor das plantas.
No sistema utilizado em Apuí, porém, o café passa a dividir o terreno com árvores, criando estratos de vegetação dentro da área produtiva e permitindo que o espaço destinado à agricultura também participe do processo de recomposição da cobertura vegetal.
Essa configuração evita que a recuperação ambiental dependa exclusivamente da criação de uma área isolada e sem atividade agrícola, porque o terreno permanece produtivo enquanto novas árvores são incorporadas ao mesmo espaço ocupado pelos cafeeiros e pelas demais espécies escolhidas.
Dentro da propriedade de Jair, milhares de pés de café e mudas de árvores passaram a formar uma estrutura integrada, cobrindo um espaço anteriormente desmatado sem retirar da área sua capacidade de continuar vinculada à produção rural.
Sistema agroflorestal combina produção e recuperação ambiental
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Embora a propriedade de Jair seja um exemplo individual, o modelo implantado em Apuí faz parte de uma iniciativa mais ampla desenvolvida pelo Idesam, em parceria com a Amazônia Agroflorestal, para incentivar sistemas produtivos associados à recuperação de terrenos degradados.
Por meio dessa cadeia, agricultores recebem estímulo para cultivar café em consórcio com espécies nativas, enquanto ações de assistência técnica, preparo do solo, plantio de mudas e comercialização ajudam a estruturar a produção dentro das propriedades participantes.
Dados divulgados pelo próprio instituto mostram que 83 famílias passaram a integrar essa cadeia de produção, número que ajuda a dimensionar o alcance de uma estratégia que ultrapassa a experiência de uma única fazenda e envolve diferentes agricultores da região.
Em um balanço do programa, o Idesam informou ainda que 159 hectares haviam sido recuperados com sistemas agroflorestais e mais de 38 mil mudas de espécies nativas haviam sido plantadas, ampliando a presença desse modelo em propriedades rurais de Apuí.
Adaptada ao clima quente, úmido e às condições de baixa altitude encontradas no sul do Amazonas, a produção regional utiliza principalmente café robusta, variedade que pode ser cultivada em sistemas nos quais árvores e outras culturas compartilham o mesmo espaço.
Dentro dessas áreas agroflorestais, a presença de espécies diferentes amplia a diversidade da propriedade sem retirar do café seu papel econômico, permitindo que o terreno continue produzindo enquanto passa por mudanças na composição da vegetação e na forma de ocupação.
Árvores passam a integrar o ambiente produtivo da fazenda
Mais do que ocupar espaços separados da lavoura, as árvores assumem uma função integrada ao ambiente produtivo, oferecendo sombra e compondo a estrutura do sistema agroflorestal ao lado dos cafeeiros, em vez de permanecerem restritas a trechos isolados da propriedade.
É justamente nessa combinação que o modelo busca aproximar geração de renda e recuperação de áreas anteriormente abertas, transformando o componente florestal em parte do desenho agrícola sem eliminar a atividade econômica responsável pela produção de café.
Outras culturas também podem ocupar os sistemas apoiados pelo Idesam, que relata o aproveitamento das áreas por famílias participantes para o cultivo de espécies anuais e alimentos como milho, arroz e melancia, além dos próprios cafeeiros.
Ao distribuir diferentes cultivos pelo mesmo espaço, essa diversificação amplia as possibilidades de consumo e geração de renda dentro das propriedades, reduzindo a necessidade de organizar toda a área produtiva em torno de uma única espécie agrícola.
No caso de Jair, a dimensão da transformação chama atenção pela concentração dos números, já que uma área comparada a cinco campos de futebol recebeu quase 7 mil cafeeiros e mais de 2,6 mil mudas de árvores.
Aquilo que antes era um terreno desmatado passou, dessa maneira, a funcionar como uma lavoura na qual o componente florestal faz parte da própria estrutura produtiva, compartilhando espaço com o café em vez de permanecer distante da atividade agrícola.
Café vira ferramenta de restauração em área desmatada
Ao manter os cafeeiros dentro do terreno em recuperação, o sistema adotado em Apuí permite que a restauração da área ocorra sem exigir que o agricultor abandone completamente a atividade econômica desenvolvida dentro da propriedade.
Enquanto as árvores crescem e aumentam a diversidade da vegetação, os pés de café continuam ocupando o espaço produtivo, combinação que ajuda a explicar por que a cultura passou a ser utilizada como parte da estratégia de recuperação de áreas degradadas.
O Idesam informa que o Café Apuí Agroflorestal foi estruturado para fortalecer a renda dos produtores e a conservação da floresta, oferecendo apoio técnico durante diferentes etapas de implantação e desenvolvimento dos sistemas adotados pelas famílias participantes.
Além do acompanhamento produtivo, a organização registra avanços relacionados à certificação orgânica e à valorização do produto, fatores que ampliam as possibilidades de comercialização do café cultivado dentro de um modelo que incorpora árvores à própria estrutura da lavoura.
Nesse contexto, a dimensão econômica se torna parte fundamental da iniciativa, porque o agricultor não precisa escolher entre manter o café ou introduzir árvores no terreno, já que os dois componentes podem ocupar simultaneamente a mesma área produtiva.
Outras espécies também podem ser acrescentadas conforme o desenho de cada sistema agroflorestal, permitindo que a propriedade combine produção agrícola, diversidade vegetal e recuperação de terrenos que anteriormente haviam perdido parte de sua cobertura original.
Na área de Jair, essa combinação levou milhares de cafeeiros para um terreno desmatado enquanto mais de 2,6 mil mudas de árvores eram incorporadas ao mesmo espaço, reunindo vegetação e atividade agrícola em uma extensão equivalente a cinco campos de futebol.
Ao observar uma propriedade capaz de manter quase 7 mil pés de café junto de milhares de árvores em uma área anteriormente degradada, você acredita que modelos semelhantes poderiam ganhar espaço entre outros pequenos produtores interessados em recuperar seus terrenos sem abandonar a produção?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

