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Japão surpreende o mundo ao mover portão de 672 toneladas em apenas 7 dias, usando 2 macacos hidráulicos para deslocar a estrutura 112 metros com precisão de ±10 mm
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 30/08/2026 às 20:06
Atualizado em 30/08/2026 às 20:39
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A técnica japonesa de relocação conhecida como hikiya permitiu preservar inteira uma construção centenária de tijolos em Tóquio, apoiando o edifício sobre trilhos e roletes de aço enquanto macacos hidráulicos faziam avanços controlados e equipes monitoravam continuamente inclinação e trajetória.
Mover um edifício histórico inteiro exige que a construção deixe temporariamente de funcionar apenas como imóvel e passe a ser tratada como uma única carga estrutural. Foi assim que o antigo portão principal da Prisão de Nakano, em Tóquio, com aproximadamente 672 toneladas, percorreu cerca de 112 metros sem ser desmontado.
A Shimizu Corporation, responsável pela obra, informou que a movimentação foi concluída em sete dias com vigas de aço, trilhos, roletes e dois macacos hidráulicos, enquanto o acompanhamento contínuo da posição permitia manter o desvio horizontal dentro de ±10 milímetros.
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Como o portão foi preparado para se mover inteiro
O procedimento utilizado é conhecido no Japão como hikiya, técnica de relocação em que um edifício é levantado, apoiado sobre uma estrutura temporária e transferido para outro ponto sem que suas paredes precisem ser demolidas e reconstruídas.
Em Nakano, a preparação começou muito antes do deslocamento: a fundação recebeu reforço de concreto armado, contraventamentos horizontais de aço foram instalados no interior e 48 estacas tubulares provisórias de aço passaram a sustentar a construção durante os trabalhos realizados sob a base.
Parte dessa etapa precisou ser executada manualmente porque as condições encontradas sob o portão impediram o uso dos equipamentos de escavação inicialmente previstos, e o conjunto de preparativos se estendeu por cerca de um ano e meio antes de o edifício ficar pronto para avançar.
A intervenção também exigiu aproximadamente 4 mil metros cúbicos de escavação e a execução de uma laje de concreto com 30 centímetros de espessura, usada para receber o sistema provisório e distribuir as cargas ao longo do trajeto e na nova posição da estrutura.
Antes da movimentação horizontal, o portão foi elevado cerca de 1,2 metro. Sob a construção foram instalados elementos de madeira e aço, trilhos e roletes cilíndricos que permitiram transformar a base em um sistema capaz de receber os sucessivos empurrões dos macacos hidráulicos.
Cada acionamento fazia o conjunto avançar aproximadamente um metro e levava cerca de 30 minutos. O ciclo era repetido entre 15 e 17 vezes por dia, permitindo que a estrutura percorresse gradualmente o trajeto previsto sem mudanças bruscas de velocidade ou direção.
Essa lentidão tinha função estrutural, porque o portão é uma construção centenária de alvenaria sem barras de reforço como as presentes em edificações modernas, o que aumenta a importância de limitar vibrações, deformações e inclinações capazes de produzir fissuras nos tijolos e nas juntas.
Durante o deslocamento, a equipe adotou como parâmetro uma inclinação inferior a 1/3333 e manteve o movimento lateral dentro da faixa de ±10 milímetros. Quando a construção começava a sair do alinhamento planejado, a posição dos roletes era ajustada gradualmente para corrigir a trajetória.
O controle milimétrico era necessário porque transportar o portão representava um problema diferente de simplesmente mover uma carga industrial de peso equivalente: a alvenaria precisava permanecer estável como conjunto enquanto recebia esforços temporários de sustentação, elevação e deslocamento distribuídos pela base.
Por que o edifício foi transferido em vez de demolido
A operação de movimentação ocorreu entre o fim de julho e o início de agosto de 2025. O distrito de Nakano registra que o deslocamento começou em 28 de julho e terminou em 5 de agosto, período em que visitantes também puderam acompanhar parte do trabalho.
Construído em 1915 e projetado pelo arquiteto Keiji Goto, o portão integrava a antiga Prisão de Toyotama, posteriormente conhecida como Prisão de Nakano, e é identificado pela Shimizu como a única obra remanescente atribuída ao arquiteto.
A estrutura também sobreviveu ao Grande Terremoto de Kanto. Quando a prisão foi fechada, em 1983, os demais edifícios do complexo foram demolidos, enquanto o acesso principal permaneceu preservado e posteriormente integrado a uma instalação de treinamento do Ministério da Justiça.
A destinação posterior do terreno para um projeto urbano e educacional criou a necessidade de liberar a área ocupada pelo portão sem destruir o elemento histórico, levando Nakano a optar pela transferência integral da construção para a parte oeste do mesmo terreno.
A técnica hikiya permitiu preservar a configuração física do edifício, mas exigiu uma infraestrutura temporária capaz de controlar ao mesmo tempo peso, atrito, inclinação, direção e distribuição das cargas enquanto a estrutura avançava sobre trilhos por mais de 100 metros.
A extensão tornou a operação incomum para uma construção de tijolos, pois o edifício precisou permanecer estável durante uma sequência de pequenos avanços e correções até alcançar a posição definida para preservação, em vez de ser desmontado em partes menores para transporte.
A chegada ao novo ponto não encerrava o projeto: depois da transferência, estavam previstos dispositivos de isolamento sísmico sob a base e trabalhos de restauração do edifício, incluindo intervenções nos tijolos, nas juntas e no telhado do antigo portão.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

