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Japão testa robô humanoide que carrega sozinho placas de gesso de 11 quilos, posiciona o material e o fixa na parede sem qualquer ajuda humana, antecipando uma revolução capaz de transformar os canteiros de obras

Japão testa robô humanoide que carrega sozinho placas de gesso de 11 quilos, posiciona o material e o fixa na parede sem qualquer ajuda humana, antecipando uma revolução capaz de transformar os canteiros de obras

6 min de leitura

Japão testa robô humanoide que carrega sozinho placas de gesso de 11 quilos, posiciona o material e o fixa na parede sem qualquer ajuda humana, antecipando uma revolução capaz de transformar os canteiros de obras

Escrito por Valdemar Medeiros

Publicado em 02/08/2026 às 23:33

Construção

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HRP-5P, The Humanoid Robot

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Robô humanoide HRP-5P, desenvolvido pelo instituto japonês AIST, mede 1,82 metro, pesa 101 quilos, carrega placas de gesso de 11 quilos e foi criado para enfrentar a escassez de mão de obra na construção civil, na montagem de grandes estruturas, em estaleiros e na indústria aeronáutica.

Pegando uma placa de gesso de 11 quilos, caminhando até a parede e fixando o material no local correto, um robô humanoide japonês mostrou uma das cenas mais avançadas da robótica aplicada à construção civil. O protótipo, batizado de HRP-5P, foi desenvolvido pelo Instituto Nacional de Ciência Industrial Avançada do Japão, conhecido pela sigla AIST.

Com 1,82 metro de altura, 101 quilos e 37 graus de liberdade distribuídos pelo corpo, o HRP-5P foi projetado para executar tarefas pesadas em ambientes como canteiros de obras, fábricas de aeronaves e estaleiros. A proposta do instituto japonês é usar robôs humanoides como plataforma de pesquisa para compensar a escassez de trabalhadores e reduzir a exposição humana a atividades fisicamente desgastantes.

Robô humanoide HRP-5P foi criado no Japão para executar trabalho pesado na construção civil

O HRP-5P é um protótipo humanoide desenvolvido pelo grupo de robótica do AIST, dentro da série HRP, uma linha de pesquisa japonesa voltada para robôs bípedes capazes de atuar em ambientes originalmente desenhados para seres humanos.

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Segundo o AIST, o modelo foi construído com corpo mais robusto, maior potência nas articulações e sistemas de inteligência robótica voltados à medição do ambiente, reconhecimento de objetos, planejamento de movimentos e execução autônoma de tarefas.

HRP-5P, The Humanoid Robot

A escolha por um formato humanoide não é apenas estética. Como canteiros de obras, estaleiros e áreas industriais foram pensados para trabalhadores humanos, um robô com proporções semelhantes pode operar nesses locais com menos necessidade de adaptar o ambiente.

HRP-5P mede 1,82 metro, pesa 101 quilos e usa 37 articulações para carregar materiais pesados

O protótipo tem 182 centímetros de altura, 101 quilos e um corpo com 37 graus de liberdade. Essa arquitetura permite movimentos no pescoço, cintura, braços, pernas e mãos, ampliando a capacidade do robô para lidar com objetos grandes e volumosos.

De acordo com o AIST, o HRP-5P consegue manipular placas de gesso de 1.820 milímetros por 910 milímetros por 10 milímetros, com peso aproximado de 11 quilos. O robô também pode carregar painéis de madeira compensada de cerca de 13 quilos.

HRP-5P, The Humanoid Robot

Além da força, os pesquisadores ampliaram o alcance de movimentos em regiões como quadril e cintura. Essa combinação permite ao robô agachar, girar o tronco e trabalhar em posições mais próximas das exigidas em uma obra real.

Como o robô japonês identifica objetos e instala placas de gesso sozinho

A demonstração mais importante do HRP-5P envolveu a instalação autônoma de uma placa de gesso em um ambiente residencial simulado.

O robô cria um mapa tridimensional do entorno, identifica os objetos, aproxima-se da bancada e separa uma placa empilhada.

HRP-5P, The Humanoid Robot

Depois disso, o humanoide levanta o material, caminha até a parede, posiciona a placa e usa uma ferramenta para fixá-la.

A operação mostra justamente o ponto central do projeto: fazer o robô lidar com uma sequência completa de trabalho pesado, e não apenas com movimentos isolados.

Segundo o AIST, o sistema usa sensores na cabeça para medir continuamente o ambiente em 3D e uma rede neural convolucional treinada para reconhecer objetos de trabalho.

A instituição informa que o robô detecta dez tipos de regiões de objetos bidimensionais com precisão superior a 90% em determinadas condições de teste.

Inteligência artificial e sensores 3D ampliaram a autonomia do HRP-5P

O avanço do HRP-5P não está apenas na força mecânica. O robô combina percepção ambiental, reconhecimento visual, planejamento de corpo inteiro e controle de movimento para executar tarefas com menos interferência humana.

Mesmo quando a visão é parcialmente bloqueada pelo material carregado, o sistema mantém e atualiza informações do ambiente para ajustar a caminhada. Isso é essencial em obras, onde obstáculos, superfícies irregulares e objetos espalhados tornam o deslocamento mais difícil.

O AIST também destaca o uso de ambiente virtual de testes no simulador Choreonoid, utilizado para manter a confiabilidade de um software de grande escala. Segundo o instituto, o sistema envolve cerca de 250 mil linhas de código.

Escassez de mão de obra no Japão ajuda a explicar aposta em robôs humanoides

O projeto do HRP-5P está diretamente ligado a um problema estrutural do Japão: a falta de trabalhadores em setores que exigem esforço físico.

O próprio AIST afirma que a queda da natalidade no país tende a causar escassez severa de mão de obra na construção civil e em outras áreas industriais.

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Os dados demográficos reforçam esse cenário. Segundo o Statistics Bureau of Japan, a população japonesa em 1º de outubro de 2024 era de 123,802 milhões de pessoas, com queda pelo 14º ano consecutivo. O grupo com 65 anos ou mais somava 36,243 milhões, equivalente a 29,3% da população.

Nesse contexto, robôs capazes de executar tarefas pesadas são tratados como resposta tecnológica a um desafio econômico e demográfico.

A ideia não é apenas acelerar obras, mas reduzir a dependência de trabalhadores em atividades repetitivas, perigosas ou fisicamente exaustivas.

Robô humanoide ainda é plataforma de pesquisa, não substituto imediato de trabalhadores

Apesar da demonstração impressionante, o HRP-5P não foi apresentado como um produto comercial pronto para substituir equipes humanas nos canteiros de obras.

O AIST descreve o modelo como uma plataforma de pesquisa e desenvolvimento para uso colaborativo entre indústria e academia.

A própria aplicação demonstrada ocorreu em um ambiente simulado de construção residencial. Isso significa que o robô já consegue realizar sequências complexas em condições controladas, mas ainda depende de avanços para operar com confiabilidade em larga escala em obras reais.

O ritmo de trabalho também permanece como limitação. Robôs humanoides desse tipo tendem a executar tarefas de forma mais lenta que trabalhadores experientes, embora possam oferecer precisão, repetibilidade e segurança em operações específicas.

Construção civil, estaleiros e aeronaves estão no alvo da pesquisa japonesa

O HRP-5P foi pensado para mais do que instalar placas de gesso. Segundo o AIST, a plataforma mira aplicações em canteiros de construção, edifícios residenciais e comerciais, montagem de aeronaves e construção naval.

HRP-5P, The Humanoid Robot

Esses setores têm algo em comum: todos envolvem estruturas grandes, materiais pesados e ambientes difíceis de automatizar com robôs industriais tradicionais. Diferentemente de uma fábrica padronizada, uma obra muda o tempo todo, o que exige máquinas capazes de reconhecer o espaço e adaptar movimentos.

Por isso, o projeto japonês aposta no humanoide como uma solução de longo prazo. Em vez de redesenhar completamente os ambientes industriais, o robô tenta operar dentro de espaços feitos para pessoas.

HRP-5P mostra como o Japão quer transformar o futuro do trabalho manual

A imagem do HRP-5P carregando uma placa de gesso resume uma mudança maior na indústria: robôs humanoides deixaram de ser apenas máquinas de laboratório para começar a assumir tarefas reais em ambientes físicos complexos.

O projeto ainda não representa a substituição imediata de trabalhadores humanos. Ele representa, sobretudo, uma etapa de transição em que robôs passam a ser testados como apoio para atividades pesadas, repetitivas e de maior risco.

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Se tecnologias como o HRP-5P avançarem em velocidade, custo, segurança e resistência operacional, a construção civil poderá ver humanoides trabalhando ao lado de equipes humanas em tarefas que hoje dependem quase totalmente de força física, experiência prática e disponibilidade de mão de obra.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

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