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Jato soviético Tupolev Tu-144 ultrapassava 2.400 km/h, decolou antes do Concorde e deixou Moscou em uma viagem por rios, mar e estrada até a Alemanha, onde foi erguido sobre o telhado de um museu e permanece aberto ao público há 25 anos
Escrito por Carla Teles
Publicado em 05/08/2026 às 14:54
Atualizado em 05/08/2026 às 14:55
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O Tupolev Tu-144 foi o primeiro avião supersônico de passageiros a decolar, superou 2.400 km/h e percorreu rios, mar e rodovias desde Moscou até Sinsheim, onde foi instalado sobre o telhado do museu em 2001 e continua acessível aos visitantes ao lado do Concorde após 25 anos de exposição permanente.
O Tupolev Tu-144, jato soviético desenvolvido durante a corrida tecnológica da Guerra Fria, permanece exposto há 25 anos sobre o telhado do Museu de Tecnologia de Sinsheim, na Alemanha. Antes de chegar ao local, a aeronave saiu de Moscou e enfrentou uma operação logística por rios, mar e estrada, sendo finalmente instalada em posição de decolagem no dia 26 de março de 2001.
A história foi detalhada pelo Museu de Tecnologia de Sinsheim em uma publicação de 26 de março de 2026, data que marcou o aniversário de 25 anos da instalação. O avião havia feito seu primeiro voo em 31 de dezembro de 1968, antes do Concorde, e alcançou velocidade máxima próxima de 2.430 km/h, tornando-se um dos projetos mais ambiciosos da aviação comercial supersônica.
Projeto nasceu durante a Guerra Fria
O desenvolvimento do Tupolev Tu-144 começou em 1963, quando o escritório de projetos Tupolev recebeu a missão de criar uma aeronave soviética capaz de transportar passageiros acima da velocidade do som. Naquele período, União Soviética, Estados Unidos, França e Reino Unido disputavam avanços tecnológicos em setores como exploração espacial, aviação militar e transporte civil.
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O avião tornou-se um símbolo da competição entre o bloco soviético e o Ocidente. Enquanto franceses e britânicos trabalhavam no Concorde e os norte-americanos desenvolviam o Boeing 2707, posteriormente cancelado, os engenheiros soviéticos buscaram colocar no ar um jato comercial que demonstrasse a capacidade tecnológica do país.
Primeiro voo ocorreu antes do Concorde
O Tupolev Tu-144 realizou seu voo inaugural em 31 de dezembro de 1968, tornando-se a primeira aeronave de transporte supersônico do mundo a decolar. O Concorde faria seu primeiro voo alguns meses depois, em março de 1969, mantendo os dois projetos ligados a uma disputa histórica pela liderança da aviação comercial de alta velocidade.
Em 5 de junho de 1969, o avião soviético ultrapassou pela primeira vez a velocidade do som. O desempenho colocou o Tu-144 à frente de seu rival ocidental nos primeiros marcos da corrida supersônica, embora o desenvolvimento posterior tenha mostrado diferenças importantes em confiabilidade, operação, conforto e duração do serviço regular.
Velocidade ultrapassava 2.400 km/h
A velocidade máxima informada pelo museu chega a aproximadamente 2.430 km/h, enquanto registros históricos apresentados pela instituição indicam picos próximos de 2.443 km/h. Esse desempenho era muito superior ao de aviões comerciais modernos, que normalmente realizam voos de cruzeiro entre cerca de 800 e 900 km/h.
O Tupolev Tu-144 conseguia viajar a mais de duas vezes a velocidade do som, reduzindo significativamente o tempo necessário para percorrer grandes distâncias. A busca por esse desempenho, entretanto, exigia motores potentes, elevado consumo de combustível, estruturas resistentes ao aquecimento aerodinâmico e soluções específicas para pousos e decolagens.
Asas dianteiras ajudavam em baixa velocidade
O avião apresentava grandes asas em formato delta e motores posicionados próximos à fuselagem. Algumas versões posteriores também receberam pequenas superfícies móveis dianteiras, conhecidas como canards, que eram abertas durante operações realizadas em velocidades mais baixas, especialmente nas aproximações e decolagens.
Esses componentes ajudavam a melhorar o controle e a sustentação quando o jato não estava em regime supersônico. O formato incomum e as semelhanças visuais com o Concorde renderam ao avião o apelido de “Concordski”, expressão utilizada para relacionar o projeto soviético ao concorrente desenvolvido pela França e pelo Reino Unido.
Acidente atingiu o programa em 1973
Um dos momentos mais graves ocorreu em 3 de junho de 1973, durante uma apresentação no Salão Aeronáutico de Paris. O avião se desintegrou em pleno ar diante do público, provocando um forte impacto internacional sobre a imagem do programa e levantando novas dúvidas sobre a segurança e o desenvolvimento da aeronave.
O acidente representou um grande revés para o Tupolev Tu-144, que ainda buscava demonstrar viabilidade comercial. Embora o trabalho tenha continuado depois da tragédia, o episódio passou a acompanhar permanentemente a história do jato e reforçou a pressão sobre um projeto já marcado por exigências técnicas e financeiras elevadas.
Transporte de carga começou antes dos passageiros
O avião entrou em serviço em dezembro de 1975, inicialmente transportando correio e carga. As operações permitiram testar o equipamento em rotas regulares antes de sua utilização com passageiros, enquanto as equipes avaliavam desempenho, manutenção, consumo e comportamento da aeronave durante voos comerciais.
O serviço de passageiros começou em novembro de 1977 na rota entre Moscou e Alma-Ata, atual Almaty, no Cazaquistão. Apesar do significado histórico, essa etapa durou pouco, pois as dificuldades operacionais e os custos elevados contribuíram para o encerramento dos voos regulares já em 1978.
Operação comercial terminou rapidamente
A curta duração do serviço de passageiros contrastou com as ambições existentes durante a fase de desenvolvimento. O projeto havia sido concebido para representar o futuro do transporte aéreo, mas encontrou limitações relacionadas a custos, confiabilidade, operação e viabilidade econômica em um mercado que exigia muito mais do que velocidade.
Enquanto o Tu-144 deixou as rotas regulares em 1978, o Concorde continuou transportando passageiros até outubro de 2003. A diferença de longevidade fez com que o modelo ocidental se tornasse mais conhecido comercialmente, embora o jato soviético tenha mantido importância por ter alcançado antes vários marcos do voo supersônico.
Museu procurou aeronave em Moscou
Anos depois do encerramento do programa, o Museu de Tecnologia de Sinsheim demonstrou interesse em obter um exemplar. A primeira consulta enviada à fábrica da Tupolev, em Moscou, não recebeu resposta, e a possibilidade de transportar uma aeronave daquele porte para a Alemanha permaneceu distante durante cerca de uma década.
A situação mudou quando uma delegação liderada pelo projetista técnico-chefe da Tupolev informou que havia um avião disponível na fábrica. O museu apresentou uma proposta que previa o transporte russo até Mannheim, abrindo caminho para uma operação logística complexa que atravessaria diferentes países, rios e meios de transporte.
Jato saiu de Moscou por um rio
A primeira parte da viagem ocorreu pelo rio Moscou, permitindo que a aeronave deixasse a capital russa por via fluvial. Para realizar o deslocamento, o avião precisou ser preparado e colocado sobre uma estrutura de transporte capaz de suportar seu peso e suas grandes dimensões durante o trajeto.
Depois de avançar pelo sistema hidroviário, o Tupolev Tu-144 seguiu até São Petersburgo. A operação exigiu planejamento para passagem por pontes, curvas, portos e canais, mostrando que retirar uma aeronave supersônica de uma fábrica e levá-la a outro país era um desafio muito diferente de realizar um voo convencional.
Mar levou aeronave até Roterdã
Em São Petersburgo, o jato foi colocado sobre uma embarcação costeira para seguir pelo mar. A viagem avançou ao longo da costa europeia até Roterdã, nos Países Baixos, transformando uma aeronave projetada para superar 2.400 km/h em uma carga transportada lentamente sobre a água.
O deslocamento marítimo foi uma das etapas mais impressionantes da jornada, porque exigiu proteger e estabilizar a estrutura durante a navegação. A imagem do avião soviético sobre uma embarcação evidenciava a escala da operação e o esforço necessário para preservar uma peça histórica que já não poderia realizar a viagem pelos próprios meios.
Reno e Neckar conduziram o avião
Depois de chegar a Roterdã, o transporte continuou pelo rio Reno até Mannheim, na Alemanha. Nesse ponto, uma delegação russa realizou a entrega cerimonial da aeronave, concluindo a etapa internacional e transferindo a responsabilidade pelo restante do percurso aos responsáveis pelo museu.
De Mannheim, o avião seguiu em outra embarcação pelo rio Neckar até um cais de cargas pesadas em Heilbronn. Os rios permitiram transportar o jato por grande parte do território alemão, evitando trechos rodoviários longos nos quais seu tamanho poderia provocar dificuldades ainda maiores para o tráfego e para a infraestrutura.
Última etapa foi realizada por estrada
A partir de Heilbronn, o Tupolev Tu-144 precisou enfrentar o trecho final por rodovias e estradas até Sinsheim. O transporte terrestre exigiu veículos especiais, avaliação de altura, largura e peso, além de planejamento para atravessar cruzamentos e pontos onde a aeronave poderia se aproximar de placas, postes ou outras estruturas.
A operação chamou atenção durante o percurso porque um avião supersônico de grandes dimensões avançava lentamente pelas vias públicas. A última parte da viagem completou uma combinação rara de transporte fluvial, marítimo e rodoviário, encerrando uma trajetória iniciada na fábrica de Moscou.
Estruturas de aço sustentam o jato
Assista o vídeo
No dia 26 de março de 2001, a aeronave foi instalada sobre o telhado do Museu de Tecnologia de Sinsheim. O avião foi colocado em posição inclinada, como se estivesse iniciando uma decolagem, e passou a ser sustentado por três grandes estruturas de aço projetadas para mantê-lo acima do edifício.
A instalação transformou o jato em um marco visível a distância. O Tupolev Tu-144 deixou de ser apenas uma peça exposta e passou a integrar a própria arquitetura do museu, criando uma composição que reforça a velocidade, a inclinação e a aparência futurista do projeto soviético.
Concorde chegou dois anos depois
Em 2003, o Concorde F-BVFB foi instalado próximo ao avião soviético, reunindo no mesmo espaço os dois principais jatos comerciais supersônicos da história. A combinação transformou Sinsheim em um local singular, onde visitantes conseguem comparar diretamente formas, dimensões e soluções adotadas em projetos rivais.
As duas aeronaves parecem posicionadas para decolar sobre o telhado, embora permaneçam apoiadas em estruturas independentes. A proximidade encerra simbolicamente a antiga competição tecnológica, colocando lado a lado máquinas que representaram projetos políticos, industriais e aeronáuticos distintos durante a Guerra Fria.
Visitantes podem entrar na aeronave
Assista o vídeo
O avião não permanece apenas como uma escultura externa. Os visitantes podem subir até a estrutura, percorrer o interior da cabine de passageiros e observar a cabine de comando, conhecendo espaços que originalmente foram projetados para voos realizados em velocidades superiores a duas vezes a do som.
A inclinação da instalação torna a visita diferente de uma entrada em um avião estacionado no solo. O público percorre o Tupolev Tu-144 como se a aeronave estivesse apontada para o céu, observando detalhes internos, equipamentos e dimensões que ajudam a explicar a experiência de viajar em um jato supersônico soviético.
Tupolev permanece aberto após 25 anos
Em março de 2026, a instalação completou 25 anos sobre o telhado do museu. Durante esse período, a aeronave permaneceu como uma das principais atrações de Sinsheim e como testemunho de uma época em que governos e fabricantes acreditavam que viagens comerciais supersônicas poderiam transformar a aviação mundial.
O Tupolev Tu-144 não conquistou a carreira comercial longa imaginada por seus criadores, mas realizou o primeiro voo antes do Concorde, superou 2.400 km/h e atravessou rios, mar e estradas para alcançar seu destino final. Na sua opinião, a viagem até o museu é tão impressionante quanto a própria história supersônica do avião? Deixe seu comentário.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

